Reforma Tributária escancara a verdadeira alma deste país. Não somos o país do “jeitinho”. Somos o país do “salve-se quem puder!” .

A maneira como a Reforma Tributária tem sido tratada por nossos representantes parlamentares deixa claro que os grupos de interesses que podem mais, pagam menos.
E com isso, toda a população se vê obrigada a suportar uma taxa enorme de impostos. Enquanto a inteligente ferramenta do cash back é deixada de lado, mais e mais produtos entram na lista daqueles que terão taxa reduzida ou mesmo zerada.
Que se zere ou se abaixe o valor do tributo pela faixa de renda do cidadão, não pelo produto em si. É neste sentido que o cash back pode promover a progressividade na forma de se tributar no Brasil. Acontece que nossos deputados entenderam de maneira diferente e continuam fazendo jogo duplo. Cabe ao Senado corrigir estas falhas.
Quem anda pelas ruas centrais de qualquer grande cidade brasileira percebe, se tiver um mínimo de sensibilidade, quantos desajustados socialmente estão perambulando por aí. São vagabundos!, alguns dirão. Não são.
São os esquecidos — são crianças, idosos e viciados que não encontraram o menor suporte estatal para viver com dignidade.
Nossos deputados deveriam descer do pedestal em que se encontram no Plano Piloto de Brasília e dar uma voltinha pela comunidade do Sol Nascente, por exemplo. Aí está a realidade de um Estado que nega cidadania e depois finge entregar proteção social.
É por isso que existe o “jeitinho brasileiro”. Ele existe para suprir aquilo que o estado nega. Dizer que o brasileiro é que não cumpre regras, é aderir a um raciocínio raso e perigoso. Mas é mais fácil enxergar assim…
Quando o presidente da Câmara Arthur Lira (PP) disse que iria fazer ‘não a reforma ideal, mas reforma possível‘, a senha foi dada. Já deu para perceber o resultado: só é possível aquilo que mantém privilégios. Cortar na carne, jamais.
Continuaremos a ser um país injusto — não haverá ajuste nenhum para além daqueles feitos entre os grandes, num verdadeiro “salve-se quem puder”.
