Mais uma vez Lula se vê constrangido a contemporizar diante da situação da Venezuela.

Luiz Inácio Lula da Silva, durante seus mandatos, e em sua trajetória política, sempre demonstrou apoio — direto ou indireto — a diversos líderes de regimes autoritários. Entre esses líderes, destacam-se: Nicolás Maduro (Venezuela), Miguel Díaz-Canel (Cuba); Daniel Ortega (Nicarágua); além de Vladimir Putin (Rússia).
Esses exemplos demonstram a tendência de Lula em apoiar regimes que compartilham alinhamentos ideológicos ou que se opõem ao domínio ocidental, tentando forjar uma suposta posição de líder do Sul Global, distanciando-se assim de uma política externa tradicionalmente democrática e não intervencionista do Brasil.
Por este viés, o discurso de ‘democrata’ de Lula é, no mínimo, curioso. Por enfrentar internamente uma aberração política chamada Jair Bolsonaro (PL), esmera-se por fazer a ordem institucional vingar por aqui (apesar de suas tentativas de intervir no Banco Central).
Já lá fora apoia regimes autoritários, o que lhe vale lances teatrais, como o de dizer que “a Venezuela tem democracia até demais”(!).
Age como o exato oposto de Getúlio Vargas que impunha uma ditadura ferrenha no Brasil (1937-1945) mas apoiava a ordem democrática durante a Segunda Guerra. Resultado: Getúlio caiu.
Já Lula insiste em seu discurso democrático mas não é bem isso que gosta de fazer e apoiar mundo afora.
Como presidente do Brasil, neste momento, Lula precisa ser mais firme e mandar recados claros a Nicolás Maduro, que pretende transformar as eleições na Venezuela em um banho de sangue, caso não saia vencedor do pleito.
A reta final da campanha levou Maduro a se empenhar por se manter no poder. Pela primeira vez, em anos, vemos a oposição em condições de retirar-lhe o trono chavista, mesmo com todos os empecilhos criados pela lei eleitoral venezuelana à oposição. Isso vai da proibição de candidaturas a dificuldades criadas para aqueles que fugiram do regime votarem desde o exterior.
O ditador está no poder desde 2013. Se levarmos em conta o tempo em que seu pai ideológico, Hugo Chávez foi eleito, em 1998, lá se vão mais de um quarto de século. Tempo suficiente para se destruir toda a riqueza daquele que já foi o país mais rico da América Latina.
Este é o resultado prático que se obtém quando o poder não é compartilhado pelas diversas opiniões sociais e políticas de uma sociedade.
Se é democrata, Lula precisa parar de apoiar ditadores.
