FORMAÇÃO POLÍTICA

O jogo do perde-perde 

Separados por uma praça, autoridades se rivalizam em Brasília.

Não é de hoje que o primeiro andar de mando do país está em uma disputa insana por poder. O Executivo, no último mandato, exercido por Jair Bolsonaro (PL) tentou de todas as maneiras derrubar a ordem democrática para enfim se sobrepor. 

Naquele momento, foi o Judiciário, em especial através do Ministro Alexandre de Moraes que então presidia o TSE quem segurou a barra e impediu que nossa democracia, reconquistada no início dos anos 1980, tivesse novo hiato. 

Agora se insinua que os métodos utilizados por Moraes podem se equiparar aos que Sérgio Moro se valeu na condução da Lava Jato. Curioso como sempre se deixa uma porta aberta… será que Bolsonaro vai se reabilitar, como Lula se reabilitou? A ver. 

O Legislativo, aproveitando-se da fraqueza do governo Bolsonaro, então encalacrado, entre outras coisas, pela condução desastrosa do país durante a pandemia de Covid-19 acabou por se assenhorar de fatias cada vez mais generosas do orçamento para distribuir sem qualquer critério que não o do clientelismo. 

Agora, o novel Ministro do Supremo Flávio Dino, que até dias se assentava no Ministério da Justiça de Lula da Silva investiu contra o uso indiscriminado das verbas do orçamento, exigindo transparência e acabou por insuflar o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP). 

Este, que sabe usar as armas que tem, prometeu destravar a PEC que limita os poderes dos Ministros do Supremo. 

Parece que, enfim, o alto escalão deixou de jogar o velho jogo do ganha-ganha para se arriscarem no jogo do perde-perde. Pode ser que assim, finalmente, quem ganhe um pouquinho seja o cidadão brasileiro que até então nada mais faz do que assistir os “donos do poder” se entenderem. É aí que reside o original jeitinho brasileiro.

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