Anistiar atos golpistas é dar aval àqueles que pretenderam retirar do próprio Congresso o poder de legislar em nome da sociedade. Ou o Congresso acha que, diante de uma ditadura, manteria suas prerrogativas?

Os acontecimentos do dia 08 de janeiro de 2023 foram extremos. Naquela data, é bom lembrar, Brasília foi palco de um ataque violento contra as sedes dos Três Poderes da República: o Palácio do Planalto (Executivo), o Congresso Nacional (Legislativo) e o Supremo Tribunal Federal (Judiciário).
Manifestantes contrários ao resultado das eleições presidenciais de 2022 invadiram e vandalizaram esses prédios governamentais, em um episódio amplamente descrito como uma tentativa de golpe de Estado.
O ataque resultou em destruição de móveis, obras de arte, vidraças e equipamentos, além de saques e furtos em várias partes das instalações. Mas a grande ofendida foi nossa Democracia.
Ela saiu vitoriosa naquela ocasião e isto pode até ser visto como algo positivo. Ora, é bom pensar duas vezes antes de se atentar contra nossa jovem Democracia!
Agora, em meio a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, nossos parlamentares resolveram sair da inanição na qual as eleições municipais os colocou, para se aventurarem a votar uma anistia para os golpistas daquela ocasião.
E mesmo diante de um recuo, o simples fato de cogitarem isso já é um sinal preocupante. Isso porque não são os soldados rasos convocados para se arriscarem nas ruas que a anistia mira. São os mandantes e os financiadores do ataque.
Em acontecendo isso, mais uma vez estaremos diante de um fato grave que, ao fim e ao cabo, não culminará em punição alguma — ao menos para seus mandantes. Não faltam leis no Brasil. O que falta é fazer o andar de cima as cumprir.
