A cidade de São Paulo preferiu não se aventurar. Lula e Bolsonaro perdem o protagonismo nas eleições municipais.

Um dos velhos chavões que se utilizam para desestabilizar a democracia brasileira e para fazer o povo se sentir incapaz é aquele que prega que “o brasileiro não sabe votar”.
Mas as urnas têm repetido que o que se dá é o exato oposto e, diante das opções que os partidos políticos oferecem ao eleitor como menu, o brasileiro sabe, sim, escolher.
O que acontece é que grupos de influência intervêm no processo, sempre de olho em seus comezinhos interesses e oferecem más opções, além de trabalharem para interferirem na intenção de votos do eleitor.
Durante a campanha e, depois, com Bolsonaro eleito, criou-se uma aberração chamada ‘bolsonarismo’ para se contrapor a outra aberração chamada ‘lulismo’, e isso tem feito muito mau ao Brasil. Porém, o público finalmente parece estar acordando deste encantamento.
Sabedores disto, ambos se ausentaram — para o bem do pleito — das campanhas eleitorais.
A cidade de São Paulo soube afastar outra aberração das opções para o segundo turno e irá decidir entre um candidato da esquerda (Psol) e um de centro-direita (MDB).
E enquanto o Rio de Janeiro se agarrou a Eduardo Paes (PSD), Belo Horizonte, de última hora decidiu afastar o apresentador Mauro Tramonte (Republicanos) e ficar entre uma opção vinda do PL, Bruno Engler e outro do PSD Fuad Noman. É difícil entender o que causou a queda de Tramonte, mas não parece que a influência de Bolsonaro em favor de Engler tenha sido o motivo.
O PL fez duas capitais em primeiro turno: Rio Branco (AC) e Maceió (AL), nesta última com o candidato apoiado por Arthur Lira (PP), presidente da Câmara dos Deputados. Já o PT não fez nenhuma capital, ainda que tenha candidatos no segundo turno de Cuiabá (MT), Natal (RN) e Porto Alegre (RS).
Manaus (AM), Goiânia (GO), Aracaju (SE), João Pessoa (PB) e Belém (PA) têm candidatos do PL no segundo turno. Já Fortaleza (CE) contará com um duelo entre o Partido dos Trabalhadores e o Partido Liberal.
Não se pode, todavia, pensar que foi a influência de Lula ou de Bolsonaro quem conduziu estes candidatos à segunda rodada. No PL, acima de Bolsonaro existe a figura de Valdemar Costa Neto, muito mais habilitado a circular nos bastidores da política do que o ex-presidente que, radical, desune.
Um grande vencedor das eleições foi um político de carteirinha, Gilberto Kassab, que preside o partido que mais fez prefeituras no país. O PSD conquistou 878 administrações municipais, enquanto o MDB obteve 848 e tem a intenção de se manter na principal gestão municipal do país em São Paulo.
Há várias análises sobre essas eleições apontando para o perigo de se imaginar que a polarização diminuiu, que isso é reflexo das características do pleito municipal. Pode ser. Mas o mero fato de Lula e Bolsonaro terem pouco influenciado no resultado do certame já é algo a ser comemorado.
