Resultado das eleições municipais mostrou que o eleitor fugiu da polarização, mas não encontrou opções genuínas.

O resultado das eleições municipais deste ano mostrou que o radicalismo lula x bolsonaro se arrefeceu. A notícia é boa. Em se tratando de política, quando se entra no jogo da polarização todos perdem.
Neste sentido, o centro sempre será a melhor solução. Quando ele varia da centro-direita para a centro-esquerda e vice-versa é sinal de amadurecimento político, tanto do sistema quanto dos eleitores.
Ao votar assim, o brasileiro confiou no sistema partidário, não em figuras vistas como ‘pais’ ou ‘messias’, das quais deveria se distanciar para seu próprio bem.
O mal é que se esta eleição foi vencida pelo centro, os partidos vencedores não podem ser tidos como ‘de centro’, mas, do centrão.
O centrão é composto por partidos que não possuem ideologia de centro, mas que se adaptam de acordo com as conveniências de momento. Vestem o figurino que melhor lhes cabe em cada situação. Assim, se não foi a esquerda ou a direita as vencedoras destas eleições, também não foi de um centro legítimo.
As eleições comprovaram que o embate entre os poderes continua vigoroso e preocupante. Deixaram claro que o poder do Legislativo, ao transferir dinheiro para as prefeituras, acabou por influenciar o resultado. O espólio de Arthur Lira (PP) vai perdurar ainda por um bom tempo.
A convergência pelo nome de Hugo Motta (Republicanos – PB) deixa clara a influência de Lira e, por conseguinte, do centrão, que deve permanecer forte e unido para defender seus interesses paroquiais.
O eleitor evitou a polarização, mas ainda não encontrou um caminho de centro digno do nome.
