Vitória acachapante de Trump nos Estados Unidos demonstra que eleitor coloca seus interesses imediatos acima dos coletivos.

O maior mérito da democracia é o de respeitar o resultado de uma eleição. O maior perigo que ela enfrenta é quando os eleitores preferem escolher um candidato populista que, investido no poder, passa a conspirar contra esta mesma democracia.
Para um eleitor que conhece bem os seus direitos, como o norte-americano, o fato de já ter passado por este problema e insistir em colocar Donald Trump na presidência daquele país é sinal de que entre os problemas globais que um negacionista pode provocar e o próprio bolso, fica com a segunda opção.
E é diante de um discurso agressivo e imediatista que o movimento da extrema-direita, que andava um tanto enfraquecido, se revigora.
Figuras como as do ex-presidente do Brasil Jair Bolsonaro ou Marine Le Pen, na França, e partidos como o Alternativa para a Alemanha (AfD), e o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), saem fortalecidos. Também governos como o de Javier Milei, na Argentina, bem como de ditadores como Viktor Orbán, da Hungria encontram um cenário mais favorável internacionalmente.
Olhando para o futuro, fica a dúvida. Após esta segunda chance, Trump não poderá ter uma terceira. Ele retorna com grande poder, dado que o parlamento favorece os Republicanos e a Suprema Corte é conservadora.
Antes, Trump teve a possibilidade de se reeleger. Agora, não mais. Como se manter no poder após este mandato é a questão que desde já incomoda. Um populista não gosta de abandonar o posto. Quem o (re)colocou lá, que responda.
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Especificamente falando de Brasil o impacto mais imediato que um novo mandato de Donald Trump pode proporcionar é o de fomentar a aproximação de nosso país com a China, já que o alinhamento com os EUA por certo vai esfriar.
Xi Jimping está de malas prontas para vir ao Brasil durante o encontro do G20 que aqui se realizará nos dias 18 e 19 de novembro. Pretende voltar ao Oriente com a adesão do Brasil a seu projeto de Cinturão e Rota da Seda para o século XXI. A conferir.
