Ao serem confrontados com a realidade, deputados preferiram ameaçar adiar votações a entregar suas obrigações. Ao final, recuaram.

O STF decidiu em plenário os critérios que devem ser seguidos para que a necessária transparência na liberação de emendas seja efetivada. Diante disto, líderes na Câmara se recusaram a votar pela urgência no projeto do pacote fiscal que o governo encaminhou ao Congresso. Ora, ao menos em tese, são coisas que não se misturam. O pedido de urgência enfim passou com placar apertado, o que indica dificuldades no caminho da proposta do Ministro Haddad.
Um mal-ajambrado projeto de Estado nasceu da Constituição de 1988, quando vários interesses disputavam protagonismo e quando militares procuravam se garantir quanto a possíveis futuras punições. De lá para cá, nada mais se fez do que avanços e retrocessos institucionais que tentam colocar ordem na grande casa chamada Brasil.
A fraqueza do governo Bolsonaro permitiu que o Congresso colocasse seus interesses na frente e passasse a se utilizar de grande parte do orçamento como moeda de troca junto ao eleitor. Isso é antidemocrático na medida em que dá muito poder aos detentores de mandato em detrimento daqueles que irão com eles disputar eleições. O problema maior é que não há muito critério na distribuição do dinheiro público, o que acaba beneficiando aliados e prejudicando opositores.
Agora, diante da determinação do STF para haver um mínimo de transparência na distribuição de emendas, ocorre a retaliação. Fosse em um país com cultura política esses senhores e senhoras não se atreveriam a tanto. Aliás, em um país com maior educação política não estaríamos diante desta crise fiscal, majoritariamente provocada por puro populismo do Executivo. Na verdade, sequer estariam alojados em Brasília às custas do povo.
Como fazer regras que visem o interesse do país e não os interesses daqueles que as criam, executam ou julgam? Enquanto não educarmos politicamente o povo, estaremos enxugando gelo e jogando muito dinheiro fora. Mas, Educação é algo que assusta os que nos governam.
