FORMAÇÃO POLÍTICA

Ainda sobre as emendas

Elmar chegou a ser cogitado para substituir Lira na presidência da Câmara.

Quando Jair Bolsonaro entregou as chaves do cofre do Estado ao Parlamento devia estar mesmo pensando em retomá-la após o Golpe que planejava. Não há outra explicação.

O que os Senhores Deputados estão fazendo com o dinheiro público é um escândalo enorme até para os padrões brasileiros de trato com o erário.

Após o Ministro do STF Flávio Dino tentar colocar ao menos o mínimo de controle na bandalheira das emendas parlamentares, nossos congressistas se organizaram para boicotar o andamento de projetos de lei que andam parados no Senado e na Câmara.

O governo, para fazer o bonde andar, editou portaria na qual suaviza as determinações do Supremo e libera o dinheiro para os parlamentares o destinarem, no fundo, como bem entenderem.

Na Bahia, temos um exemplo de como o dinheiro está sendo tratado. Na última terça-feira, dia 10, a Polícia Federal cumpriu 17 mandados de prisão preventiva relacionados a uma investigação sobre desvio de emendas parlamentares destinadas ao Departamento Nacional de Obras contra as Secas. É bom destacar, porque pode passar desapercebido ao incauto leitor: obras contra a seca — este povo não tem coração!

Entre os detidos, está um primo do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA). É claro que o deputado vai dizer que não tem nada a ver com o caso (e talvez nem o tenha). Mas o fato é que a origem do problema se deu quando o seu primo era secretário executivo da prefeitura de Campo Formoso (BA), então comandada pelo irmão de Elmar, Elmo Nascimento.

Executivo, Legislativo e Judiciário precisam entender-se e definir regras claras de organização e de governança do Estado. Olhando por este prisma, não há como não concluir que ainda estamos na infância daquilo que possa se chamar de uma democracia consolidada.

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