Presidente finalmente aciona seu vice para tentar resolver problemas que ele empurra para debaixo do tapete. O problema é que quando fala, coloca tudo a perder.

Esta semana, em visita a Minas Gerais, o presidente Lula confirmou o seu jeito de fazer política — agredir. Também mandou um recado para Trump, mandando-o “falar manso”.
Em Minas, coube a Geraldo Alckmin (PSB) tentar acalmar o clima entre o presidente Lula e o governador do estado Romeu Zema (Novo). E enquanto manda recados para Trump, quem trabalha mesmo é Alckmin, que foi convocado para negociar com os Estados Unidos sobre as taxações que o presidente de lá quer impor sobre o aço brasileiro.
O caso é que no dia seguinte ao “recado” a taxação sobre o aço começou a valer.
Nos últimos dias, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem acionado o seu vice para conduzir negociações estratégicas em diversas frentes.
Na Reforma Ministerial pela qual ele enxerga uma sobrevida em sua combalida governabilidade, Lula incumbiu Alckmin de dialogar com partidos da base aliada visando uma ampliação da representatividade política no governo. Essas conversas buscam acomodar diferentes forças políticas na Esplanada dos Ministérios, fortalecendo a coalizão governamental.
Alckmin também anunciou a sanção presidencial a um projeto que incentiva a indústria a renovar seu parque de máquinas e equipamentos. Com investimentos de R$ 3,4 bilhões nos próximos dois anos, a iniciativa pretende aumentar a produtividade e a eficiência energética do setor industrial brasileiro.
E em meio a tensões comerciais com os Estados Unidos, especialmente relacionadas às tarifas sobre aço e alumínio, Alckmin tem atuado como intermediário nas negociações. Se as coisas já são difíceis, as bravatas de Lula só atrapalham.
Essas ações refletem a confiança de Lula em Alckmin para conduzir negociações complexas e estratégicas, visando o fortalecimento político interno e a defesa dos interesses nacionais no cenário internacional.
Se Lula deu um passo certo ao se aproximar do antigo tucano, só agora que as coisas estão degringolando resolveu acioná-lo de maneira mais assertiva. Mas se demorou — para o bem do Brasil, Lula deveria se aposentar.
