Réu, Bolsonaro tenta sustentar que propunha apenas mudanças na Constituição. Porém, estas mudanças eram exatamente para fazê-la perecer.

O agora deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL), disse, em 2018 que “Se quiser fechar o STF, sabe o que você faz? Não manda nem um jipe. Manda um soldado e um cabo. Não é querer desmerecer o soldado e o cabo”.
Pouco tempo depois o pai foi eleito presidente da república e no posto maior do executivo nacional se empenhou em atacar a democracia. Ao sair do governo, Jair Bolsonaro esticou a corda do golpismo, refugiou-se nos Estados Unidos e aguardou os acontecimentos para retornar triunfante — não deu.
Assistir agora Bolsonaro ser acusado de golpismo e ver seus seguidores reclamarem de perseguição política é assistir ao filme pastelão de mesmo enredo: quando Lula, condenado, foi levado à prisão também vozes gritaram alegando perseguição política.
O país está preso a duas figuras que precisam desocupar o espaço para que novas lideranças surjam — de preferência vinculadas a grupos que tenham algo a apresentar ao país que não seja um mero projeto privado de poder.
Nos próximos meses, novamente, seremos inundados com notícias sobre o progresso do caso cujo resultado já conhecemos. Nossa justiça anda seletiva e nossa democracia desce os degraus que a rebaixam diante de qualquer democracia plena que exista por aí.
Sem candidatos, sem partidos políticos dignos de nome, sem uma Justiça com “J” maiúsculo e com um legislativo que abocanha o orçamento sem prestar contas a ninguém, o pobre do cidadão anda choramingando até pelo futebol apresentado pela Seleção.
Desta vez, coube ao cinema nos lembrar por que ainda vale acreditar. Ao assistir ao filme vencedor do Oscar — se é que um dia o fará — Bolsonaro talvez perceba o quanto sua trajetória se distancia dos valores democráticos que a obra retrata com sensibilidade e coragem. Mas é provável que não assista. E, nesse caso, os democratas agradecem.
