Itália endurece os critérios para a obtenção da cidadania daquele país e a restringe aos filhos e netos de italianos, excluindo os bisnetos numa atitude, no mínimo, antipática.

No final do século XIX a Europa se encontrava em frangalhos. Foi naquele momento que milhões de europeus migraram para a América em busca de oportunidades. No Brasil, por exemplo, vieram tomar a oportunidade dos negros que foram trazidos forçados como escravos, agora libertos e deixados ao Deus dará. Foi neste exato momento em que o Estado brasileiro lhes sonegou o futuro que ainda hoje buscam.
Após décadas e décadas de exploração e duas grandes guerras mundiais, o continente europeu goza hoje de um ótimo padrão de vida. Estes migrantes contribuíram significativamente para o padrão de vida atual lá, uma vez que as economias periféricas sustentam as centrais.
Remontando ao passado, o jus sanguinis foi estabelecido pelo Império Romano para identificar como romano aqueles nascidos de romano. Foi assim que se transformou boa parte do mundo antigo em território daquele império que um dia, enfim, caiu.
Milhões de pessoas hoje são potenciais italianos, especialmente no Brasil, Argentina e nos Estados Unidos. Brasileiros e argentinos são interessados nesta segunda naturalidade porque ela abre as portas da comunidade europeia.
Mas o governo italiano pretende, por decreto, limitar o uso deste direito apenas até aos netos de italiano. Ou seja, uma geração que praticamente está no fim quando se pensa que a onda migratória se findou ainda nas primeiras décadas do XX. Uma atitude que demonstra como os sul-americanos são vistos pelos europeus.
Poderia o governo italiano ter ido por outro caminho. Dados recentes mostram que a população da Itália diminui perigosamente, tornando o sistema de previdência uma bomba relógio que tem hora para explodir.
Seria muito mais inteligente que o governo passasse a tributar o italiano não residente. Obrigue ao pagamento de 100 euros por mês e a trinta e tantos anos de contribuição para a obtenção de aposentadoria e resolveria dois grandes problemas de uma só vez. Fala-se em “manter laços com o país”. Tristemente, na sociedade global atual, não há laço maior do que o bolso.
