É preciso avançar em temas urgentes, como a conclusão da reforma tributária, o enfrentamento da reforma administrativa e os desdobramentos do problema global agravado por Donald Trump.

Alguém já chamou o Brasil de “O país dos golpes”. Na verdade, habitamos o “país das anistias”, sejam elas explícitas ou implícitas, como a que foi concedida a Lula da Silva para que deixasse a cadeia para ocupar a cadeira da presidência da república. Isso é muito pernicioso para a política porque cria a sensação de que se hoje estou em apuros, amanhã poderei estar com a caneta do poder nas mãos novamente — basta saber jogar.
A começar pela Lei da Anistia de 1979, que, a despeito de recepcionar novamente aqueles que lutaram contra o regime militar, acabou por conceder o mesmo benefício àqueles que atentaram contra a dignidade e a própria vida humana — anistias passam a ideia de impunidade, isto é, a lei exite mas será deixada de lado.
Agora vozes gritam por anistia àqueles que, enfurecidos, invadiram a praça dos Três Poderes em Brasília numa tentativa de derrubar a ordem institucional constituída. É verdade que enquanto massa de manobra, penas muito severas estão sendo aplicadas e isso atenta contra o princípio da proporcionalidade. Estavam mesmo querendo aplicar um golpe de Estado ou eram os seus mandantes e financiadores que o estavam?
Quem depredou, ainda que envolvido pelo calor do momento, deve pagar por seus atos. Já aqueles que orquestraram a baderna, estes, sim, devem ser punidos com mais rigor. O Estado Democrático de Direito é um patrimônio conquistado a duras penas pelo cidadão de bem do país e quem pensa em acomodar seus interesses ao regime político da ocasião deve saber que pagará por isso.
Se há alguns defeitos em nosso sistema é porque uma democracia necessita de tempo para maturação — trata-se de algo que se constrói e que deve ser aculturado. Quem não aceita repartir as riquezas do país passa a se valer de um discurso raso e fácil de que o Brasil sempre carece de algum messias para o salvar. Balela.
O que precisamos é de educação de qualidade, para que o povo não sirva de massa de manobra nas mãos de alguns mal-intencionados. O que este país precisa é de tempo para amadurecer a sua democracia.
