Seria alvissareiro se Lula e Bolsonaro não estivessem no próximo pleito. Como não aceitam desistir, cabe ao eleitor alertar os partidos.

Pesquisa Genial/Quaest, divulgada dias atrás, indica que mais de 60% dos eleitores não querem ver a foto de Lula (PT) ou de Bolsonaro (PL) na urna eletrônica do próximo ano. Isso abre caminho para que novas propostas surjam. Tivessem com o juízo perfeito, cada qual em seu espectro buscaria de imediato um nome para apoiar.
Lula tem Fernando Haddad (PT) ou o próprio Geraldo Alckmin (PSB). Já no campo da direita, Bolsonaro poderia considerar Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil), Ratinho Júnior (PSD) ou mesmo Romeu Zema (Novo). São especulações. Porém, carecem de grandeza política para isso. Ambos se veem imbatíveis, o que reforça suas posições.
Por outro lado, se nossos partidos cumprissem com sua nobre função no processo, tudo poderia estar mais claro e o ambiente menos poluído. Porém, o quê esperar de PT ou PL? Aliás, nosso partidos, em geral, fazem um cálculo que não prevê qualquer benefício para a sociedade. O cálculo é o do jogo político, de saber quem tem mais chances de convencer o eleitorado para abocanharem poder.
O eleitor, ao contrário do que reza a lenda, sabe votar. O que lhe falta são opções porque são os partidos que oferecem o menu. Se os partidos ouvirem o recado da pesquisa, poderão repensar suas posições. A alta rejeição à presença de Lula e Bolsonaro neste ano que antecede o pleito, pode despertar-lhes o instinto.
O ex-presidente Michel Temer tem procurado criar condições para que, ao menos a direita se organize a fim de apontar um único candidato. Como Bolsonaro está impedido, pode funcionar. O problema é que Bolsonaro parece ter força suficiente para inviabilizar a proposta, pensando em salvar sua própria pele e apontando, por exemplo, sua mulher como vice-presidente seja em que chapa for. Outro problema é que os possíveis presidenciáveis não querem renunciar à chance que lhes apareceu. Nesse caso, nem a habilidade de Temer pode aparar essas arestas.
Em verdade, cabe aos partidos essa decisão. A sobrevivência política pode sensibilizar os caciques da política de que é hora de mudança. O país precisa respirar novos ares.
