Ao atacar governadores que despontam como alternativas à direita para 2026, a família Bolsonaro deixa claro: o objetivo não é o país — é salvar a própria pele.

A política brasileira parece presa em um círculo vicioso de personalismo e populismo. Em vez de se posicionar em torno de projetos nacionais, ideias ou estratégias de desenvolvimento, ainda giramos em torno de nomes, rixas e disputas de poder que nada têm a ver com o interesse coletivo. A mais recente ofensiva da família Bolsonaro contra figuras como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Romeu Zema (Novo), governadores bem avaliados que poderiam representar uma nova direita no Brasil, é prova disso. Para o bolsonarismo, qualquer alternativa à direita que não se ajoelhe diante do clã precisa ser sabotada.
Enquanto isso, Lula (PT) tentar viabilizar um novo mandato, mesmo aos quase 80 anos. A insistência revela tanto apego ao poder quanto falta de planejamento sucessório dentro do próprio campo progressista. Ao se agarrar ao protagonismo pessoal, Lula reforça o antagonismo que mantém Bolsonaro (PL) vivo no imaginário de parte do eleitorado.
Essa polarização tóxica favorece apenas aos extremos — e paralisa o país. O resultado é um Brasil fragmentado, onde a agenda nacional é constantemente sequestrada por disputas eleitorais prematuras e por estratégias que têm mais a ver com a sobrevivência política de indivíduos do que com o futuro da nação.
No meio disso tudo, temos também pressões externas. A recente ofensiva de Donald Trump, por exemplo, com medidas econômicas contra o Brasil e a Índia, tem mais a ver com a tentativa de conter o avanço dos BRICS do que com simpatias ou antipatias ideológicas locais. Mas, internamente, seguimos tratando tudo como extensão de nossas rivalidades domésticas — quando, na verdade, o país está sendo usado como peça num jogo geopolítico maior.
É hora de virar a página, abrir espaço para lideranças que pensem o país além do personalismo e do populismo. Que saibam lidar com os desafios internos e externos com maturidade, profissionalismo e compromisso com o bem público. Lula e Bolsonaro não cumprem esse papel.
