Ao prometer indulto, governador sinaliza alinhamento com o que o país rejeitou.

Se há uma coisa que Lula parece não entender, é que sua vitória em 2022 não se deu por aclamação popular, mas por rejeição a Bolsonaro. O eleitor preferiu arriscar-se com um passado já conhecido do que insistir no presente autoritário do então presidente.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) poderia se assenhorar de um eleitorado que anda em busca de uma opção menos estridente mas, ao tentar se posicionar como herdeiro do bolsonarismo, corre o risco de naufragar. Ao prometer indulto a Bolsonaro como “primeiro ato de governo”, Tarcísio não só joga com os extremos, como desconsidera o que a maioria do eleitorado brasileiro sinalizou nas urnas: não há espaço para aventuras autoritárias.
O barulho da militância radical nas redes sociais não é sinônimo de capital eleitoral. O Brasil real, que paga imposto, enfrenta filas na saúde e deseja estabilidade institucional, tem outras prioridades. Tentar agradar um nicho pode custar caro para quem almeja governar o país.
Tarcísio governa o maior estado do Brasil. Tem, nas mãos, a oportunidade de construir uma imagem de gestor técnico e moderado — o oposto do ruído ideológico que marcou os últimos anos da política nacional. Exibir resultados, investir em diálogo e buscar o centro político são estratégias mais eficazes do que repetir gestos que já fracassaram.
Há, no eleitorado, muitos decepcionados com o governo Lula. Mas decepção ainda é diferente de risco. E o risco à democracia ainda pesa muito na balança do voto.
Tarcísio ainda tem tempo de corrigir o rumo. Basta deixar de mirar no espelho retrovisor — e começar a olhar para a frente.
