FORMAÇÃO POLÍTICA

O teatro dos ‘patriotas’

Uma imagem inacreditável, mas real

No dia da Independência do Brasil, a cena de uma bandeira americana tremulando em plena Avenida Paulista chocou — ou deveria chocar. A imagem, impensável em qualquer país que se respeite, não é um simples ato de provocação: é o reflexo de uma política dominada por personalismos, radicalismo e culto a figuras, seja locais ou estrangeiras. 

É uma parte do Brasil rendendo homenagens aos EUA de Trump, mesmo diante do roubo de empregos e riqueza, concretizado pelo tarifaço de 50% imposto a todos nós. A pátria dos “patriotas” agora celebra símbolos que não são seus — justamente no dia em que se comemora a ruptura com a dominação externa. Um contrassenso alimentado por uma gente que confunde soberania com submissão, democracia com idolatria. 

Esse tipo de manifestação revela uma crença perigosa: a de que o Brasil não pode caminhar com as próprias pernas. Uns, por complexo de inferioridade, acreditam que só os estrangeiros sabem o que fazer. Outros, mais cínicos, instrumentalizam esse discurso para abrir caminho à entrega dos nossos recursos — econômicos, simbólicos e políticos. Isso vem de longa data. 

A bandeira na Paulista, portanto, não é só um tecido ao vento. É um alerta. Há quem esteja disposto a negociar até o sentido de pátria para manter o próprio projeto de poder. E, diante disso, cabe ao verdadeiro patriota fazer a pergunta essencial: a que serve esse teatro? 

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