Senado conclui segunda etapa de regulamentação da Reforma Tributária, que agora retorna à Câmara.

O Senado Federal fez sua parte e manteve o imposto seletivo sobre os veículos, isto é, uma alíquota maior no tributo sobre o consumo na compra de automóveis. A indústria automobilística tem de entender que já não é o que foi nos tempos passados. Melhor que isso só incentivando mais e mais o transporte público.
Hoje, nas grandes cidades brasileiras, o carro particular, que já foi signo de status, tem se tornado sinônimo de ineficiência urbana. O excesso de veículos entope ruas e avenidas, compromete a mobilidade, polui o ar e consome tempo de trabalho e convivência. O custo disso — social, ambiental e econômico — não é baixo.
A Reforma Tributária tem a chance histórica de reverter essa lógica perversa. Ao desestimular o consumo de veículos individuais por meio do imposto seletivo, ela aponta para um modelo de cidade mais sustentável e inteligente.
Mas é cedo para comemorar pois o assunto será reanalisado pela Câmara e é ali que os lobbies atuam com mais vigor.
O Brasil precisa investir em transporte público de qualidade, seguro, limpo e eficiente. Precisa também de políticas urbanas integradas, que priorizem o pedestre, a bicicleta, os ônibus e os trens. E, sobretudo, precisa abandonar a mentalidade rodoviarista que dominou a política brasileira por décadas.
Não se trata de negar a importância do carro — ele tem seu lugar. Trata-se de reconhecer que, no modelo atual, ele tem ocupado o espaço de todos. E isso tem que mudar.
