Política é feita com homens de confiança ao lado, mas há cargos que não devem ser tratados como cargos políticos.

Quando Lula escolheu Joaquim Barbosa para ocupar uma cadeira no STF o fato foi comemorado porque um negro finalmente fora escolhido para um posto cujo colegiado só tem pessoas brancas.
A atuação de Joaquim Barbosa, na condução do caso que ficou conhecido como “mensalão” assustou Lula. O ministro simplesmente tomou decisões fundamentais para o país, mas contra os interesses de quem o havia indicado para o cargo.
Mais tarde, quando Lula estava prestes a ter sua prisão decretada, a então presidente Dilma Rousseff tentou garantir-lhe um “salvo-conduto” por meio de uma nomeação ministerial, que lhe conferiria foro privilegiado e, portanto, imunidade temporária. O plano, porém, naufragou após a interceptação e divulgação de uma conversa telefônica entre os dois, na qual Dilma informava que enviaria o termo de posse para ser usado “em caso de necessidade”. O episódio, à época, causou enorme escândalo e expôs de forma contundente os limites entre lealdade política e afronta às instituições.
Agora, Lula está propenso a indicar para o Supremo o atual AGU Jorge Messias, por acaso a mesma pessoa designada para socorrer Lula naquela ocasião. Quem não se lembrado “Bessias”?
Um presidente que se diz amante da diversidade deveria escutar mais o clamor do povo por uma mulher negra no Supremo. Isso que acabou de acontecer na Academia Brasileira de Letras, poderia se repetir na Corte maior do país. Nossa Nação é multifacetada e a representatividade é um dos maiores bens da democracia.
Um bom nome poderia ser o da advogada Vera Lúcia Santana Araújo, com trajetória reconhecida na promoção de direitos humanos e igualdade racial, e que desde 2023 ocupa cargo de ministra-substituta no Tribunal Superior Eleitoral.
Lula passa longe disso, mas deveria repensar sua posição. Isso porque existe um risco no caminho de Messias. Quem indica um nome para o Supremo é o presidente, mas quem o ratifica é o Senado e ali, a preferência é por Rodrigo Pacheco. Um nome fora da órbita política e que atenda a uma demanda social cairia melhor. Mas Lula não parece se sensibilizar com isso.
