Lula se equivoca ao dizer que a América Latina e o Caribe são regiões da paz quando a miséria, o esquecimento social e a violência são marcas históricas da região.

Em recente pronunciamento, tentando atingir os EUA, nosso presidente disse que a região da qual ele comanda o principal país é uma região afeta à paz. Algo como dizer que a presença dos Estados Unidos por aqui é sinal de guerra.
Mas paz verdadeira não é apenas ausência de guerras entre países, mas a presença de justiça, dignidade e oportunidades — bens que sustentam uma vida em paz.
Ao se curvar aos interesses das elites globais, a América Latina e o Caribe se mantiveram longe de intervenções diretas dos países centrais, mas isso teve um preço alto: a dependência econômica e a entrega de suas riquezas naturais e humanas. Assim, nações que poderiam exercer protagonismo internacional — como Brasil, Argentina e México — continuam relegadas à condição de periferia na geopolítica mundial. Somos os “pobres úteis”.
É legítimo, portanto, perguntar a qual “paz” Lula se refere. A paz das estatísticas diplomáticas ou a paz concreta que falta nas ruas do Rio de Janeiro e outras grandes cidades do Brasil. O Rio, nossa principal vitrine, foi palco recentemente de cenas que envergonham o país diante do mundo.
A verdadeira paz não se constrói com discursos, mas com políticas públicas que enfrentem a desigualdade estrutural, garantam segurança cotidiana e promovam justiça social. Enquanto essas feridas permanecerem abertas, afirmar que vivemos em uma “região da paz” é mais fantasia retórica do que realidade palpável.
