Palavras do chanceler alemão deixa clara a posição dos países centrais quando se apresenta a conta por suas ações passadas.

Ao se explicar a empresários de seu país o porquê de ter ficado tão pouco na COP-30, o chanceler alemão Friederich Merz alegou que este era o desejo, inclusive, dos jornalistas que o acompanhavam. A justificativa soa confortável demais para um encontro que reuniu dezenas de chefes de Estado em torno do maior desafio da nossa época: o colapso climático e a preservação das florestas tropicais.
A permanência de apenas algumas horas em Belém pode não ser apenas um detalhe de agenda — pode ser um sintoma.
Desde o anúncio do Tropical Forests Forever Facility (TFFF), o novo mecanismo internacional criado para financiar proteção e recuperação das florestas, muito se falou sobre o apoio político dos países ricos. Mas, quando se passa do discurso para os números, a disposição muda de tom. A Noruega logo se comprometeu mas a Alemanha, de início, se esquivou.
Não é difícil ver um elo entre a “visita-relâmpago” e a hesitação alemã em assumir compromissos financeiros concretos. O TFFF exige aportes bilionários para que o mundo possa, de fato, virar a chave. No entanto, como sempre ocorre, quando a conversa chega às responsabilidades históricas — emissões acumuladas, industrialização baseada em carvão, riqueza construída à custa de recursos naturais do Sul Global — instala-se um súbito mal-estar diplomático.
A pressa de Merz talvez revele mais que sua explicação. O desconforto em permanecer em Belém pode ter sido o desconforto de encarar uma demanda legítima: a de que quem poluiu mais e lucrou mais também deve contribuir mais. Uma verdade simples, porém incômoda para quem há décadas administra as vantagens da posição geopolítica privilegiada.
Mas como de tudo se pode tirar algo de positivo, o dinheiro enfim saiu. Por certo, como forma de minorar o mal jeito.
