Lula afirma ter dado um grande presente ao brasileiro, mas se esquece de dizer que ele se deteriora ano a ano.

Promessa de campanha, o governo ampliou a isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para salários de até 5 mil reais, além de diminuir o imposto aos que ficam na faixa dos R$ 5.000 até R$ 7.350 mensais. Todavia, o presidente omite que, na prática, o benefício pode se deteriorar com o tempo.
É que a lei resultante não vincula esse patamar a nada. Em outras palavras, trata-se de um valor fixo, sujeito à “boa vontade” política e não a uma atualização automática. Aliás, a questão da tabela de deduções do Imposto de Renda — especialmente no item educação — que está desatualizada desde 1995, mostra o que isto representa: um aumento indireto do imposto a cada ano.
Desta maneira, ao propalar benevolência, o que faz Lula é valer-se de uma estratagema. A rigor, este valor de 5 mil (que, diante da previsão para 2026 equivale a 3,07 salários-mínimos) pode ficar congelado por anos, como é o caso da tabela de descontos. Neste caso, pode-se concluir que, na prática, a isenção passou de 2 para 3 salários mínimos, mas isso não está garantido.
Mais honesto seria vincular a isenção a 3 salários-mínimos, mas o poder de ajudar (ou não) o cidadão, esse o governo não quer largar.
Portanto, ao contrário de um “presente permanente”, o que se vê é uma medida modesta — útil para alguns agora, mas incapaz de garantir proteção estrutural aos contribuintes no futuro. Esse “presente” tem prazo e condições. Ele depende da generosidade de quem detém o poder, não de um critério de justiça fiscal e social.
