Proximidade com o poder traz semelhanças entre Lava Jato e caso Master. A grave novidade é que este caso envolve, ao que parece, também o STF.

Quando começaram a aparecer na imprensa os primeiros sinais de que algo andava errado na transação envolvendo a venda de ativos do Banco Master para o Banco de Brasília (BRB), a sensação era de déjà-vu. Tudo indicava que estávamos, mais uma vez, diante de um grande escândalo — daqueles que o Brasil enfrenta de tempos em tempos e que, quando chegam ao limite do insuportável, acabam estourando para depois, ao final, dar-se um jeito de se fazer acabar.
À medida que o caso avança, novas informações vão surgindo e passam a comprometer, inclusive, o governo Lula. Há registros de que Vorcaro, pivô do escândalo, teria frequentado o Palácio do Planalto entre 2023 e 2024. Diante desse cenário, torna-se difícil imaginar que o caso não avance também sobre o Legislativo.
Sempre dá para piorar. O final triste e inacreditável da Lava Jato, em que um representante da Justiça acabou se transformando no vilão da própria história, diz muito sobre como as coisas funcionam “no andar de cima”. A promessa de moralização cedeu lugar ao personalismo, à politização e à erosão institucional. E veja que na Lava Jato as construtoras construíam algo, aqui apenas se especula dinheiro.
É bom lembrar que o que está acontecendo é o reflexo exato de como as coisas se dão neste país. Não tem a ver com a ideia fácil de que o brasileiro é “malandro” ou de que tudo se resolve no jeitinho. Essa leitura serve apenas para desviar o foco.
Os brasileiros que operam esse sistema não são aqueles que acordam cedo para trabalhar ou que dependem de algum auxílio para garantir um mínimo de dignidade. Ainda assim, é justamente a esses brasileiros que parte da nossa classe média insiste em olhar com desconfiança.
É essa mesma classe média, consumidora acrítica desses discursos, que acaba sustentando este estado de coisas. Enquanto continuar comprando essa narrativa, seguirá colaborando para que os que de fato espoliam o país continuem a fazê-lo — incólumes, no conforto de um barco de luxo.
