Lula parece disposto a rifar aliados em nome de um projeto pessoal de poder. Entre eles, Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Simone Tebet.

Voltemos a 2022. Jair Bolsonaro surgia como forte candidato à reeleição, com uma agenda que muitos viam como ameaça à estabilidade democrática. Diante desse cenário, formou-se uma aliança até então improvável: Lula e Geraldo Alckmin, adversários históricos, uniram-se para enfrentar o bolsonarismo. Alckmin deixou o PSDB — partido que ajudou a construir — para compor a chapa. A vitória veio.
Mas Lula não venceu por si. Venceu porque parte expressiva do eleitorado queria encerrar o momento Bolsonaro. Venceu também porque contou com a moderação e a credibilidade institucional de Alckmin (PSB), fator decisivo para ampliar sua base eleitoral. De se lembrar que, enquanto vice presidente foi fiel ao cargo, não levando Lula a nenhum problema, senão colaborando na solução.
Avancemos para 2026. Lula sinaliza disposição de disputar novamente a Presidência, apesar das resistências naturais que a idade e o cenário político impõem. Age como se a candidatura fosse um dado consumado. O gesto de associar seu nome a uma escola de samba recém-chegada ao grupo especial do Rio de Janeiro revela confiança — talvez excessiva — e pouco cálculo político. Convém lembrar que o Tribunal Superior Eleitoral deverá estar sob a presidência de Nunes Marques, ministro indicado por Bolsonaro ao Supremo. Haverá turbulências no caminho.
Repete-se um padrão conhecido: Lula invoca a democracia como valor absoluto quando lhe convém, mas não hesita em subordinar alianças e compromissos à conveniência do momento. A história política ensina que soberba e ingratidão costumam ter preço.
Enquanto isso, no tabuleiro nacional, outros nomes se movimentam. Romeu Zema (Novo) construiu em Minas Gerais uma trajetória improvável: saiu de menos de 5% nas pesquisas para vencer com ampla margem — mais de 70% na primeira vez que foi eleito. A política brasileira é fértil em viradas inesperadas. Talvez Lula não saiba que o bom mineiro costuma comer pelas beiradas.
