EUA avaliam classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. O fato incômodo é que, sob muitos aspectos, essas facções já se comportam como tal.

O crime organizado avançou de forma significativa no Brasil nas últimas décadas. Embora suas raízes sejam mais antigas, remontando ainda ao período da ditadura militar — quando, nas prisões da Ilha Grande, a convivência entre criminosos comuns e presos políticos ajudou a moldar o surgimento do Comando Vermelho — o fenômeno ganhou escala nacional a partir dos anos 1990 e início dos anos 2000.
Foi nesse contexto que surgiu o PCC, fundado em presídios paulistas e que demonstrou sua capacidade de articulação nas rebeliões simultâneas que paralisaram o sistema prisional de São Paulo no início do século. Desde então, o problema apenas se agravou. Vale lembrar que, nesse período, o estado paulista foi governado por sucessivas administrações do PSDB, entre elas a de Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente da República.
A expansão dessas facções acabou estimulando o surgimento de outros grupos criminosos e consolidou um cenário em que organizações do crime passaram a controlar territórios inteiros, dentro e fora dos presídios. Em diversas regiões metropolitanas brasileiras, a presença do chamado “estado paralelo” tornou-se realidade cotidiana.
Agora, por razões que misturam segurança e oportunismo político, o presidente americano Donald Trump sinaliza a possibilidade de classificar essas organizações como terroristas. A medida ainda não foi confirmada, mas já provoca forte reação do governo brasileiro, preocupado com eventuais implicações sobre a soberania nacional.
É difícil negar que essas facções já ultrapassaram há muito tempo as fronteiras do país. Elas operam redes de tráfico internacionais, movimentam grandes volumes de recursos ilícitos e mantêm conexões com grupos criminosos em outros continentes e espalham suas garras para dentro das instituições de Estado.
Se os Estados Unidos decidem agir, fazem-no também porque percebem um problema que o Brasil, ao longo de muitos anos e sob diferentes governos, não conseguiu conter de forma eficaz. O avanço do crime organizado tornou-se uma das maiores fragilidades do Estado brasileiro.
Diante desse cenário, não surpreende que Washington volte seus olhos para o país. Em vinte anos de poder, o PT só fez por agravar a situação. Caso o tema chegue à mesa de uma reunião entre Donald Trump e Lula, haverá muito a ser discutido. E, desta vez, a diplomacia talvez precise falar mais alto que uma suposta química pessoal entre líderes.
