A sociedade carioca paga muito caro pela política que tolera. O Rio de Janeiro é um caso emblemático que demonstra para quem a conta vai.

Arranjos políticos, manobras institucionais e a ausência de responsabilização efetiva impactam diretamente a vida cotidiana da população do Estado cuja capital é a vitrine do Brasil.
O episódio desta semana apenas confirma um roteiro já conhecido. Diante de um processo longo, desgastante e cujo desfecho já estava definido, o governador Cláudio Castro (PL) optou por deixar o cargo para, segundo ele, pleitear um cargo no Senado Federal, o que o TSE já negou.
A chamada “descompatibilização” surge como um eufemismo conveniente: troca-se uma condenação pela tentativa de reinvenção eleitoral. O gesto não é novo, tampouco surpreendente. A história política recente oferece exemplos claros desse expediente. Fernando Collor, às portas de seu impeachment, renunciou minutos antes da votação final. A manobra não impediu sua posterior volta à vida pública.
No Rio de Janeiro, porém, a política tem se tornado um problema crônico. A sucessão de governadores envolvidos em escândalos ou diretamente atingidos pela Justiça transformou-se quase em regra. Sérgio Cabral foi preso e condenado em múltiplos processos de corrupção. Luiz Fernando Pezão, seu sucessor, também foi preso. Anthony Garotinho enfrentou sucessivas investigações e detenções ao longo de sua trajetória política. Wilson Witzel sofreu impeachment e foi afastado do cargo. Aliás, Castro é cria de Witzel.
Não se trata, portanto, de um episódio isolado, mas de um padrão persistente. A cada novo caso, repete-se o mesmo enredo: denúncias, processos, estratégias de sobrevivência política e, muitas vezes, tentativas de retorno ao poder.
Nem sempre, porém, tais estratégias encontram acolhida nas urnas. Dilma Rousseff, após ser retirada da Presidência, tentou eleger-se senadora por Minas Gerais e foi rejeitada. Ali, o eleitorado impôs um limite claro entre a sobrevivência política e a responsabilização.
Caso o ex-governador consiga virar o jogo (o que não é de se duvidar) e concorra ao Senado, caberá ao eleitor carioca dar a sentença final. Já passou da hora do povo do Rio de Janeiro romper com um padrão que há muito penaliza o estado.
