FORMAÇÃO POLÍTICA

No atoleiro

Bolsonaro não apoia ninguém.

A política brasileira parece presa em um círculo vicioso de personalismo e populismo. Em vez de se posicionar em torno de projetos nacionais, ideias ou estratégias de desenvolvimento, ainda giramos em torno de nomes, rixas e disputas de poder que nada têm a ver com o interesse coletivo. A mais recente ofensiva da família Bolsonaro contra figuras como Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Romeu Zema (Novo), governadores bem avaliados que poderiam representar uma nova direita no Brasil, é prova disso. Para o bolsonarismo, qualquer alternativa à direita que não se ajoelhe diante do clã precisa ser sabotada.

Enquanto isso, Lula (PT) tentar viabilizar um novo mandato, mesmo aos quase 80 anos. A insistência revela tanto apego ao poder quanto falta de planejamento sucessório dentro do próprio campo progressista. Ao se agarrar ao protagonismo pessoal, Lula reforça o antagonismo que mantém Bolsonaro (PL) vivo no imaginário de parte do eleitorado.

Essa polarização tóxica favorece apenas aos extremos — e paralisa o país. O resultado é um Brasil fragmentado, onde a agenda nacional é constantemente sequestrada por disputas eleitorais prematuras e por estratégias que têm mais a ver com a sobrevivência política de indivíduos do que com o futuro da nação.

No meio disso tudo, temos também pressões externas. A recente ofensiva de Donald Trump, por exemplo, com medidas econômicas contra o Brasil e a Índia, tem mais a ver com a tentativa de conter o avanço dos BRICS do que com simpatias ou antipatias ideológicas locais. Mas, internamente, seguimos tratando tudo como extensão de nossas rivalidades domésticas — quando, na verdade, o país está sendo usado como peça num jogo geopolítico maior.

É hora de virar a página, abrir espaço para lideranças que pensem o país além do personalismo e do populismo. Que saibam lidar com os desafios internos e externos com maturidade, profissionalismo e compromisso com o bem público. Lula e Bolsonaro não cumprem esse papel.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Incoerência à brasileira

Proteção mínima contra abusos será retirada.

O brasileiro recebe, segundo dados do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), algo em torno de 1 bilhão de chamadas de telemarketing por mês. Isso mesmo depois de 2022, quando a Anatel passou a exigir que empresas que disparam mais de 500 mil chamadas/mês utilizassem o prefixo 0303.

Agora, a mesma Anatel diz que vai revogar a determinação do uso do prefixo específico para essas empresas sob o argumento de que o consumidor não estava atendendo às chamadas. Ora, o objetivo não era dar esta opção ao consumidor?

A revogação revela, no fundo, a inversão de prioridades: ao invés de proteger o cidadão, protege-se o mercado — neste caso, um setor que muito incomoda a população brasileira. Ao ceder à pressão das empresas, a agência ignora seu papel regulador e escancara sua submissão a interesses privados.

Se o consumidor estava rejeitando as chamadas, é porque finalmente tinha um instrumento mínimo de defesa. Retirar esse direito é condená-lo à enxurrada de ligações indesejadas, invasivas e, muitas vezes, abusivas.

Em vez de revogar o prefixo, a Anatel deveria reforçar sua fiscalização, multar quem descumpre as regras e ampliar a proteção ao usuário. O que está em jogo aqui é o respeito à privacidade do cidadão — e não a taxa de conversão de empresas de telemarketing.

Mais uma vez, uma boa política pública é desfeita por conveniência. Uma incoerência tipicamente brasileira. A solução é revogar a revogação.

FORMAÇÃO POLÍTICA

No centro do redemoinho

Suposta proximidade de Modi a Trump não poupou a Índia de sobretaxas.

Originalmente, Brasil, Rússia, China e Índia formaram o dístico BRIC — um acrônimo que, mais do que uma sigla, passou a representar uma tentativa de reorganização da ordem mundial, agora multipolar. O grupo logo cresceu e firmou o objetivo de fortalecer laços entre economias emergentes e propor uma nova lógica de cooperação internacional.

A recente decisão de Donald Trump de aplicar as mesmas sobretaxas à Índia, que já havia imposto ao Brasil, lança luz sobre o que realmente está por trás de sua ofensiva comercial: Trump via atingir a China — e, por consequência, o BRICS como bloco.

O atual presidente norte-americano, assim como o establishment que o cerca, sabe que não pode isolar a China diretamente sem correr grandes riscos econômicos. Por isso, ataca suas alianças estratégicas. Ao punir o Brasil, sinalizou contra a presença de Lula no cenário global e sua aproximação com Pequim. Agora, ao mirar a Índia por manter relações comerciais com a Rússia, Trump escancara seu verdadeiro objetivo: minar o avanço do BRICS, que tem se consolidado como uma alternativa ao sistema financeiro e diplomático liderado por Washington.

Enquanto no Brasil muitos interpretaram as medidas como uma retaliação ao cerco jurídico enfrentado por Jair Bolsonaro, a sanção contra a Índia desmonta essa tese. Trump não age por lealdade a ex-presidentes ou por afinidade ideológica — age por cálculo geopolítico. Para ele, o mundo é um tabuleiro de negócios, e o BRICS representa uma ameaça comercial, diplomática e simbólica à ordem global que os EUA tentam preservar.

O Brasil precisa entender o jogo com maturidade. Não se trata de uma questão partidária ou de afinidade entre governantes, mas de posicionamento internacional. Não é a hora de comemorar “derrotas” por revanchismo político ou de minimizar os impactos econômicos das medidas adotadas por Trump. É a hora de reforçar a diplomacia, de mostrar firmeza institucional e, sobretudo, de reconhecer o papel estratégico que o Brasil ocupa no cenário global.

A resposta não virá de slogans, mas de uma política externa profissional, coordenada e autônoma. O mundo está mudando — e o BRICS é parte dessa mudança. Cabe ao Brasil decidir se quer ser protagonista ou satélite.

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A política sob Trump

Trump desestabiliza economia global através de sua política de sobretaxas.

A decisão do governo Donald Trump de sobretaxar produtos brasileiros tem sido lida, por muitos, como uma espécie de resposta aos desdobramentos jurídicos que envolvem os problemas que Jair Bolsonaro enfrenta no Supremo. Não é. A verdade é que o presidente dos EUA não age com base na lealdade a aliados, mas por cálculo estratégico, em conformidade com sua maneira peculiar de enxergar governos como fossem empresas — e a atual ofensiva contra o Brasil tem muito mais a ver com os BRICS do que com qualquer tribunal em Brasília. 

Trump nunca aceitou bem o avanço das economias emergentes, sobretudo quando organizadas em blocos que desafiam a ordem global tradicional. E o Brasil, ao lado de China, Rússia e Índia, tem papel importante na articulação de uma nova multipolaridade. A presença de Lula em fóruns internacionais, a reativação da diplomacia em defesa do Sul Global incomodam profundamente a visão trumpista de mundo. 

O que está em jogo, portanto, não é o ex-capitão, mas o país. O Brasil é visto como um ator geopolítico relevante que no momento, está nas mãos da “esquerda” — e, por isso, é alvo. Sobretaxar produtos brasileiros não é retaliação pessoal, é tentativa de desestabilizar um elo importante de um bloco que ameaça o domínio econômico do Ocidente. 

O problema é que, internamente, seguimos tratando política externa como disputa doméstica. Enquanto alguns comemoram o revés como se fosse um castigo imposto ao país por tentar enquadrar Bolsonaro, esquecemos o essencial: quem perde é o Brasil. 

De se observar que o único mérito de Lula nessa história é ter deixado seu vice, Alckmin, trabalhar. Quanto mais Lula ficar fora deste problema, melhor. Esse é o tipo de situação que pede diplomacia e política de qualidade, eo que falta ao mandatário principal, sobra ao vice.

É hora de maturidade. A resposta a Trump deve ser institucional, coordenada e estratégica — sem gritaria ideológica. Não se trata de romper com os EUA, mas de lembrar que somos uma democracia e que os poderes, portanto, não se misturam. 

A guerra de Trump é contra o que o Brasil representa no cenário global, não contra quem hoje ou ontem o governou. Se não compreendermos isso, continuaremos sendo peões em tabuleiros jogados por outros. 

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Projeto de futuro

Na corrida da vida, a largada deve ser igual para todos.

O Brasil não pode mais adiar a construção de um projeto nacional baseado naquilo que realmente transforma uma sociedade: a educação. É urgente, necessário e viável começar pela base: garantir que o ensino fundamental seja público, gratuito, universal — e, sobretudo, igualitário. 

A Constituição Federal já estabelece que a educação básica é dever do Estado, e que o ensino fundamental deve ser obrigatório e gratuito para todos. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) reforça essa obrigação. Mas a realidade ainda está muito longe da promessa. Há desigualdade profunda entre escolas públicas e privadas. E, pior, entre as próprias escolas públicas, em função de disparidades regionais, de investimento e de gestão. 

Vale esclarecer: nenhum projeto de lei em tramitação propõe o fim da rede privada de ensino fundamental, nem poderia. A Constituição garante a liberdade de iniciativa na educação, desde que respeitadas normas de qualidade e regulação pública. Mas falta fazer o ensino público cumprir sua missão de dar a todos a mesma largada na “corrida da vida”. 

Hoje, o ponto de partida é injusto. Crianças nascem com talentos semelhantes, mas têm destinos radicalmente diferentes, determinado pela sua condição social.

Universalizar um ensino fundamental de qualidade, gratuito e verdadeiramente igualitário não é uma utopia — é uma necessidade. E, mais do que isso, é o caminho mais direto e sustentável para combater desigualdade, ampliar oportunidades, reduzir a violência e melhorar a produtividade nacional. 

Só com um projeto de futuro assim, centrado na educação, deixaremos para trás tristes notícias como a que recentemente circulou, dando conta da possível falta de livros didáticos para o ensino fundamental — um escândalo!

O Brasil não precisa de promessas grandiosas nem de slogans vazios. Precisa de foco. E esse foco deve estar nas salas de aula. 

FORMAÇÃO POLÍTICA

Incentivo errado na hora errada

Transporte público pode diminuir número de carros nas ruas.

O governo federal anunciou recentemente uma nova rodada de incentivos à indústria automobilística, desta vez voltada aos chamados “carros sustentáveis”. A proposta prevê a redução da carga tributária sobre veículos menos poluentes fabricados no Brasil. Mas, na prática, trata-se apenas de mais uma forma de reduzir a carga tributária da indústria automobilística, mantendo a lógica do transporte individual.  

Essa política repete um erro histórico. Desde os anos 1950, quando o país optou pelo modal rodoviário em detrimento do ferroviário, o Brasil passou a depender do transporte sobre pneus — mais caro, mais poluente e menos eficiente. Essa escolha, na época, atendeu a interesses geopolíticos, mas nos deixou um legado de cidades congestionadas, sistemas de transporte público precários e estradas sobrecarregadas.  

Hoje, milhões de brasileiros perdem horas em congestionamentos diários, enquanto o transporte público sofre com a falta de investimentos. No Rio de Janeiro, por exemplo, a prefeitura decidiu reduzir em 20% o número de ônibus em circulação, alegando baixa ocupação fora do horário de pico. Mas o correto seria incentivar seu uso — e não punir o usuário com menos oferta.  

A pergunta que se impõe é: por que não concentrar esforços e subsídios em expandir e qualificar o transporte coletivo nas grandes cidades? Por que não criar condições para que mais pessoas usem metrô, ônibus, bicicletas ou patinetes, como já acontece em tantas capitais do mundo?  

Priorizar o transporte individual revela a falta de visão estratégica de um governo que deveria liderar uma transição urbana inteligente. É preciso repensar as prioridades. Insiste-se em um modelo ultrapassado. O futuro da mobilidade urbana deve ser coletivo, limpo e eficiente.  

Um governo só se justifica quando consegue oferecer segurança, administrar as finanças e pensar estrategicamente. Este que aí está não atende a nenhum desses requisitos. 

FORMAÇÃO POLÍTICA

Poluição visual à vista

Antes da Lei Cidade Limpa, São Paulo era tomada por anúncios.

Pipocam aqui e ali propostas à criação de Times Squares em cidades brasileiras. São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba e Balneário Camboriú estão debatendo o assunto. 

Como as coisas que funcionam no Brasil são pouco valorizadas, o projeto que livrou a cidade de São Paulo da poluição visual, desde 2006, não é suficientemente defendido. 

A Times Square, em Nova York, é um exemplo emblemático de um modelo urbano voltado ao consumo e à saturação visual. Faz sentido em um país cuja cultura de mercado moldou boa parte da experiência urbana.  

Mas importar esse modelo sem reflexão crítica é ignorar que cada cidade tem sua própria identidade — e que poluição visual não é sinônimo de modernidade. A experiência paulistana com a Lei Cidade Limpa provou o contrário: menos propaganda pode significar mais qualidade de vida. Em vez de reproduzir vitrines publicitárias gigantescas, faz mais sentido continuar investindo no retrofit de prédios históricos do centro de São Paulo, valorizando uma beleza que já existe e que precisa apenas ser preservada. 

A cidade não pode servir de pano de fundo para outdoors digitais gigantescos que atendem aos interesses de poucos. A paisagem urbana pertence a todos. Poluí-la com propaganda em nome de uma suposta modernização é um retrocesso. Que se inspirem boas ideias de fora — sim —, mas com senso crítico, com adequação à nossa realidade e, sobretudo, com respeito à coletividade. 

Não há “modernidade” em encher avenidas de telas. Há alienação disfarçada de progresso. Que o Brasil saiba preservar o que conquistou e não se renda, mais uma vez, ao brilho artificial de soluções feitas para encantar a vitrine e ignorar quem caminha pela calçada. 

FORMAÇÃO POLÍTICA

Descompasso

Haverá reflexo no número de deputados nas Assembleias Estaduais

O Brasil enfrenta desafios urgentes: desigualdade social crônica, pressão sobre os serviços públicos, orçamento apertado, baixo investimento em educação básica e dificuldades para fazer a máquina pública funcionar com eficiência. Em meio a tudo isso, o Congresso Nacional aprovou o aumento do número de deputados federais e estaduais — decisão que, embora justificada como cumprimento de uma exigência constitucional, foi conduzida de forma distorcida e oportunista. 

De fato, a Constituição determina a proporcionalidade da representação popular entre os estados, e o Supremo Tribunal Federal havia cobrado do Parlamento uma readequação do número de cadeiras por Estado diante das mudanças demográficas do país. A tarefa era corrigir distorções, redistribuindo o número de cadeiras conforme a população de cada unidade federativa — e não simplesmente inflar a Câmara com novos parlamentares. 

Ao escolher o caminho mais cômodo — e politicamente vantajoso —, o Congresso contornou o verdadeiro debate sobre representatividade. Criou novas cadeiras em vez de reorganizar as existentes, aumentando o custo do Legislativo e agravando a fragmentação política. O resultado é uma “solução” que atende aos interesses corporativos dos partidos, mas não responde à demanda da sociedade por eficiência e equilíbrio institucional. 

Essa decisão evidencia o descompasso entre as prioridades da classe política e as urgências reais do país. Mais parlamentares não significam necessariamente melhor representação. O que o Brasil precisa é de um sistema político mais enxuto, transparente e comprometido com a melhoria da qualidade da democracia. 

Cabe agora ao presidente Lula exercer sua responsabilidade institucional e vetar esse projeto. Se ele está buscando um motivo para mostrar que não é culpado por tudo de errado que nossa classe política produz, eis uma oportunidade. É hora de convocar uma discussão séria sobre reforma política, racionalização dos gastos públicos e revisão do sistema de representação. Não se pode permitir que uma exigência constitucional legítima seja transformada em oportunidade para acomodar interesses políticos. O Brasil precisa de um Parlamento melhor — não maior. 

FORMAÇÃO POLÍTICA

Preços abusivos

Preço das hospedagens tem assustados as delegações.

A COP-30 em Belém, prevista para novembro deste ano, pode se tornar um constrangimento nacional. As tarifas de hospedagem na cidade explodiram, com preços que ultrapassam qualquer referência de razoabilidade — prática adotada tanto por redes hoteleiras locais quanto por grandes grupos internacionais. A justificativa é simples: demanda alta e liberdade de mercado. Mas é justamente esse o ponto de inflexão. A chamada “mão invisível” do mercado mostra, mais uma vez, que nem sempre responde às necessidades da sociedade com equilíbrio. 

O problema era previsível. Desde que Belém foi anunciada como sede da conferência, havia tempo e instrumentos para que o poder público — seja municipal, estadual ou federal — coordenasse a preparação do evento, inclusive em relação à hospedagem. Uma alternativa seria intermediar reservas com antecedência, negociando pacotes a preços justos para serem repassados às delegações. Em vez disso, optou-se por deixar o mercado agir por conta própria. Agora, autoridades tentam remediar a situação às pressas, enquanto delegações falam em reduzir suas comitivas e até cogitam pleitear a transferência da sede do evento. O Rio de Janeiro, por exemplo, sempre é uma opção — tem bom histórico em eventos internacionais. 

A disputa virou um jogo de empurra entre governo, setor hoteleiro e representantes estrangeiros. Enquanto isso, Belém se apressa em entregar o “Parque da Cidade”. Quanto ao real legado que a cidade pode receber — as obras de macrodrenagem e saneamento na periferia, essas ficam para serem concluídas “depois do evento”.  

O episódio todo revela um sintoma maior: em tempos de desafios climáticos globais, o Brasil ainda se preocupa em fazer coisas para inglês ver. Porém, desta vez, decidiu cobrar caro por isso.

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Novos ares

Lula e Bolsonaro em debate para a última eleição.

Pesquisa Genial/Quaest, divulgada dias atrás, indica que mais de 60% dos eleitores não querem ver a foto de Lula (PT) ou de Bolsonaro (PL) na urna eletrônica do próximo ano. Isso abre caminho para que novas propostas surjam. Tivessem com o juízo perfeito, cada qual em seu espectro buscaria de imediato um nome para apoiar. 

Lula tem Fernando Haddad (PT) ou o próprio Geraldo Alckmin (PSB). Já no campo da direita, Bolsonaro poderia considerar Tarcísio de Freitas (Republicanos), Ronaldo Caiado (União Brasil), Ratinho Júnior (PSD) ou mesmo Romeu Zema (Novo). São especulações. Porém, carecem de grandeza política para isso. Ambos se veem imbatíveis, o que reforça suas posições. 

Por outro lado, se nossos partidos cumprissem com sua nobre função no processo, tudo poderia estar mais claro e o ambiente menos poluído. Porém, o quê esperar de PT ou PL? Aliás, nosso partidos, em geral, fazem um cálculo que não prevê qualquer benefício para a sociedade. O cálculo é o do jogo político, de saber quem tem mais chances de convencer o eleitorado para abocanharem poder.  

O eleitor, ao contrário do que reza a lenda, sabe votar. O que lhe falta são opções porque são os partidos que oferecem o menu. Se os partidos ouvirem o recado da pesquisa, poderão repensar suas posições. A alta rejeição à presença de Lula e Bolsonaro neste ano que antecede o pleito, pode despertar-lhes o instinto.

O ex-presidente Michel Temer tem procurado criar condições para que, ao menos a direita se organize a fim de apontar um único candidato. Como Bolsonaro está impedido, pode funcionar. O problema é que Bolsonaro parece ter força suficiente para inviabilizar a proposta, pensando em salvar sua própria pele e apontando, por exemplo, sua mulher como vice-presidente seja em que chapa for. Outro problema é que os possíveis presidenciáveis não querem renunciar à chance que lhes apareceu. Nesse caso, nem a habilidade de Temer pode aparar essas arestas.  

Em verdade, cabe aos partidos essa decisão. A sobrevivência política pode sensibilizar os caciques da política de que é hora de mudança. O país precisa respirar novos ares.