FORMAÇÃO POLÍTICA

Janela Partidária – o quê fazer?

Você se lembra em quem votou?

O instituto da janela partidária foi criado para permitir que candidatos mudem de partido sem correr o risco de perder o mandato. Infelizmente no Brasil, devido à baixa identidade ideológica, muitos partidos podem mudar sua orientação durante os quatro anos de uma legislatura, tempo em que um político deve estar vinculado a ele. Afinal de contas, antes de se votar em um candidato, você vota em um partido! Seria injusto, então, forçar um deputado, por exemplo a renunciar seu cargo se por acaso desejasse mudar de casa para concorrer em um novo pleito eleitoral.

Partidos com ideologia mais apurada perdem menos.

Mas o número de deputados que recorreram a este instituto nesta janela que se encerra hoje, dia 02 de abril, demonstra que nossos políticos estão pouco confortáveis em sua sigla. Foram mais de 100 deputados que alteraram suas cores no Congresso, o que representa mais de 20% dos deputados.

O maior beneficiado nesta janela partidária foi o Partido Liberal (PL), que no final do ano passado trouxe para os seus quadros o atual presidente Jair Bolsonaro. O partido sai desta janela com 30 deputados a mais do que entrou, demonstrando que os deputados gostam de estar onde o poder está. A bancada do PL na Câmara passou de 42 para 72 deputados – sete deixaram o partido, mas 37 assinaram a filiação.

Outro partido aliado ao chamado centrão que se deu bem foi o Progressistas (PP). Foram 15 adesões contra apenas 2 perdas. O Republicanos ganhou um saldo de 10 deputados a mais do que entrou na janela. O partido também pertence ao centrão.

Observa-se assim que o grande vencedor deste vai-e-vem foi o centrão.

Partidos do chamado “centão” se sairam bem nesta janela.

O fato é que, além de permitir que os políticos se agasalhem em um novo partido, a janela partidária acaba por realinhar o Congresso – a favor ou contra um presidente que vive o último ano na cadeira do chefe do executivo, caso não consiga ou não possa se reeleger.

Esta lógica também vale para os governadores de estado e prefeitos municipais já que o instituto também alcança os deputados estaduais e vereadores. De se observar que no caso dos vereadores, o último ano da atual legislatura se dará em 2024, quando o mandato de Prefetios e dos edis será renovado – ou não. Desta maneria, neste momento não há janela partidária para vereadores, somente para deputados (estaduais e federais)

E você eleitor, o que deve fazer?

Você deve primeiramente se lembrar do seu candidato. Se ele venceu e está cumprindo o mandato que você conferiu a ele deve investigar se ele mudou de partido nesta janela partidária. Se sim, procure saber o motivo – pode ter sido por um justo motivo, ainda que por justo motivo pode-se mudar de partido a qualquer tempo com a autorização do TSE. Se o motivo foi o de apenas se acomodar debaixo das asas do poder, cuidado.  Ele pode não estar horando com o mandato que você lhe conferiu. Lembre-se que neste ano você irá renovar o mandato do seu representante na “casa do povo” e certamente este candidato irá lhe pedir seu voto de confiança novamente. Veja se ele é mesmo digno disto antes de lhe dar mais quatro anos de mandato – depois não adianta reclamar!

Para te ajudar, segue a relação fornecida pelo Justiça eleitoral, seguindo a ordem dos que mais perderam:

DEPUTADO FEDERALDesfiliou-seFiliou-se
Bia Kicis (DF)União BrasilPL
Carla Zambelli (SP)União BrasilPL
Carlos Jordy (RJ)União BrasilPL
Caroline de Toni (SC)União BrasilPL
Chris Tonietto (RJ)União BrasilPL
Coronel Armando (SC)União BrasilPL
Coronel Chrisóstomo (RO)União BrasilPL
Coronel Tadeu (SP)União BrasilPL
Daniel Freitas (SC)União BrasilPL
Eduardo Bolsonaro (SP)União BrasilPL
Filipe Barros (PR)União BrasilPL
General Girão (RN)União BrasilPL
Hélio Lopes (RJ)União BrasilPL
Junio Amaral (MG)União BrasilPL
Léo Motta (MG)União BrasilPL
Loester Trutis (MS)União BrasilPL
Luiz Lima (RJ)União BrasilPL
Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP)União BrasilPL
Major Fabiana (RJ)União BrasilPL
Major Vitor Hugo (GO)União BrasilPL
Marcelo Alvaro Antonio (MG)União BrasilPL
Marcio Labre (RJ)União BrasilPL
Nelson Barbudo (MT)União BrasilPL
Onyx Lorenzoni (RS)União BrasilPL
Sanderson (RS)União BrasilPL
Sóstenes Cavalcante (RJ)União BrasilPL
Charlles Evangelista (MG)União BrasilPP
Doutor Luiz Ovando (MS)União BrasilPP
Felício Laterça (RJ)União BrasilPP
Lourival Gomes (RJ)União BrasilPP
Norma Ayub (ES)União BrasilPP
Pedro Lupion (PR)União BrasilPP
Tereza Cristina (MS)União BrasilPP
Aline Sleutjes (PR)União BrasilPros
Joice Hasselmann (SP)União BrasilPSDB
Daniel Silveira (RJ)União BrasilPTB
Doutora Soraya Manato (ES)União BrasilPTB
Luis Miranda (DF)União BrasilRepublicanos
Cristiane Yared (PR)PLPP
Luiz Antonio Correa (RJ)PLPP
Vicentinho Júnior (TO)PLPP
Abílio Santana (BA)PLPSC
Capitão Fabio Abreu (PI)PLPSD
Luiz Nishimori (PR)PLPSD
Marina Santos (PI)PLRepublicanos
Marcelo Moraes (RS)PTBPL
Maurício Dziedricki (RS)PTBPodemos
Eduardo Costa (PA)PTBPSD
Luisa Canziani (PR)PTBPSD
Nivaldo Albuquerque (AL)PTBRepublicanos
Wilson Santiago (PB)PTBRepublicanos
Pedro Lucas Fernandes (MA)PTBUnião Brasil
Jefferson Campos (SP)PSBPL
Aliel Machado (PR)PSBPV
Julio Delgado (MG)PSBPV
Ricardo Silva (SP)PSBPV
Liziane Bayer (RS)PSBRepublicanos
Marcelo Nilo (BA)PSBRepublicanos
Otoni de Paula (RJ)PSCMDB
Delegado Eder Mauro (PA)PSDPL
Joaquim Passarinho (PA)PSDPL
Fábio Faria (RN)PSDPP
Neucimar Fraga (ES)PSDPP
Pedro Augusto Palareti (RJ)PSDPP
Mara Rocha (AC)PSDBMDB
Ruy Carneiro (PB)PSDBPSC
Danilo Forte (CE)PSDBUnião Brasil
Otávio Leite (RJ)PSDBUnião Brasil
Rose Modesto (MS)PSDBUnião Brasil
Tiago Dimas (TO)SolidariedadePodemos
Doutora Vanda Milani (AC)SolidariedadePros
Augusto Coutinho (PE)SolidariedadeRepublicanos
Doutor Leonardo (MT)SolidariedadeRepublicanos
Gustinho Ribeiro (SE)SolidariedadeRepublicanos
Marlon Santos (RS)PDTPL
Flávio Nogueira (PI)PDTPT
Túlio Gadêlha (PE)PDTRede
Alex Santana (BA)PDTRepublicanos
José Medeiros (MT)PodemosPL
Bacelar (BA)PodemosPV
Diego Garcia (PR)PodemosRepublicanos
Roberto de Lucena (SP)PodemosRepublicanos
Capitão Alberto Neto (AM)RepublicanosPL
João Roma (BA)RepublicanosPL
Luizão Goulart (PR)RepublicanosSolidariedade
Carlos Henrique Gaguim (TO)RepublicanosUnião Brasil
Fábio Reis (SE)MDBPSD
Marcos Aurélio Sampaio (PI)MDBPSD
Herculano Passos (RJ)MDBRepublicanos
Eros Biondini (MG)ProsPL
Capitão Wagner (CE)ProsUnião Brasil
Clarissa Garotinho (RJ)ProsUnião Brasil
Pastor Eurico (PE)PatriotaPL
Roman (PR)PatriotaPP
Capitão Derrite (SP)PPPL
Ricardo Izar (SP)PPRepublicanos
Célio Studart (CE)PVPSD
Leandre (PR)PVPSD
Da Vitória (ES)CidadaniaPP
Rubens Júnior (MA)PCdoBPT
David Miranda (RJ)PSOLPDT
Marília Arraes (PE)PTSolidariedade
Fonte: Justiça Eleitoral
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Radar das eleições – DORIA DESISTE (será?)

Doria disse que irá sair do PSDB

João Doria (PSDB) supreende e anuncia sua desistência à disputa à presidência. Disse que permanece no cargo, frustrando os planos de Rodrigo Garcia (PSDB) que pretendia concorrer ao governo do Estado. Uma ala do partido exige, todavia, que o governador renuncie abrindo espaço para uma candidatura viável de Garcia. Doria se sente traído pelo partido, que deve abandonar.

Outro que sinaliza jogar a toalha é Sérgio Moro. O ex-juiz decidiu deixar o Podemos e deve migrar para o União Brasil e concorrer a uma vaga de Deputado Federal. Desta maneira, a disputa começa a afunilar e a ganhar os contornos de uma pleito que promete ser disputado voto a voto.

Apesar de negar, Moro deve procurar se blindar no Congresso.
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Radar das eleições

Com as trocas de partidos políticos que estão acontecendo neste momento – a janela partidária vai até o dia 1º de abril, sexta-feira – o presidente Jair Bolsonaro aumentou sua base de apoio no Congresso para 171 deputados pertencentes aos partidos PLPPRepublicanosPSC PTB. Por enquanto, o PL foi o partido que mais ganhou deputados, 33 e o União Brasil o que mais perdeu, 27 – o União é a fusão dos antigos DEM PSL.

Após anunciar sua decisão de renunciar ao governo do Rio Grande do Sul mas de permanecer no PSDB, Eduardo Leite deve inciar, junto com integrantes do MDB União Brasil uma espécie de campanha estra oficial à sua pré-candidatura à presidência.

A ala do PSDB que tenta lançar Leite como o candidato da terceira via tenta atrair o MDB – de Simone Tebet – e o ex-presidente Michel Temer. Entre os tucanos que se engajaram nesta empreitada, destaque para Aécio Neves (PSDB-MG) que passou os quatro últimos anos encastelado no Congresso mas que agora ressurge disposto a emplacar o presidenciável da sigla.

Aécio Neves é o grande articulador da candidatura de Eduardo Leite

Por outro lado, João Doria, vencedor das prévias do partido irá promover um evento na próxima quinta-feira no qual passará o governo do Estado de São Paulo a seu vice Rodrigo Garcia (PSDB) para enfim engajar-se na sua pré-candidatura definitivamente, ignorando os chamados de alguns de seus partidários a desistir do pleito.

Rodrigo Garcia deve ser o candidato tucano ao governo de São Paulo

Não se sabe se Gilberto Kassab vai tentar um quarto nome para lançar à Presidência pelo PSD ou se vai apoiar logo no primeiro turno a candidatura de Lula – o que pretendia fazer apenas no segundo turno caso seu candidato não se qualificasse. É que após Rodrigo Pachedo não aceitar ser candidato e Eduardo Leite ter desistido da ideia de migrar do PSDB para o partido de Kassab, também seu “plano C” falhou. Paulo Hartung disse não ao convite do ex-ministro.

ex-governador do ES Hartung declinou ao convite de Kassab.

Apesar de rumores de que Moro desistiria de sua candidatura para se abrigar no Legislativo, o candidato do Podemos nega a informação e diz que não só permanece na construção de sua campanha como rejeita dar apoio a qualquer candidato com 1% ou 2% de intenção de votos. Apesar de ter apenas 8% na última sondagem do Datafolha, o candidato diz que tem muito espaço para crecer.

Bolsonaro exonera nove Ministros, que devem concorrer a algum cargo eletivo agora em 2022. Para o cargo de Deputado Federal, Marcos Pontes (Ciência e Tecnologia) – disputa vaga por São Paulo; para o Senado: Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) – pelo Amapá; Flávia Carolina Péres (Secretaria de Governo) – pelo DF; Gilson Machado (Turismo) – por Pernambuco; Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) pelo Rio Grande do Norte e Tereza Cristina (Agricultura) – pelo Mato Grosso do Sul. Já para o cargo de Governador de Estado saem João Roma (Ministério da Cidadania) – governo da Bahia; Onyx Lorenzoni (Trabalho) governo do Rio Grande do Sul; Tarcísio de Freitas (Infraestrutura) – governo de São Paulo.

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Radar das eleições

O governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite (PSDB) deve conceder uma entrevista coletiva nesta segunda-feira, dia 28 para dizer se fica ou não no partido. O grupo que tenta convencê-lo a ficar quer promover uma virada de mesa e forçar Doria a desistir de concorrer à presidência ou simplesmente atropelar a decisao das previas na qual o governador paulista saiu vitorioso. A artimanha é a seguinte: Doria venceu as prévias mas MDB União Brasil não reconhecem este resultado e para compor uma aliança exigem a presença do gaúcho como candidato.

Leite deve falar sobre seu futuro político neste segunda-feira.

Eduardo Leite teria até o dia 02 de abril para renunciar ao governo do Estado mas adiantará a jogada para dia 28 de março num aceno claro de que pretende disputar as eleições para Presidente. O PSD, do ex-ministro Gilberto Kassab já demonstrou total interesse em tê-lo como candidato mas o partido tem apoiadores de Lula e de Bolsonaro. O próprio Kassab já disse pretender apoiar Lula em um eventual segundo turno, caso não haja um candidato de seu partido na rodada final.

Porém, aliados do governador de São Paulo já se mobilizam naquilo que enxergam como uma tentativa de golpe contra a candidatura de João Doria e pressionam um posicionamento firme do presidente do partido Bruno Araujo em defesa do resultado das prévias.

Doria classifica como ‘golpe’ qualquer tentativa de o tirar da disputa.

*

A última sondagem sobre a intenção de voto do eleitor feita pelo Datafolha apontou uma melhora no posicionamento do atual presidente Jair Bolsonaro (PL). Isto é atribuído ao início da distribuição do “Auxílio Brasil” mas também à condução dos passos – e das palavras – do presidente por profissionais do marketing.

Lula (PT) permanece em primeiro lugar nas pesquisas e a entrada de Alckmin (PSB) como seu vice ainda não repercutiu nas sondagens – até porque a chapa Lula-Alckmin ainda não foi lançada oficialmente.

Em relação a terceira via, ela continua congestionada, ou melhor, nenhum dos pretensos candidatos conseguiu se descolar dos demais para assumir liderança e protagonismo. Sérgio Moro (Podemos), Ciro Gomes (PTB), João Doria (PSDB), André Janones (Avante), Vera Lúcia (PSTU), Simone Tebet (MDB), Felipe d´Ávila (Novo), Eduardo Leite (PSDB) aparecem na casa do um dígito das inteções. Decepcionante mesmo foi o resultado de Doria, que marca míseros 2%.

Notícias dão conta de que o primeiro a jogar a toalha deve ser Moro. Se desistir da candidatura pode se lançar a deputado federal, puxar votos para o seu partido (Podemos), ganhar imunidade parlamentar – já que pode ser atacado pelo poderoso de plantão – e de quebra liberar 8% de votos que não iriam nem para Bolsonaro nem para Lula. Integrantes do Podemos reclamam também de que Moro se fechou em torno de um núcleo duro e só compartilha opiniões com estas pessoas, afastando-se da vida partidária.

Moro tem sido visto por integrantes de seu partido como ‘centralizador’.
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Educação e futuro

O ministro da Educação Milton Ribeiro foi acusado de manter um gabinete paralelo para a liberação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação gerenciado por dois pastores que não tem nenhuma ligação com o MEC e sequer são funcionários públicos. Mais e mais prefeitos estão aparecendo para denunciar o caso. Um escândalo, mesmo em um país que historicamente negligencia a educação. Apesar do PNE – Plano Nacional de Educação ser uma política de Estado, e não de governo, seus objetivos dificilmente serão atingidos desta maneira. A título de exemplo, o jornal O Globo (24.mar) noticiou que o país tem, neste momento, mais de 3500 obras de escolas atrasadas que já consumiram R $3,5 bilhões.  O país tem sofrido com a má condução da administração do Estado, mas a educação tem sofrido mais e isso compromete diretamente o nosso futuro com Nação civilizada.

Ministro tem encontrado dificuldades para se manter no cargo.

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E, quem diria, a “Cracolândia”, na região central de São Paulo, se esvaziou rapidinho depois de uma ordem. Não foi ordem judicial nem o resultado da tentativa de diversos governos que já tentaram melhorar a situação do local – a ordem veio do crime organizado. A polícia de São Paulo atribui a saída à atuação de agentes infiltrados e operações que resultaram na prisão de 92 traficantes na área. Especula-se que a Cracolândia deixou de ser interessante para a organização criminosa Primeiro Comando da Capital – PCC, que hoje participa do tráfico internacional de drogas. Nova aglomeração de usuários se formou na região da praça Princesa Isabel, também no centro de São Paulo.

“Cracolândia” amanheceu completamente desocupada.

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O Governo do Estado de São Paulo entrega neste fim de semana a obra da “Nova Tamoios”, rodovia  que leva ao litoral Norte de São Paulo desde a Dutra ou da Carvalho Pinto, até Caraguatatuba. Trata-se de uma obra que utilizou tecnologia inédita no país permitindo a construção de viadutos e túneis sem ofender ao meio ambiente. A velocidade na descida da serra passará dos atuais 40 Km/h para 80 Km/h, tornando a viagem mais rápida e segura. Só de túneis são 12,8 quilômetros. 

Túneis tornam o trajeto menos sinuoso.

Passados um mês de guerra, quem parece dar sinais de fadiga é a Rússia. Vladimir Putin disse que a primeira fase da guerra está chegando ao fim. A estratégia é tentar conquistar territórios a leste da Ucrânia e desistir de Kiev. Isto certamente só dará mais fôlego e motivo para os ucranianos continuarem a resistência. O problema é que a palavra de Putin não vale muita coisa – tudo muda conforme o vento.

Ucrânia tem imposto forte resistência às pretensões de Putin.

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A queda de um Boeing 737-800 da China Eastern Airlines com 132 pessoas a bordo no sul da China causou espanto porque a aeronave despencou de 8700 metros em menos de dois minutos, o que supõe uma queda na vertical. O histórico de segurança da aeronave é bom. Não se trata do mesmo Boing que sofreu acidentes em 2018 na Indonésia e em 2019 na Etiópia e que depois ficou muito tempo sem voar até ser liberado pelas autoridades do setor. O acidente está sob investigação. 

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A Azzurra está fora da Copa do Mundo pela segunda vez consecutiva. Atual campeã europeia de seleções, a Itália conseguiu a façanha de perder em casa para a seleção da Macedônia do Norte.  Mesmo que vencesse ainda teria de enfrentar Portugal, que bateu a Turquia e agora encara a zebra macedônica. Por falar em Copa do Mundo, o sorteio dos grupos será dia 1º de abril, em Doha, no Catar.

Itália está fora da Copa do Catar que se inicia em novembro.

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O ex-procurador da República Deltan Dallagnol foi condenado a pagar indenização por danos morais no valor de R $75 mil ao ex-presidente Lula devido à famosa exposição do PowerPoint no qual colocava Lula no centro de um esquema criminoso contra verbas estatais. O STJ entendeu que a exposição extrapolou o objeto do processo no qual Lula era réu. O tempo passa e o jogo muda. Vaquinha na Internet arrecadou mais de 300 mil reais. Sinal dos tempos…

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A disputa judicial entre a prefeitura de São Paulo e a União pelo uso do Campo de Marte acabou em acordo e quem vai sair ganhando é a população. A Prefeitura da capital pretende transformar parte da área em um parque até o fim de 2024. O projeto inclui ainda um museu aeroespacial. 

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Fernanda Montenegro tomou posse na Academia Brasileira de Letras – ABL. Ela, que há pouco tempo sofreu ataques na Internet e que foi defendida pela colunista da Folha de S. Paulo Mariliz Pereira Jorge intitulando-a ‘incancelável’ vai ocupar a cadeira 17 da Academia, sucedendo o diplomata Affonso Arinos de Mello Franco. Aos 92 anos Fernanda Montenegro se torna “imortal”.

Atriz toma posse como ‘imortal’ na Academia.

Boa semana a todos.

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Drops de política

CASTELLO BRANCO – 15/4/1964 A 15/3/1967

Castello pertencia a uma ala dos militares que não pretendia permanecer no poder indefinidamente.

Após o golpe Militar, o país permaneceu durante mais de uma semana sob um governo provisório cuja presidência foi exercida pelo presidente da Câmara Ranieri Mazzilli mas com o governo de fato sendo exercido pelo Comando Supremo da Revolução – uma junta militar composta pelos chefes de cada uma das forças armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica. 

Em 15 de abril de 1964 foi empossado Castello Branco, eleito por um Colégio Eleitoral composto pelos deputados que conseguiram se manter no posto após o expurgo feito pelo primeiro Ato Institucional, que cassou mandatos, demitiu funcionários públicos, suspendeu direitos políticos e prendeu muitos opositores.

Mesmo assim, Castello sempre teve a preocupação de conferir um ar democrático ao seu governo – pertencia a uma ala dos militares que pretendiam apenas superar aquele momento para entregar o governo aos civis. Porém, não foi isso o que aconteceu.

Os Estados Unidos não só apoiaram o golpe como foram benevolentes com a nova gestão. Enviaram US $50 milhões em empréstimos. Na economia, o novo governo brasileiro criou o Paeg, um programa de arrocho que extinguiu os subsídios do Estado para o trigo e o petróleo. Foi criado o FGTS para o trabalhador, mas foi extinta a estabilidade permanente de emprego para quem tinha mais de 10 anos de trabalho em uma mesma empresa.

No campo ‘político’ existia uma clara rivalidade entre Castello Branco e Costa e Silva, que representava a linha-dura e seria o próximo presidente do Brasil, contra a vontade de Castello.

Se o golpe teve a complacência de setores da classe média, do empresariado e até da imprensa, cinco meses depois já ficava claro a arapuca em que o Brasil havia se metido. Em 1º de setembro de 1964 o jornal Correio da Manhã mudou seu posicionamento e iniciou uma campanha de denúncia dos crimes praticados pelo novo regime. “Temos o dever de reagir e pedir contas ao govêrno (sic) […] Até quando terão o presidente Castelo Branco e seus ministros ouvidos surdos aos gritos que por tôda (sic) parte ecoam? Estará a tortura intitucionalizada pela ‘Revolução Redentora’?”.

Depois veio o Ato Instituicona nº 2 – AI 2 que extinguiu os partidos políticos existentes e criou o bipartidarismo: Arena – Aliança Renovadora Nacional e MDB – Movimento Democráticos Brasileiro, o primeiro composto pelos apoiadores do regime e o segundo por uma “oposição consentida”.

Logo após terminar seu mandato Castello morreu em um acidente aéreo mal explicado. A cauda do avião bimotor em que viajava foi atingida por um caça da FAB em exercício de treinamento. Cogita-se que Castello preparava um pronunciamento denunciando o acirramento do regime.

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Radar das eleições

Geraldo Alckmin se filiou ao PSB na última quarta, dia 23. Após assinar a ficha de filiação, discursou. Disse que Lula é ‘fruto da democracia’ e que ‘o ex-presidente é hoje quem melhor representa o sentimento de esperança do povo brasileiro’. Depois destas palavras, difícil imaginar uma chapa que não seja Lula-Alckmin.

Alckmin assina com PSB com vistas à formar chapa com Lula.

Já o lançamento da pré-candidatura de Bolsonaro (PL) está marcada para domingo, dia 27. O presidente está inclinado a indicar o general Braga Netto para ser seu vice. Isto contraria sua base no Congresso, formada por partidos do centrão, que preferem a Ministra da Agricultura Tereza Cristina (União). Para os políticos, além de uma mulher no cargo, acenaria para o pessoal do agronegócio. Para analistas, mantendo um general no cargo, renova a apólice do seguro-impeachment.

anúncio do lançamento da pré-candidatura do presidente Bolsonaro.

Eduardo Leite deve decidir seu futuro político até o final desta semana. O tempo urge! Ou confia no PSDB que lhe acena para uma virada de mesa no resultado das prévias realizadas em novembro passado, ou vai para os braços de Kassab, que promete lhe lançar como candidato à presidência pelo PSD. O prazo se esgota dia 02 de abril.

PSDBMDB União Brasil tentam afinar o discurso para lançar uma candidatura única à Presidência, até o mês de junho. Acontece que a conta não fecha. João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS) por exemplo, devem deixar o governo de seus respcetivos estados até o dia 02 de abril. Sem esta definição, como dar o passo?

Leite tem difícil decisão a tomar.

Guilherme Boulos (Psol) anunciou sua desistência à candidatura ao governo do Estado de São Paulo, abrindo flanco na esquerda para Fernando Hadad (PT), ainda que exista o desejo de Márcio França (PSB) de disputar a pré-candidatura com o petista. Boulos ouviu Lula, para o qual o mais importante estado do país nunca esteve tão perto de ser governado pelo PT . Ele será candidato a deputado federal.

Boulos vai ser candidato a Deputado Federal por São Paulo, pelo Psol.
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Radar das eleições

Em uma democracia, se não há impedimento para alguém se candidatar, qualquer pessoa capaz para o ato pode se apresentar ao eleitor. Segundo jornal O Estado de S. Paulo (21.mar) diversos políticos que foram alvo da operação Lava Jato estarão de volta às urnas nestas eleições. Se o eleitor votar e o candidato ganhar, ganhou – sobretudo imunidade parlamentar.

Lula foi leberado pelo STF para concorrer a um cargo eletivo após ter suas condenações anuladas. Deve se candidatar à presidência.

MDB União Brasil voltam a se falar nesta quarta-feira com vista à tentativa de viabilidade a uma candidatura de terceira via. Os presidentes das siglas, respectivamente Baleia Rossi e Luciano Bivar estarão acompanhados daquela que é cobiçada como vice de muitos pré-candidatos: Simone Tebet (MDB).

Apesar de cortejada à vice, senadora do MS quer concorrer à presidência

Acontecerá na mesma data, em Brasília, a filiação de Geraldo Alckmin no PSB. A presença de Lula no evento ainda não está confirmada mas o que está mais que confirmado é a formação da chapa Lula-Alckmin. Antigos desafetos estão tendo de se entender neste momento. Coisas da política.

Alckmin deve se filiar ao PSB na próxima quarta.

Com a filiação de Alckmin, o PSB confirma um movimento para se tornar uma partido mais voltado ao centro. A ideia é se aproximar do clássico modelo de partido social-democrata europeu. Aliás, esta é a origem do antigo partido de Alckmin, PSDB que da centro-esquerda migrou para a centro-direita e cada vez mais vai se tornando um partido de direita pura.

Aliás, o PSB pretende lançar um aplicativo para filiados votarem sobre temas que serão apresentados por parlamentares. Caso haja um número mínimo de participações, o partido deverá seguir a orientação no parlamento. Inciativa inovadora e profundamente democrática.

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Queda de braço

Russos estocam sanduíches do Mc Donald ‘s em casa.

Como qualquer guerra, a insanidade dos seus mandantes coloca os envolvidos na antagônica posição de paralisados em contínua prontidão. No caso da guerra que Putin trava contra a Ucrânia, devido a novidade da asfixia econômica a que se submeteu a Rússia e seu povo e da dificuldade de Putin em derrubar Kiev, a paralisia torna-se absurda. Russos foram ao Mc Donald ‘s comprar sanduíches às dezenas; as transações financeiras são profundamente prejudicadas; o cartão de crédito teve de ser substituído por um similar chinês. Agora Putin decreta tolerância zero àqueles que ele chama de ‘traidores da pátria’, isto é, não se pode nem pensar em se manifestar contra a guerra. Então quem está sendo o traidor da pátria neste caso? Até quando a insanidade de um pequeno grupo de pessoas pode levar um país inteiro a esta situação? Coisas em que a política ainda precisa evoluir para livrar o povo de tamanha ignorância.

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O Banco Central do Brasil elevou a taxa de juros no país a 11,75% e pode acrescentar mais um ponto na próxima reunião do Copom. É o mais alto patamar de juros em 5 anos. A alta  se deu em função do ainda persistente processo inflacionário, agora agravado pela situação global, especialmente no que diz respeito ao preço do petróleo.

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Lojas serão itinerantes. Primeira unidade funcionará no Rio de Janeiro.

A chinesa Shein terá lojas físicas no Brasil, mas elas serão itinerantes. A marca, que vende moda “ultra-fast fashion” terá sua primeira loja pop-up no Brasil em um espaço de 500 m2 no Shopping Village Mall, na Zona Oeste do Rio. No espaço on-line a varejista chinesa incomoda – e muito – as redes que atuam no Brasil, como Renner, C&A e Riachuelo.

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Porém, até o momento desta postagem, em 20.mar o aplicativo permanecia no ar.

Finalmente aconteceu. O Ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o bloqueio do aplicativo Telegram no Brasil. Ato contínuo o governo brasileiro deu o grito e colocou a AGU – Advocacia Geral da União para tentar reverter a ordem judicial. É instigante pensar quais são os motivos que levam um governo a se preocupar em manter no ar uma aplicativo que notoriamente dá a traficantes e pedófilos campo fertil para promoverem barbaridades.

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Censura tem o poder de despertar mais a atenção para a arte censurada.

O Ministério da Cultura inovou e simplesmente impôs censura ao filme “Como se tornar o pior aluno da escola” com os atores Danilo Gentili e Fábio Porchat. Acontece que a medida é inconstitucional. O que se poderia fazer neste caso, segundo especialistas, seria tentar rever a classificação etária mas jamais impedir a circulação da obra. Trata-se do típico caso em que ao se tentar impedir a exibição do filme apenas atrai mais atenção e curiosidade para o mesmo. A preocupação é bizarra – o filme é péssimo.

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Ainda falando de cinema, o crítico Luiz Zanin nos trouxe à tela o drama que vive o prêmio Oscar (Estadão 17.mar) – não consegue agradar a nova geração, afixada em franquias que são premiadas com prêmios de segunda grandeza, como efeitos especiais, e tenta se universalizar – tanto em questões de gênero e raça quanto em questão de alcance global. Deixou de analisar, todavia, mais um problema – a questão dos streamings.

E como os streamings estão em alta, a NetFlix anunciou que vai passar a cobrar uma taxa quando a conta for acessada fora do endereço do contrato – estão entendendo que a pessoa emprestou a senha para outra. O teste deste novo modelo vai ocorrer no Chile, na Costa Rica e no Peru.

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Faleceu dia 16, aos 80 anos, José Anselmo dos Santos, que passou para a história do Brasil como Cabo Anselmo. Ele liderou uma das insubordinações militares que antecederam o Golpe de 64. Expulso da marinha e preso pela Ditadura Militar, passou a ser um agente-duplo. Participava ativamente das atividades da militância revolucionária mas delatava os companheiros. Alegou, afinal, que fazia isto obrigado, para não ser morto nos porões da ditadura. Tristes tempos aqueles.

Após uma vida na clandestinidade, cabo Anselmo é enterrado com nome falso no interior de São Paulo.

Boa semana a todos.

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Drops de política

JOÃO GOULART – 7/9/1961 A 2/4/1964

João Goulart passou a acirrar o discurso conforme as pressões sobre ele subiam.

Após renúncia de Jânio, devido à desconfiança de militares e da direita conservadora, Jango – como João Goulart era conhecido – só conseguiu tomar posse como presidente sob um regime parlamentarista, cujo primeiro-ministro foi Tancredo Neves. Durante o regime seus poderes ficaram limitados, mas um plebiscito disse não ao sistema e o presidencialismo voltou, dando-lhe os poderes de um legítimo presidente.

Jango tinha o apoio da esquerda progressista, de sindicatos e de estudantes. Instituiu o 13º salário e insistiu em reformas que assustavam a classe média e as elites do país, como a reforma agrária, dentre outras.

Na lógica vigente à época – da Guerra Fria entre EUA e URSS – o Brasil se enquadrava na órbita dos Estados Unidos. Com um presidente de esquerda o receio era o de que o país pudesse mudar seu alinhamento em favor dos soviéticos.

João Goulart apresentou, junto com seu Ministro do Planejamento Celso Furtado o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social – 1963/1965 mas, sem conseguir implanta-lo por falta de apoio de bancos internacionais partiu para o que chamou de “Reformas de Base”, isto é, reformas agrária, tributária, eleitoral, bancária, urbana, educacional, ou seja, partiu para o tudo ou nada. Diz-se que Getúlio Vargas cometeu suicídio de fato e que João Goulart promoveu seu suicídio político. Foi derrubado por um golpe militar que se prolongaria pelos próximos vinte anos no Brasil.