FORMAÇÃO POLÍTICA

Corrupção no DNA

Lula tenta se entender com o parlamento para garantir um mínimo de governabilidade.

Os países tidos como desenvolvidos têm muitas coisas em comum: boa educação, saúde e segurança pública. A base de tudo isto também é comum: estão todos bem posicionados no ranking da percepção da corrupção (IPC) da transparência internacional.

Ali estão todos os países da Comunidade Europeia, os EUA, o Canadá, a Austrália, o Japão e, não por outro motivo, os dois países tidos como melhores para se viver na América Latina — Uruguai e Chile.

Após as Jornadas de 2013, o Brasil parecia decidido a combater a corrupção. Naquele momento, acuados, nossos políticos aceitaram leis que deram um pequeno alento ao povo sofrido e explorado de nosso país.

Inacreditavelmente, porém, o troco veio logo. Um ex-presidente preso por corrupção hoje ocupa, mais uma vez, a cadeira de presidente no Palácio do Planalto. 

Embora seja um caso conhecido, é importante reiterar: Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao tríplex do Guarujá. A sentença foi confirmada em instâncias superiores, e Lula chegou a cumprir 580 dias de prisão.

Mas em março de 2021, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou todas as condenações impostas pela Justiça Federal do Paraná a Lula, argumentando que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos, pois os supostos crimes não estavam diretamente relacionados aos desvios na Petrobras, foco da Operação Lava Jato.

Essa decisão foi confirmada pelo plenário do STF em abril de 2021, por 8 votos a 3, restabelecendo os direitos políticos de Lula e permitindo sua elegibilidade. 

Posteriormente, em junho de 2021, o STF declarou a suspeição de Sérgio Moro, reconhecendo sua parcialidade na condução do processo contra o ex-presidente, o que resultou na anulação das provas coletadas e na necessidade de reinício dos processos em outra jurisdição.

Não há dúvidas de que, o STF tem colaborado muito com o quadro. O ministro Dias Toffoli anulou diversas condenações da Operação Lava Jato, alegando irregularidades processuais e conluio entre procuradores e o então juiz Sérgio Moro. 

Entre os casos mais notáveis estão o de Léo Pinheiro, Marcelo Odebrecht e João Augusto Rezende Henriques, este último, um lobista acusado de ser operador do MDB em esquemas de corrupção, e que teve todas as suas condenações anuladas em dezembro de 2024. Toffoli destacou a existência de conluio entre procuradores e o então juiz Sérgio Moro.

A verdade é que os ventos haviam mudado e então, mocinhos passaram a bandidos e bandidos a mocinhos. O resultado está aí.

Enquanto governo, Bolsonaro entrou em diversos conflitos com a Anistia Internacional. Por certo Lula não irá aplaudir o resultado do Índice recém-divulgado. 

Sim, em alguns aspectos Lula e Bolsonaro se parecem mais do que gostaríamos.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Pacto institucional

Poderes da República não se entendem.
FORMAÇÃO POLÍTICA

Jogar a toalha

Lula mostra fragilidade física e política.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Foco errado

Sidônio Palmeira, novo chefe da Secon, junto a Janja e Lula.
FORMAÇÃO POLÍTICA

O povo não confia no Estado

Medida correta, dosagem errada.
FORMAÇÃO POLÍTICA

O perigo “ainda está aqui”

Zuckerberg se aproxima de Trump.
FORMAÇÃO POLÍTICA

Onde está o problema

Ministro Flávio Dino tem questionado o Parlamento sobre o uso do Orçamento.

A democracia é um sistema de governo que exige participação para se tornar melhor. Quando o maior interessado está descomprometido, aguardando passivamente os resultados do processo o resultado não irá atender-lhe as necessidades. É imperativo sair da zona de conforto.

Neste sentido, interessa ao Congresso Nacional desviar as atenções do eleitor para os postulantes do Executivo, no nosso caso, preso infelizmente a duas figuras que já deveriam ter se aposentado – Jair Messias Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva.

Entramos em mais um ano padecendo do mesmo mal. Nossos congressistas agradecem.

Só assim é possível continuarem a cometer as barbaridades que vêm sendo cometidas desde que Bolsonaro entregou a senha do PIX do Estado para Arthur Lira (PP).

O dinheiro público vem sendo reiteradamente gasto em repasses que não atendem a qualquer planejamento. Nas cidades de Esteio (MA) e Aguiarnopolis (TO) colocou-se dinheiro federal para bancar shows de artistas sertanejos. Ainda que a obrigação da manutenção da ponte que despencou sobre o Rio Tocantins seja do DNTI é fato sintomático que se tem isso para falar. Não é possível que essas pequenas cidades não tenham necessidades mais urgentes não atendidas.

Loas para o Ministro do Supremo Flavio Dino que abriu uma cruzada pela moralidade no trato com o Orçamento da União. A depender de nossos Deputados e Senadores, esses valores serão mera moeda de troca por voto. Alguém precisa estancar esta imoralidade.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Os poderes…

Presidente da Câmara focou nos insterreses corporativos dos deputados.

Um país que vai se construindo ao longo do tempo. Assim podemos enxergar o Brasil: não temos um projeto claro de país.

No entanto, já se tornou evidente que, em meio a todos os movimentos e transições, nossa alma é, afinal, democrática. Os períodos não democráticos passam e novamente tentamos nos acomodar debaixo de regras que deveriam, em tese, servir a todos.

Foi um contratempo, desses que ocasionalmente nos abala, a eleição de Arthur Lira (PP) para a presidência da Câmara dos Deputados. Estando lá, ele não decepcionou. Cumpriu à risca a sua determinação de deteriorar as relações institucionais, sem o proveito dos seus pares que logo enxergaram nela o caminho para as facilidades que um sistema democrático não pode admitir.

Todo o imbróglio se dá em relação às famigeradas “emendas parlamentares”. Essas emendas, que deveriam ser instrumentos legítimos para direcionar recursos públicos a necessidades locais frequentemente se tornam alvo de críticas devido à falta de transparência, uso inadequado, e desvio de finalidade.

O uso excessivo ou indevido dessas emendas pode desequilibrar o jogo político, fortalecer interesses particulares em detrimento do bem público e enfraquecer a confiança da população nas instituições.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, tomou decisões significativas visando aumentar a transparência e a legalidade na execução das emendas parlamentares, especialmente as chamadas “emendas de comissão”.

Em agosto de 2024, Dino suspendeu todas as emendas impositivas apresentadas por deputados e senadores ao orçamento da União, até que o Congresso estabelecesse procedimentos que garantissem transparência, rastreabilidade e eficiência na liberação dos recursos. Agora, em dezembro, após identificar uma manobra do presidente da Câmara, Arthur Lira, que buscava liberar R$ 4,2 bilhões em emendas de comissão sem o devido processo de aprovação pelos membros das comissões, Dino suspendeu esses pagamentos e determinou que a Polícia Federal investigasse possíveis irregularidades.

Arthur Lira, em conjunto com líderes partidários, tentou contornar as decisões do STF ao enviar ofícios ao Palácio do Planalto solicitando a liberação das emendas de comissão, sem a aprovação formal das comissões correspondentes. Essa ação foi interpretada como uma tentativa de burlar as determinações do ministro.

Lira criticou publicamente as decisões do Ministro Dino, afirmando que interferiam nas prerrogativas do Legislativo e afetavam o clima na Câmara dos Deputados. Ele argumentou que o Orçamento não pertence apenas ao Poder Executivo e defendeu a autonomia do Parlamento na gestão das emendas.

Resolver o conflito entre o Legislativo e o Judiciário sobre as emendas parlamentares exige medidas que promovam equilíbrio institucional, transparência e eficiência no uso de recursos públicos. A lei deve estabelecer critérios claros e objetivos para alocação, garantindo rastreabilidade e fiscalização. Limitar o uso de emendas como moeda de troca política e priorizar projetos de impacto social significativo tornaria as regras mais transparentes e estáveis.

Criar um sistema público e digital para monitorar a execução das emendas, permitindo que qualquer cidadão acompanhe a destinação dos recursos. Determinar que todas as emendas sejam aprovadas de forma colegiada pelas comissões temáticas, evitando a manipulação individual.

Promover diálogos entre o Supremo Tribunal Federal e o Congresso Nacional para definir limites e competências de cada poder em relação ao orçamento público. Criar um fórum permanente entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. É preciso evitar atritos.

Investir na educação política para que a população compreenda a importância do orçamento público e pressione por uma maior responsabilidade fiscal. Fortalecer a consciência cívica sobre o impacto do mau uso das emendas parlamentares.

Reforçar a atuação de instituições como o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público para fiscalizar de forma independente e rigorosa a execução orçamentária. Há vários caminhos que conduzem a um mesmo lugar.

FORMAÇÃO POLÍTICA, Introdução à Política

As elites contra uma Nação — Esquerda teimosa, Direita autoritária

A dicotomia entre esquerda e direita tem perdido espaço na compreensão da complexidade do mundo atual. Quando discutimos essas categorias, é essencial definir os âmbitos de análise.

No campo dos costumes, a esquerda tradicionalmente defende posições progressistas, enquanto a direita se alinha ao conservadorismo. Já na economia, as posições se invertem: a esquerda tende a priorizar a intervenção estatal, enquanto a direita defende um mercado mais livre.

Esse quadro revela que o debate contemporâneo transcende a oposição simplista entre essas ideologias. Cada dimensão — costumes e economia — contém nuances que dificultam classificações rígidas, exigindo análises que considerem os contextos históricos, culturais e sociais que moldam essas correntes.

Em sua posse em 2003, Lula prometeu “ensinar o brasileiro a pescar”.

No Brasil, a história política recente ilustra bem essa complexidade. No início do século XXI, a esquerda chegou ao poder com Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, lançou as bases para a estabilidade econômica e programas sociais. Embora Lula tenha prometido “ensinar a pescar”, sua gestão e a de sua sucessora, Dilma Rousseff, priorizaram programas assistencialistas, sem resolver problemas estruturais.

O impeachment de Dilma em 2016 trouxe Michel Temer ao poder, que promoveu reformas estruturais, como a trabalhista, mas abriu caminho para Jair Bolsonaro, cuja gestão, marcada por uma postura antissistema e antidemocrática, foi desastrosa, especialmente durante a pandemia de Covid-19. Apesar disso, Bolsonaro também usou benefícios sociais como estratégia política.

Ao retornar à presidência, Lula manteve a aposta nos programas sociais, esquecendo a promessa de capacitar a população para alcançar autonomia econômica. Esse ciclo vicioso reflete um impasse pernicioso: de um lado, um governo que busca apoio popular via benefícios sociais; de outro, elites que resistem a reformas estruturais, preferindo preservar privilégios imediatos.

As contradições na gestão dos recursos públicos também são evidentes. Políticas populistas coexistem com incentivos fiscais para grupos empresariais influentes, enquanto desigualdades na remuneração do funcionalismo público perpetuam injustiças. Resolver esses desafios exige reformas amplas, que equilibrem eficiência, justiça social e redução de privilégios desproporcionais.

As elites brasileiras — grandes empresários, líderes políticos e gestores públicos — têm papel crucial na construção de um país mais justo. Contudo, a priorização de lucros imediatos e a manutenção de desigualdades estruturais comprometem o fortalecimento de uma classe consumidora robusta, limitando o crescimento econômico sustentável.

Essa lógica é contraproducente. Um mercado interno dinâmico beneficia não apenas a sociedade, mas também os próprios grupos dominantes. Para isso, é necessária uma mudança de mentalidade, que inclua um novo pacto social comprometido com desenvolvimento sustentável e equidade.

A perpetuação da desigualdade social tem efeitos devastadores, como a violência urbana, alimentada por jovens sem oportunidades que passam a recorrer ao crime, agravando a insegurança e afastando investimentos.

Violência e apatia social – tristes retratos do Brasil atual.

Outro problema daí advindo é o que diz respeito à apatia social, já que a falta de perspectivas mina o engajamento cívico e perpetua ciclos de pobreza.

Também ocorre a fuga de talentos e capitais, já que profissionais e empresários buscam melhores condições no exterior, enfraquecendo o potencial competitivo do país.

Superar esses desafios requer políticas públicas inclusivas e comprometimento das elites com a redução das desigualdades.

A polarização entre uma esquerda teimosa e uma direita autoritária agrava problemas estruturais. A esquerda, ao insistir no assistencialismo, ignora soluções de longo prazo, como educação de qualidade e incentivo ao empreendedorismo. Já a direita, ao privilegiar interesses corporativos igualmente imediatos, dificulta a formação de uma classe consumidora forte e promove instintos antidemocráticos.

Essa polarização gera um ambiente político tóxico, inviabilizando o diálogo e perpetuando ciclos de exclusão. Governantes pressionados por bases polarizadas adotam posturas radicais, deixando problemas estruturais sem solução.

Romper com esse ciclo exige líderes políticos e eleitores dispostos a abandonar ideologias inflexíveis em favor do diálogo e de soluções coletivas. Somente assim será possível construir um Brasil mais unido, próspero e preparado para enfrentar os desafios de um mundo interconectado e multifacetado.

O retrospecto da história política do país nos permite concluir que nossas elites sempre manipularam a opinião pública e derrubaram regimes democráticos quando os interesses delas não estavam atendidos. Falta-lhes um projeto para o país. 

Meirelles foi candidato à presidência em 2018, obtendo apenas 1,2% dos votos do eleitorado.

O Brasil é um país onde não se quer esperar para atingir objetivos de longo prazo. Porém, como nos lembra o economista e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, “O longo prazo demora, mas chega”. Não damos muita atenção a esta lição.

Historicamente, a sensação que se tem é a de que nossas elites — sejam políticas, econômicas ou intelectuais, sempre se enxergaram como uma casta à parte da sociedade brasileira. Nunca estiveram dispostas a aguardar o bolo crescer para depois repartir, como dizem metaforicamente os economistas.

O primeiro e definitivo passo neste sentido foi dado ainda em Portugal pelo Marquês de Pombal que, ao expulsar os Jesuítas do Brasil acabou com todo o projeto de educação que eles aqui promoviam.

Ali se criava uma barreira, ainda intransponível daqueles que deveriam ser educados para administrar a Colônia daqueles que deveriam apenas oferecer os braços para que um Estado fosse erigido na América.

E, anos após isso, quando a corte portuguesa se viu obrigada a se transladar para o Rio de Janeiro, a preocupação do governo que aqui se instalava foi a de tornar a cidade “europeia”, mas jamais a de educar o povo que nela habitava.

O passo decisivo para se construir uma sociedade desigual foi dado, todavia, em 1850. Naquele momento o país sofria pressão da Inglaterra para colocar fim à escravidão e então leis foram criadas para garantir o privilégio de uma classe senhorial que fatalmente iria deixar de ser. É neste contexto que se criou a Lei de Terras (1850), não por acaso no mesmo ano da Lei Eusébio de Queirós. Esta lei regularizou as terras devolutas, em favor dos já favorecidos. Anos depois, veio a abolição e os negros foram simplesmente abandonados por um estado que então se preocupava em garantir o conforto financeiro dos produtores de café.

Europeus migraram para o Brasil e ocuparam os postos de trabalho que estariam melhor alocados aos ex-escravos de forma mais justa. Estes foram responsáveis por inchar os embriões de nossas metrópoles atuais.

Depois, o projeto de república que mentes com as de Rui Barbosa ou Quintino Bocaiuva ambicionava não se concretizou. A República nasceu para acomodar os interesses da elite agrária que já não enxergavam na Monarquia a preocupação suficiente com os seus problemas.

Getúlio Vargas governou quebrando um regime atrás do outro, até se firmar como ditador, defenestrado posteriormente pelo mesmo exército que o apoiou. Ficou enquanto atendeu a interesses. Quando deu um passo além, caiu. Foi ele quem criou a CLT e com seu ministro do trabalho dobrou o valor do salário mínimo em 1954, dando um passo em direção à construção de uma sociedade cuja classe média fosse de fato significativa.

Jânio Quadros surgiu posteriormente levando às últimas consequências a irresponsabilidade populista. Ficou pouco tempo no cargo. Quando ameaçou renunciar pensando ter o apoio da elite, também caiu.

Agora o mundo já vivia a Guerra Fria e o Brasil procurou apoio nos Estados Unidos para derrubar o governo social de João Goulart. Aqui nossas elites mais uma vez se iludiram com a capacidade militar em planejar o Estado, entregando competência. Houve uma hiperinflação com estagnação econômica.

Foram necessários anos até que a inflação fosse controlada, com a chegada da moeda real. De lá para cá nada temos feito além de tentar institucionalizar o país.

Precisamos de um projeto de país para nos viablizar como Nação.

Nossa Constituição de 1988 deveria ser parlamentarista, mas foi presidencialista. Foi o último golpe que os militares nos aplicaram, ao menos até o momento.

E assim seguimos. Hoje diante de uma anacrônica esquerda que insiste em soluções ultrapassadas e uma perigosa direita, que pretende revisitar períodos autoritários.

É assim que seguimos. Precisamos ter foco e resiliência para evitar atalhos. Foram eles que nos levaram a maus caminhos, até hoje.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Reiniciando o sistema.

Secretário especial da Reforma, Bernard Appy admite que ‘esta foi a reforma possível’.

Nosso sistema tributário atual é um verdadeiro cipoal, onde ações judiciais se tornaram uma constante devido à falta de entendimento entre os envolvidos, ao excesso de normas e às inúmeras exceções.

O objetivo agora seria resetar e reiniciar o sistema, adaptando-o às práticas mais modernas. Contudo, vale lembrar que, em países avançados, o IVA já está sendo repensado em função dos desafios impostos pela economia global e instantânea — ou seja, mesmo com uma reforma séria, já estaríamos atrasados.

Quando o ICM foi introduzido, no início do governo militar, a proposta central era torná-lo um imposto não cumulativo. Ele seria cobrado sobre o valor agregado em cada etapa da cadeia de produção e comercialização, garantindo crédito tributário pelas etapas anteriores. Dessa forma, o conceito de um imposto sobre valor agregado, como o IVA atualmente proposto, já fazia parte da lógica tributária brasileira desde a reforma de 1965.

Com o tempo, o ICM sofreu inúmeras alterações, tornando sua aplicação progressivamente complexa. Em 1988, com a promulgação da Constituição Federal, o ICM foi transformado em ICMS, passando a abranger também serviços de transporte e telecomunicações. Desde então, o ICMS consolidou-se como o principal instrumento dos estados na guerra fiscal, gerando disputas e desequilíbrios econômicos entre as unidades da Federação.

O IVA agora proposto já nasce com inúmeras exceções que preservam privilégios e atendem a pressões de lobbies, prejudicando a progressividade do sistema. Por isso, nossa alíquota será muito maior do que a praticada em países emergentes, como na China (13%), ou no México (16%). De acordo com a proposta atual, a alíquota máxima no Brasil será limitada a 26,5%.

Na prática, algumas empresas arcam integralmente com os impostos, enquanto outras se beneficiam de isenções ou regimes especiais de tributação. É importante lembrar que os empresários não recolhem apenas o IVA (ou tributos equivalentes sobre consumo), mas também enfrentam a incidência de tributos como o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e as contribuições previdenciárias destinadas ao INSS.

O Estado age contra a iniciativa privada quando impõe alíquotas excessivas e oferece pouco em troca, seja em infraestrutura, seja em serviços. Não fizemos uma reforma tributária de fato. Desanuviamos um pouco o nosso emaranhado tributário. No entanto, é apenas uma questão de tempo até nos vermos novamente perdidos em regras confusas e exceções que penalizam o setor produtivo.