Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

PUXADORES DE VOTOS NAS DUAS MAIORES CÂMARAS DO BRASIL – Parte 2

Por Rui Tavares Maluf*

O Puxador de Votos

Antes de verificar a contribuição do puxador de voto, independentemente de o partido ter conseguido eleger alguém, é indispensável oferecer sua definição. Estou assumindo aqui que este se constitui naquele candidato que atende às seguintes condições ideais, a saber:

1) votação pessoal igual ou maior do que a do quociente eleitoral (Q.E), que deve ser entendido como uma barreira e tanto, porque o mesmo é o resultado dos votos válidos dados a todas as agremiações que participaram da disputa, divididos pelo número de cadeiras. Nessa primeira condição divido os puxadores em três níveis sendo o 1 dos que atenderam a condição ideal; nível 2 é a dos que obtiveram coeficiente entre 0,50 e 0,99 do Q.E e nível 3 até 0,49;

2) vantagem em pontos percentuais sobre os votos dados exclusivamente para seu partido;

3) coeficiente da divisão da sua votação (dividendo) em relação à média obtida pelo partido – (divisor), incluindo na média a sua própria votação; e

4) quociente da divisão da sua votação (dividendo) pelo quociente
eleitoral (Q.E) – divisor ter sido de preferência igual ou maior do que um.

Devido à regra eleitoral por mim já explicada muitos dos eleitos não são os primeiros
colocados em seus partidos, pois este conseguiu eleger mais de um edil. Na Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) das 55 vagas disponíveis, 18 vereadores foram os primeiros colocados uma vez que 18 legendas elegeram ao menos um vereador. E 15 vereadores foram primeiros colocados de 15 legendas que não elegeram qualquer um. Na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (CMRJ) das 51 vagas a serem preenchidas, 22 foram ocupadas pelos primeiros colocados de seus partidos pela mesma razão. E dez primeiros colocados pertencem a legendas que não conseguiram eleger um vereador sequer. Na comparação dos dois parlamentos municipais, a CMRJ conta proporcionalmente com mais puxadores (22 contra 18), e particularmente os de nível 1 a despeito de disporem do mesmo número absoluto. Este fato é indicador de que a câmara carioca apresentou um nível de fragmentação partidária ainda maior que a paulistana.

Admito ao leitor que a classificação dos puxadores de votos de nível 3 é uma grande
liberalidade de minha parte uma vez que seu coeficiente fica abaixo de 0,5 do Q.E, pois na câmara paulistana 21 de 26 puxadores de nível 3 são iguais ou abaixo de 0,25, e dos 21 nada menos que 15 pertencem às legendas que não elegeram vereadores. No caso do parlamento carioca, também com 26 vereadores de nível 3, 16 deles ficaram abaixo de 0,25 e dez destes nas fileiras dos partidos não eleitos.

Os Puxadores de Votos na Câmara de São Paulo (CMSP)

Na medida em que o puxador de votos em sua força máxima tem de atender aos quatro
requisitos isso quer dizer que seu desempenho deve ajudar o partido a eleger outros além dele, sendo ao menos mais um pelo Q.E (isto é, o puxador de nível 1) e não exclusivamente pela média. Isso pode ser provado pelo fato de sua votação superar de forma significativa à da média obtida pelo partido, bem como aos votos dados exclusivamente ao partido e ainda o quanto sua votação sozinha se coloca frente ao número do Q.E.

O percentual médio dos primeiros colocados das 18 agremiações que elegeram ao
menos um vereador, 16,03%, mostra que eles obtêm um bom naco do total de votos do total. O coeficiente médio dessa turma de puxadores de votos é 0,6, o que, o que indica nível 2, frente quociente eleitoral (Q.E.). Mas somente quatro partidos tiveram seus mais votados com desempenho acima do Q.E. A média das diferenças dos votos dos mais votados e dos votos dados exclusivamente aos partidos é de 12,49, apesar de em cinco casos (PSOL, REPUBLICANOS, PSDB, NOVO e PSB), os votos dados exclusivamente para as legendas se impuseram aos puxadores de votos.

Quanto ao percentual médio dos 15 partidos que não conseguiram eleger um só
vereador este foi bem maior, 27,98%. A média das diferenças entre os mais votados e os votos dados somente para a legenda foi de 8,69. A razão média menor, 6,44. Por sua vez o coeficiente médio com base no Q.E ficou em somente 0,06.

Portanto, os resultados examinados pelos conjuntos, médias e razões mostram com
clareza a superioridade dos puxadores de votos dentre os partidos que conseguiram eleger candidatos. Para os partidos não eleitos verificou-se um desbalanceamento uma vez que a média dos puxadores de votos é bem alta, mas com baixo desempenho dos outros indicadores.

Os Puxadores de Voto Nível 1 na CMSP

Mas acompanhe o desempenho do Partido dos Trabalhadores (PT), o caso mais visível dessa eleição paulistana de 2020. Trata-se do veterano político Eduardo Suplicy, que foi reeleito para seu terceiro mandato não consecutivo na câmara municipal tendo sido o mais votado não apenas de seu partido (que lançou 81 candidatos incluindo o próprio), mas dentre todos os candidatos do referido município. A CVN dele representou nada menos que 29,81% e a CVP 25,65%. A votação média do partido tomando como base o total de votos (que inclui os que foram somente dados à legenda) e dividindo pelo total de candidatos foi de 8.066. Assim, o partido elegeu oito vereadores no total; sete pelo quociente eleitoral (Q.E.) um pela média. Além disso, Suplicy foi duas vezes candidato a prefeito de São Paulo (1985 e 1992), ainda que não tenha sido eleito e em disputas já muito distantes no tempo. E se isso não bastasse foi senador da república por mais de um mandato, eleição esta que é majoritária e exige altíssima votação e significativo
espalhamento territorial do voto. De qualquer forma, sua participação propiciou alguma
memória importante para uma faixa de eleitorado de mais idade e que já havia votado naqueles pleitos.

Tenha o leitor por hipótese que Suplicy não tivesse se candidatado e as demais condições inalteradas a votação total do partido seria de 485.776 para uma média 5.997. Mas se houvesse uma boa vontade para melhorar um pouco a média dividindo o total do partido por 80 candidatos e não 81, a média subiria para 6.072. E se a partir daí se multiplicasse tal média novamente por 81, o total subiria para 491.848. Seja qual fosse o número escolhido para divisão pelo mesmo Q.E (92.378), mantendo-se as mesmas as demais condições dessa eleição, a agremiação teria somente cinco vereadores (7) e correndo o risco de não eleger outro pelo mecanismo das médias. Desse modo, é fácil perceber que ele foi efetivamente um puxador de votos.

A seguir, tomo o exemplo do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) por ter
elegido o mesmo número de vereadores que o PT; oito, embora apresentando uma distribuição diferente: seis eleitos pelo Q.E e dois pelas médias. Rute Costa (também reeleita) foi a mais votada entre seus companheiros, amealhando 9,84% dos votos nominais (CVN) e 6,66% do total recebido pela agremiação (CVP), mas se constitui em uma puxadora de votos somente de nível 3. Observe a diferença de importância dela para seu partido ao ser comparada ao do candidato Suplicy para o seu, pois enquanto o petista foi o mais votado de todos os 55 eleitos, Rute obteve apenas a 11ª colocação geral. Ainda assim, o PSDB teria eleito os seis edis pelo Q.E, mas sem ter segurança se conseguiria eleger os outros dois pelas médias, mesmo recorrendo aos dois expedientes que utilizei com Suplicy. Desse modo, o PSDB, que lançou 82 concorrentes (contando a própria Rute) contou mais com a força do coletivo do que a de um nome em particular.

Depois do vereador Eduardo Suplicy, o segundo puxador de votos nível 1 da CMSP foi
o veterano Milton Leite da Silva, pertencendo ao Democratas (DEM) (atual União Brasil),
várias vezes presidente da CMSP e mesmo agora em que este artigo era escrito. O DEM elegeu um total de quatro por Q.E e um pela média. Portanto, Leite contribui para a eleição direta de ao menos mais três colegas e indiretamente o quarto. Tal desempenho é contrabalanceado pelo fato de o DEM ter alcançado apenas a quarta maior votação da casa.

O terceiro puxador de votos nível 1 da câmara paulistana é Mario Palumbo Jr do MDB,
partido este que elegeu somente três vereadores sendo dois por Q.E. (um deles o próprio Palumbo e o outro George Vatutin Hato) e o terceiro por maiores médias. Explica-se o modesto desempenho em número de eleitos uma vez que o MDB alcançou apenas a sétima posição na votação total.

Finalmente, na câmara paulistana, o quarto parlamentar de nível 1 foi Felipe Becare
Comenale, PSD, que tal como o MDB elegeu somente três edis, dois dos quais por Q.E (sendo o próprio Felipe um deles) e um pela média. A mesma explicação dada acima vale para o caso do PSD de Becale, acrescentando que a legenda ficou na oitava posição no total de votos.

Mas não seria possível concluir o tópico sobre São Paulo ignorando o desempenho do
PSOL que não contou com qualquer puxador de votos de nível 1, mas que elegeu a terceira maior bancada com seis vereadores sendo quatro destes por Q.E e dois pela média. Érika Hilton, a vereadora autodeclarada transexual, que foi a mais votada da legenda e que dois anos mais tarde foi eleita deputada federal (pleito de 2022), é nível 2, todavia com coeficiente de 0,55 próximo do limite inferior desta classificação.

Ou seja, o que o exame da CMSP revelou é que o puxador de voto se trata efetivamente
de fator importante para desempenho que permita eleger outros pelo partido, mas a diferença no resultado final será muito mais pela combinação deste com uma boa votação geral nominal e, de preferência, que os votos dados exclusivamente à legenda sejam iguais ou maiores do que os emitidos para os segundos colocados das legendas que elegeram uma bancada de ao menos dois parlamentares.

Mas será que isso é semelhante na câmara carioca? O que se passou por lá na eleição de
2020? É o que veremos a seguir.

Os puxadores de voto na Câmara Municipal do Rio de Janeiro (CMRJ)

A CMRJ, tal como a CMSP, também elegeu quatro puxadores de voto nível 1, o que significa número proporcional maior que sua congênere paulistana haja vista que sua magnitude é menor (51 vereadores); quatro cadeiras a menos.


O percentual médio do coeficiente de votos do primeiro colocado dos 22 partidos que
elegeram vereadores na câmara carioca é de 13,48, número relativamente alto e que indica a força dos puxadores de votos. Este número como outros poderia ser mais alto não fosse o fato de muitos partidos terem conseguido assento na câmara.

A média das diferenças entre os percentuais de votos obtidos pelos puxadores de votos e os votos conquistados exclusivamente pelas legendas é de 15,13, reforçando tal superioridade, embora em três casos individuais (PDT, NOVO e PSL) os votos dados para o partido se sobrepuseram aos puxadores.

A diferença de desempenho entre os puxadores de votos eleitos e não eleitos na câmara
carioca também se faz bem evidente, relembrando o que já havia mencionado sobre a câmara paulistana, ou seja, entre os não eleitos só há os de nível 3, que ficam abaixo de 0,5 em relação ao quociente eleitoral (Q.E). A concentração média dos percentuais de votos (CV) no partido é bem inferior ao dos eleitos, e igualmente o coeficiente em relação à média do partido (COEF PUXVOT / MED PART) e também a diferença média entre os votos dos puxadores e os dados somente para a legenda (veja a tabela seguinte).

Os quatro puxadores de votos nível 1 da CMRJ pela ordem decrescente de seus coeficientes em relação ao Q.E. foram: Tarcisio Motta (PSOL) (1,68), Carlos Bolsonaro
(Republicanos) (1,38), Gabriel Monteiro de Oliveira (PSD) (1,17) e o ex-prefeito Cesar Maia (DEM, mas atualmente no PSDB) (1,07).

Começo então pelo PSOL que elegeu sete vereadores sendo cinco pelo Q.E e dois pela
média, embora a votação da legenda tenha sido a segunda maior. Tarcisio, que se constituiu no vereador mais votado para a edilidade dentre os 51, foi reeleito com votação nominal bem superior a que havia obtido em 2016, e com expressiva superioridade perante o segundo colocado da agremiação Chico Alencar (ex-deputado federal e ex-vereador no início da carreira). Tarcisio foi candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro em 2018, ficando em terceiro lugar, mas obtendo 819.248 votos. E desse contingente de votos recebidos à época, 442.027 (54%) foram colhidos na capital. Ambos seriam eleitos deputado federal em 2022. Tarcisio obteve 29,83% de concentração de votos (CV) no total do partido e com 23,92 pontos de vantagem sobre os dados à legenda, que recebeu 5,92% dos eleitores.

Em seguida está o REPUBLICANOS, que também elegeu sete vereadores da mesma
forma que o PSOL, embora tenha tido mais votos que o rival. Carlos Bolsonaro, filho do então presidente Jair Bolsonaro, foi o puxador de votos da agremiação, embora reeleito com votação inferior em números absolutos e proporcionais da que havia sido em 2016, e se tornando dessa vez o segundo mais votado da casa. A concentração de votos nominais (CVN) de Carlos no total dos seus companheiros do REPUBLICANOS foi de 24,8 e uma superioridade em relação aos votos emitidos somente para a legenda de 21,4 pontos. Porém, a legenda teve um fraco desempenho recebendo 2,69% de todos os votos da agremiação, explicando parcialmente a enorme diferença a favor do vereador. Finalmente, o coeficiente de votos em relação à média geral do partido foi de 17,86.

O terceiro maior puxador de votos nível 1 da CMRJ foi Gabriel Luiz de Oliveira (8)
, que se elegeu pelo PSD, não tendo sido vereador na legislatura passada pelo critério de eleitos. No entanto, o PSD foi somente o quinto partido mais votado e elegeu três vereadores, Gabriel incluído, sendo ele e um segundo pelo Q.E e o terceiro pela média. O recém eleito apresentou 49,5% de CVN e se impôs em 47,8 pontos percentuais sobre os dados ao seu partido, que teve baixa recepção com somente 1,72% do total. A votação de Gabriel apresentou um coeficiente em relação a média geral do partido (nominais mais legenda) de 23,8.

Finalmente, o quarto puxador de votos nível 1 da CMRJ foi Cesar Maia, ex-prefeito do
Rio de Janeiro em três mandatos, que foi reeleito vereador em relação a 2016 sendo o quarto mais votado da câmara e o puxador do DEM, mas que também repartiu a dianteira em número de cadeiras com REPUBLICANOS e PSOL com sete vereadores. Sua concentração CVP foi de 20,1% e a CVN de 23,93%, valores muito superiores ao do segundo colocado da agremiação que teve 9,58% no primeiro e 11,4% no segundo. Além disso, a diferença da votação de Maia para a total dada ao partido foi positiva em 4,1 pontos percentuais, sendo que os votos dados exclusivamente à legenda (16%) situaram o partido como a terceira legenda mais forte dentre os eleitos, tendo o valor desse indicador ficado atrás apenas de PDT e NOVO, os quais elegeram somente um vereador cada. Cesar se encontra em uma situação rara de ser um político que no âmbito municipal foi primeiramente prefeito da segunda maior cidade do Brasil para depois se eleger vereador (9). Seguramente a condição de ex-chefe do executivo carioca foi fator da maior importância para suas eleições recentes.

Para quem quer o bem aos fatos, não só ele César Mais está em uma situação rara nesta
eleição, mas o candidato a prefeito Eduardo Paes, sobre quem já me referi no início, e que foi lançado à política pelo próprio César Maia, ainda que buscando um caminho próprio a partir de sua primeira eleição ao executivo, para em 2020 convergir com o ex-chefe do executivo carioca.

(Continua)

Notas:

(7) No critério mais conservador o quociente seria de 5,19 e no mais otimista, 5,32.

(8) Gabriel Oliveira, um ex-policial militar que foi expulso da corporação em 2020 acusado de deserção. Ele se tornou famoso pela condição de youtuber e influenciador, mas teve o mandato cassado devido a acusação de estupro de uma jovem e de assédio sexual e moral a funcionárias do seu gabinete.

(9) Sem se esquecer que sua trajetória político-eleitoral teve início quando se elegeu em 1986 deputado federal e constituinte.

Puxadores de Votos nas duas maiores câmaras do Brasil. Por Rui Tavares Maluf. São Paulo, Março de 2024

* RUI TAVARES MALUF. Pesquisador, consultor e professor universitário. Ex-professor da Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo – Escola de Humanidades (2005-2022), das Faculdades Campos Salles (2001-2011) e de outras instituições de ensino superior. Fundador e editor da consultoria e do site Processo & Decisão. Doutor em ciência política (USP). Mestre em ciência política (UNICAMP). Autor dos livros Amadores, Passageiros e Profissionais (2011) e Prefeitos na Mira (2001), ambos pela editora Biruta. Autor de inúmeros artigos sobre política municipal, nacional e internacional do Brasil em relação aos países da América do Sul.

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Carta para Elon Musk

Prezado Musk

Vou chamá-lo de Mr X, por óbvias razões, e me apresento com Y. Vamos ao que interessa: o senhor é dono de uma fortuna incalculável e ideias também inumeráveis. Eu, na contra mão financeira, não disponho de recursos, mas sim de algumas ideias. Uma delas é criar o “espaço eterno”, ou ” a caminho de Deus”: um projeto de lançar as cinzas de pessoas falecidas no espaço sideral! Um amigo meu adorou e já se candidata a lançar o pai dele, em uma cápsula com a bandeira do Vasco, para a Lua. Sim, o pai era um sujeito realmente lunático e merece essa homenagem. Eu proponho o negócio, uma parceria do tipo “caracu” ( depois te explico melhor) em que vamos faturar com os defuntos astronautas, a tabela de preço é gradativa:

  • em órbita da terra: 1 milhão de dólares
  • destino Lua: 5 milhões
  • destino Plutão ( longe pra karaii), ideal para sogras: 20 milhões
  • buraco negro: de graça para Lula!

Enfim, business is business. Fico a sua disposição para as nossas tratativas, e vou levar meu amigo “Z” para te apresentar, faremos o trio X, Y, Z que já é famoso na matemática e o será em nosso próximo projeto!

Best regards

Mr X

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PUXADORES DE VOTO NAS DUAS MAIORES CÂMARAS DO BRASIL – Parte 1

Por Rui Tavares Maluf*

Há vários anos me debruço sobre resultados eleitorais das eleições legislativas proporcionais, tendo em conta o impacto gerado pelas regras que os condicionam, o que me dá alguma cofiança para ao afirmar, ao menos, duas coisas muito interligadas:

1) de forma geral os eleitores dispõem de poucos recursos para que possam fazer uma boa escolha, isto é, combinar o nome que lhes pareça mais adequado para viabilizar suas ideias e interesses com a viabilidade eleitoral, e;

2) os partidos políticos, por seu turno, têm resultados com baixa eficácia considerando os recursos financeiros que lhes são colocados à disposição.

Parte da dificuldade a envolver eleitorado e partidos se deve, tal como já apontei em
mais de uma oportunidade e também vários especialistas, na combinação de eleições
proporcionais de listas abertas nas quais inexiste hierarquia de candidatos defendidos pelas organizações com a existência de muitos partidos. É verdade que estes últimos tendem a sofrer redução ao longo do tempo com a adoção da cláusula de barreira, ou melhor, com a o retorno de sua aplicação colocando-a em um patamar a gerar maior dificuldade. Grosso modo a cláusula de barreira é um piso mínimo obrigatório de representatividade parlamentar para os partidos acessarem recursos que os permitam a contar com os fundos eleitorais. Ainda assim continuarão existindo muitos na disputa complicando os cálculos, pois os próprios representantes populares criam brechas na legislação de maneira a reduzir o impacto.

Apesar da menção que faço a tais problemas, quero aqui me dedicar a outros que se
relacionam muito mais a planejamento dos partidos do que propriamente às regras. Como nós, eleitores, voltaremos às urnas em outubro próximo a fim de escolhermos prefeitos e vereadores, vou me valer aqui dos resultados eleitorais para câmaras municipais e focando nos resultados dos dois maiores municípios do Brasil; São Paulo (Magnitude de 55, isto é, número de vagas) e Rio de Janeiro (Magnitude de 51). É evidente que as câmaras de São Paulo e Rio de Janeiro se constituem em um desvio numérico no conjunto dos 5.569 municípios que possuem magnitudes entre 9 e 13 vereadores. De qualquer forma, as câmaras escolhidas atendem ao meu propósito.

De forma geral os partidos procuram ter, compreensivelmente, candidatos que contem
com algum apelo eleitoral, o chamado “puxador de votos” (1), mesmo que tal recurso fizesse mais sentido no caso de as eleições serem com listas fechadas nas quais haveria uma ordem de preferência, isto é, candidato oficialmente colocado em primeiro na lista, em segundo e assim por diante. No exemplo da lista fechada, o primeiro da lista é sempre aquele candidato que o partido julga ter maior visibilidade e aceitabilidade junto ao eleitorado, ou a segmento deste, produzindo, assim, certa feição de eleição majoritária. Isso significa que os votos dados pelo eleitor seriam muito mais para o partido, pois se o candidato que ele eleitor preferir escolher for o quarto da lista, ele terá mais condições de saber a oportunidade do mesmo caso as pesquisas de intenção de voto indiquem que o partido tenderá a eleger somente três. Nesse último caso haveria de forma mais forte a associação entre indivíduo, o candidato, e o coletivo, o partido.

Assim, todo e qualquer candidato teria maior incentivo para defender o partido pois sua
oportunidade de eleição passa pelo êxito da organização.

Apesar da regra da lista aberta adotada no Brasil não apresentar ordenamento, ainda
assim alguns partidos aprenderam em eleições mais recentes a dar mais atenção a uns do que a outros, pelo simples fato de que as direções das agremiações exercem controle sobre vários aspectos da vida das legendas. Uma maneira de fazer isso sem gerar grande mal estar entre os candidatos, e sem excluir as candidaturas mais relevantes, é estimular e propagandear o eleitor que o importante é votar no partido, ou seja, no número da legenda, mesmo que não se saiba ou se tenha um candidato (2). Alguns partidos pequenos, os denominados ideológicos à esquerda, nem sempre contam com estas figuras e, assim, a “força” estaria apenas no coletivo. Votos dados exclusivamente para os partidos tem menor participação no total dos votos válidos da agremiação, embora com variações importantes para cada legenda, como mostrarei mais à frente.

Além dos candidatos puxadores de votos, os que são mais representativos com base nas
eleições anteriores e de representantes na Câmara dos Deputados, tendem a apresentar maior número de candidatos com o propósito de que a quantidade ajude ao partido superar o chamado quociente eleitoral (Q.E.) e ter um bom quociente partidário (Q.P) (3)
, que serão os responsáveis pelo tamanho de suas bancadas, ou seja, de quantos representantes conseguirão eleger. Contudo, apresentar muitos candidatos, ocupando o limite legal, pode não ser uma boa ideia e produzir efeito diferente do esperado de tal forma que candidatos de pouca expressão ficariam com votos de outros com maior relevância política para o partido.

Feitas estas duas observações, procuro encaminhar respostas para perguntas que são
muito entrelaçadas, a saber: qual a eficácia do candidato puxador de voto, que aqui defino simplesmente como sendo o mais votado pela agremiação e não pela identidade do indivíduo, se é que a agremiação tenha mesmo tomado tal decisão em prol daquele que acabou sendo o mais bem votado? Mas como explicarei mais à frente, o puxador de voto tem de ser mais do que simplesmente o que obteve mais votos entre os pares da legenda. A outra questão é: qual o impacto da quantidade de candidatos como meio para eleger o maior número possível de representantes, no caso vereadores? E, por último: os partidos políticos fazem alguma diferença em relação aos puxadores de votos:

Resumo geral

Em São Paulo (SP), 33 partidos concorreram a uma vaga com um total de 1.867 candidatos (33,9 candidatos por vaga) e 18 legendas conseguiram eleger ao menos um vereador para as 55 cadeiras, sendo que 39 foram eleitos por QE (70,9%) e 16 pelas maiores médias (29,1%), que doravante passo a me referir apenas como média. Das 55 vagas em disputa, 34 vereadores foram reeleitos quando comparados à eleição de 2016 (61,8%) considerando somente os que foram eleitos titulares naquele ano e na de 2020 (4). Os dois partidos que mais elegeram vereadores à CMSP foram PT e PSDB, cada um conquistando oito vagas, sendo que o segundo também venceu a eleição para o executivo municipal com o então prefeito Bruno Covas Lopes Neto.

No Rio de Janeiro, 32 partidos entraram na disputa com 1.692 candidatos inscritos para
as 51 vagas (33,2 candidatos por vaga), dos quais 37 indivíduos foram eleitos pelo QE (72,5%) e 14 pelas maiores médias (27,5%). Das 51 vagas disputadas, 31 vereadores foram reeleitos em relação a 2016 (60,8%) sob o mesmo critério utilizado para São Paulo. Os partidos políticos mais votados para a CMRJ foram pela ordem REPUBLICANOS, PSOL e DEM, mas os três dividindo o mesmo número de eleitos; sete cada. REPUBLICANOS e DEM foram, ainda, os finalistas na eleição para prefeito, decidida no segundo turno, com a vitória do candidato deste último, Eduardo da Costa Paes, que iria para seu terceiro mandato não consecutivo no referido cargo.

Os votos válidos de todos os eleitores paulistanos somaram 5.080.790 resultando em um
Q.E de 92.378. Já o dos cariocas alcançaram 2.624.11 produzindo um Q.E de 51.453. As taxas de marginalidade eleitoral (TME) das duas câmaras foram de 43,07% na paulistana e de 45,44% na carioca. (5)

Número de candidatos versus Número de Votos Totais

Sob a perspectiva de que a quantidade de candidatos possa fazer a diferença para a eleição de candidatos, a lição mais básica para responder a esta pergunta é verificar se realmente isso fez a diferença considerando que em um limite máximo para a câmara paulistana um partido poderia lançar até 83 candidatos e para a carioca até 77, pois a legislação permite até 150% das vagas.

Pois bem, a resposta para a Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) é mais ou menos.
Se o critério de análise para responder for o do teste de correlação linear das variáveis número de candidatos por partido e número de votos recebidos, o qual mede a força da associação entre duas variáveis com o máximo positivo de (6) 1 e o negativo de -1, o valor encontrado foi de 0,493. Ou seja, não dá para ignorar que existe alguma associação positiva, mas este não chega à metade, isto é, 0,5. E para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro (CMRJ) o valor foi de 0,408; ainda menor.

Portanto, a quantidade de candidaturas não foi um fator tão decisivo assim, ainda que
não possa ser desprezada.


Concentração de votos nominais (CVN) versus concentração de votos no partido (CVP)

Porém, é recomendável ir um pouco além do exame que fiz do número de candidatos versus votos totais e me valer ainda da comparação entre a concentração de votos nominais dos candidatos primeiros colocados no total dos votos nominais frente à concentração de votos dados exclusivamente ao partido (CVP). Quero dizer ao falar em concentração de votos que estou me referindo ao percentual dos votos nominais dos candidatos que ficaram em primeiro lugar em seus partidos em relação ao conjunto dados aos seus companheiros. Novamente me socorri do teste de correlação linear para verificar uma possível associação e o que obtive foi um modestíssimo valor de 0,260 para a CMSP e um moderado para a CMRJ; 0,435.

E por que examinei estas duas variáveis? Para saber se não haveria uma tendência de
que em havendo participação muito elevada da CVN do primeiro colocado, os votos na legenda caminhariam em sentido contrário, pois o puxador de votos seria “O Cara”. Desse modo, mesmo que os valores para as duas câmaras tenham sido baixo e modesto, é interessante observar que ambos foram positivos.

CVP versus CVN pelos percentuais

Já que me vali do teste de correlação entendo que também acrescentará muito para a observação e análise da eleição dos parlamentares municipais que eu mire sobre os percentuais das CVP e da CVN dos primeiros colocados, seja abrangendo a totalidade dos partidos que disputaram quanto segregando por eleitos e não eleitos. Entretanto, diferente da CVN meramente nominal que trouxe para análise no teste de correlação, agora a CVN incidirá sobre o total dos votos recebidos pelo partido, o que significa ter por base a soma dos votos nominais mais os dados à legenda.

Na CMSP, o percentual médio da CVP dos 33 partidos que concorreram foi de 12,18,
segregando para os 18 partidos que elegeram ao menos um parlamentar foi de 10,8 e para os 15 que não elegeram ninguém de 13,84. Na CMRJ, por sua vez, o percentual médio do CVP foi de somente 8,71, menor ainda para os eleitos, 6,6 e bem maior para os não eleitos, 13,33, praticamente se equiparando à edilidade paulistana.


Mas ao comparar a CVP com a CVN dos primeiros colocados não resta qualquer dúvida
que os primeiros colocados contam com uma participação bem maior do que os votos dados a legenda exclusivamente nas duas câmaras. A única equivalência ocorre na câmara carioca ao comparar o desempenho entre os não eleitos (ver na próxima tabela).

(Continua).

Notas:

(1) Certamente, o(a) candidato(a) a prefeito(a) do partido pode ser entendido como puxador de votos para os (as) candidatos à câmara municipal, mas nem todos os partidos lançam uma candidatura ao executivo municipal e nem todos que possuem candidato próprio ao cargo executivo possuem algum com força expressiva.

(2) Por outro lado, vale ecordar que a rejeição a alguns partidos leva a muitos candidatos só fazerem a propaganda do seu número e não da legenda com receio de restringir suas possibilidades eleitorais. Até recentemente o caso emblemático foi o do Partido dos Trabalhadores (PT), por ser uma organização que se criou com ideologia de esquerda declarada e compromisso partidário, mas que em decorrência de seu envolvimento em investigações da Operação Lava Jato os omitiu.

(3) É conveniente lembrar ou onhecer a regra. Para ter ao menos um representante no legislativo pelo mecanismo do Quociente Eleitoral (QE), o partido recisará igualar ou superar o QE que é definido pelo resultado da divisão do total de votos válidos gerais do pleito (excluídos os brancos e nulos) pelo total de vagas (55 no caso da câmara paulistana e 51 no da carioca) e depois os obtidos por cada legenda pelo próprio Q.E. Como os quocientes são quase sempre números decimais (não inteiros), sobrarão vagas que precisarão ser preenchidas. E estas o serão pelas maiores médias as quais se obtém pela divisão do número de votos do partido mais um pelo total de vagas obtidas. Ainda assim, um partido pode eleger um candidato pelo mecanismo das médias sem ter alcançado o QE. No caso da câmara paulistana em 2020, este foi o caso de três agremiações: o Partido Social Cristão (PSC), Solidariedade e Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Isso se deve ao fato de que estes partidos não tinham médias e tomam-se como sendo média as votações totais dos mesmos. Na carioca o MDB e o PROS (este último deixou de existir em 2023 quando foi incorporado ao Solidariedade).

(4) Há mais de um critério para medir reeleição e renovação e sua escolha depende do que se pretende demonstrar. Mas adianto que alguns são superiores a outros, embora não seja aqui necessário explicar. O que escolhi atende a um propósito mais limitado e não inclui suplentes de 2016 que assumiram vagas de titulares que se elegeram nas eleições de 2022 para outros mandatos. A TME é a soma dos percentuais dos votos brancos, nulos e da abstenção em referência ao eleitorado apto a votar.

(5) A TME é a soma dos percentuais dos votos brancos, nulos e da abstenção em referência ao eleitorado apto a votar.

(6) Apenas esclarecendo aos que estão desacostumados com esta medida. O valor positivo de 1 quer dizer que os valores das duas variáveis caminham na mesma direção a partir de zero. E no caso negativo é que ambas seguem em caminhos contrários, ou seja, aumentando uma diminui a outra.

Puxadores de Votos nas duas maiores câmaras do Brasil. Por Rui Tavares Maluf. São Paulo, Março de 2024

* RUI TAVARES MALUF. Pesquisador, consultor e professor universitário. Ex-professor da Faculdade de Sociologia e Política de São Paulo – Escola de Humanidades (2005-2022), das Faculdades Campos Salles (2001-2011) e de outras instituições de ensino superior. Fundador e editor da consultoria e do site Processo & Decisão. Doutor em ciência política (USP). Mestre em ciência política (UNICAMP). Autor dos livros Amadores, Passageiros e Profissionais (2011) e Prefeitos na Mira (2001), ambos pela editora Biruta. Autor de inúmeros artigos sobre política municipal, nacional e internacional do Brasil em relação aos países da América do Sul.

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

O equilíbrio que o centro traz

Lula e Bolsonaro impõem ao Brasil uma polarização política que precisa ser rompida.

Escreve Merval Pereira: ” infelizmente dependemos de um líder equilibrado e popular para colocar o trem no trilho novamente”. Esse trem é o Brasil.

O Lula não muda sua forma torta de ver a política e já está velho, fora de combate, a esquerda é burra e a direita vem vendendo incompetência nas mãos do Bolsonaro; então há uma janela de oportunidade para a entrada de um novo líder de centro/direta, com capacidade de mudar e atender as demandas do povo que é conservador e pacífico.

O ato em São Paulo mostra isso e o caminho é do centro com viés de direita: as políticas sociais da esquerda não se sustentam mais, o Brasil precisa de emprego e desenvolvimento, não de esmola. Vamos esquecer os extremos e focar no equilíbrio que o centro traz, essa é a solução mais fácil e inteligente.

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

Problema estrutural

Mesmo com intensas buscas, fugitivos ainda não foram recapturados.

Após uma semana de busca pelos dois fugitivos, temos, somente, a prisão de três suspeitos.

Conclusão: o estado está falido, com 500 homens na captura dos criminosos, com uma prisão de segurança máxima sem segurança, com uma vigilância incompetente, com o crime organizado avançando nas cidades.

Não precisa nada mais para constatar que o problema é gravíssimo, estrutural e vem das políticas públicas erradas do governo federal.

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

Frase desastrosa

Presidente discursa na África.

O presidente Lula não mede suas palavras. A liturgia do cargo não permite deslizes e não vai perdoar.

Dito isso, o que ele falou não se fala nem no botequim da esquina, pois certos fatos são incomparáveis: a divindade de Jesus Cristo; a santidade do Papa; a majestade de Pelé; a inteligência de Einstein; o holocausto.

E a pergunta que não se pode calar: o que o nosso país ganha com essa frase desastrosa? Brigar com países poderosos é ruim, melhor ainda, é péssimo! Israel e EUA vestem a mesma camisa.

O presidente Lula tem um ego maior que o poder, não sabe dominar suas frases de improviso, sua ganância pelo aplauso, nem sua estupidez. Sua atenção é para a política externa, para ser reconhecido como um líder mundial, se candidata ao prêmio Nobel da paz(SIC ).

Agora resta apagar a imagem negativa do que falou ou, simplesmente dizer, “quem falou foi um amigo meu”.

Que vergonha!

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

Ruptura versus diálogo

Joana, Rainha de Nápolis, em Brasília (Imagem gerada por IA)

Somos inocentes úteis acreditando em tudo que se escreve ou se fala dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal), do presidente da República, de nossos (?) senadores, deputados federais, governadores e prefeitos?

A pergunta surge da afirmação “Diálogo ou a sombra da ruptura” (OESP, 08/01/2024, A5) que advém da “carroça política” (idem) e que confirma que o Brasil, há muito tempo apresenta soluços no refrão “sabe com quem está falando”, “bolsonarianos”, onde o conservadorismo, mesmo guturais, nada culturais, tentam tapar o sol da democracia com uma peneira, uma democracia que o autor do artigo mencionado, (C.A.Di Franco) nomeia e busca na “força e o brilho da liberdade”.

No contexto do artigo, se constrói uma visão real da arena política brasileira, onde fanáticos de todos os tipos olham para um grande jardim e esplanada chamada Brasília, como se o local fosse a famosa “Casa da mãe Joana”.

Adentrando ao local são encontrados diferentes níveis intelectuais que ocupam salas e cargos de nomes “pomposos” e agem como se o ambiente (material, político e principalmente social) permitisse fazer o que quisessem, sem respeitar nenhum tipo de normas da casa ou as leis locais ou gerais.

Brasília e várias capitais e cidades pelo Brasil afora estão repetindo, pelos seus representantes públicos, as artimanhas da Rainha de Nápolis e Avignon, Joana I, que acobertava prostíbulos obrigando a todos os frequentadores a pagarem as “taxas de pedágio” tão a gosto de nossos representantes legais e ilegais.  “Ao agirem dessa forma ensimesmada, apartada dos anseios de boa parte da população,.. ” 

Brasília e tantos outros locais onde políticos e zumbis agregados que sobrevivem à custa do “toma lá, dá cá”, poderiam ser identificados como frequentadores da “Casa de mãe Joana”.

Mas existe uma diferença, Joana era rígida tanto com os habitantes da casa, quanto com os visitantes — aqueles de passagem, por que ela sabia que muitos, chegando a estes locais, fazem de tudo para permanecerem no “dolce far niente”? Inclusive ela, no cargo semelhante a um Presidente da República, do Senado e até de ocupantes de cargos públicos, chamados vitalícios.

Joana estará chegando ao mesmo ponto do artigo “...parecem não perceber que suas decisões e atos são cada vez menos vistos como justos e legítimos.”  Será necessária uma Ruptura para que haja DIÁLOGO… 

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

Sentimentalismo político

Para muitos, o ‘oito de janeiro’ foi desejado pelo próprio governo.

O povo brasileiro, infelizmente, é pobre e ignorante. O governo sabe como enganar o povo da maneira mais fácil: sabe confundir (via mídia) e trazer a “verdade” deles.

A invasão dos três poderes foi desejada pelo atual governo para ser o símbolo da democracia, além de tentar matar o antigo inimigo de direita.

A esquerda domina e quer se perpetuar no poder, são radicais e a favor de uma ditadura de esquerda: basta ver o discurso do PT; mas vestem a camisa da democracia para obter de forma mais fácil seu objetivo.

A mentira é visível e, vestida de verdade, engana os humildes eleitores que são “adestrados” a concordar com quem lhe dá a ração (bolsa família, etc): vivemos um mundo cão, simples assim.

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

Sobre o 8 de Janeiro

Democracia exige consciência cívica.

A democracia tem o povo como sua força maior, e seu maior problema também: a população é manipulada pelas forças políticas, por ser ignorante e facilmente enganado.

Esses políticos não desejam melhorar a capacidade de decisão do povo buscando se perpetuar no poder. Assim aconteceu com as manifestações agressivas do 8 de Janeiro, resultado de políticos que são eleitos nesse país: um ciclo vicioso e perigoso que afunda a nossa nação e destrói a democracia.

Tanto a esquerda quanto a direita têm o objetivo adverso ao crescimento educacional da população, o convencimento é mais fácil quanto maior a incapacidade de questionamento da população: vivemos, cada vez mais, plantando a desinformação e fazendo homens sem futuro.

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

Promessas para 2024

É comum se fazer promessas na virada do ano, já se sabendo que o entusiasmo do momento vai aumentar a fé e a realidade da vida fará com que muitas não sejam cumpridas. Normal.

No mundo político as promessas sempre serão as melhores e mais impossíveis, sem remorsos e com a certeza da mentira de “boa fé”, assim é que funciona a realidade do Brasil: a mentira vende mais que a verdade.

Para os que estão no poder, as promessas miram o devaneio total: déficit zero, inflação sob controle e juros baixos. Como a mentira dá frutos, os mais “espertos” vão surfar nessa onda para interesses próprios.

Assim segue o Brasil dos privilegiados e dos abandonados, na proporção de 1 pra 10 vamos seguir rumo ao futuro incerto com uma única certeza de que não há solução no curto ou médio prazo, e que o Brasil é o país das promessas perdidas.