É preciso que os poderes do Estado brasileiro compreendam que os limites existem para os preservar em equilíbrio.
STF e Senado precisam se limitar às suas atribuições constitucionais.
Montesquieu desenhou o seu modelo de Estado dividindo o poder em três e colocando os limites entre eles naquilo que ele chamou de “freios e contrapesos”.
É preocupante observar que, passados trinta e cinco anos desde a edição de nossa atual Constituição, a despeito de estarmos vivendo nossa mais longeva experiência democrática, Executivo, Legislativo e Judiciário ainda não se acomodaram.
Isso demonstra o cidadão brasileiro tem espírito democrático. Quem não o tem são aqueles que mais deveriam preservar — nosso poder constituído.
Vivemos a infeliz experiência de ver ocupando a principal cadeira do Executivo nacional um anti-democrata. O atual, vez ou outra, também dá suas escorregadelas — não avança porque tem a certeza de que o Exército jamais o apoiaria, erro que levou o anterior a se ver, agora, diante da Justiça.
Quanto ao Legislativo, esse procura encurralar e chantagear o Executivo. Apossou-se do orçamento e mesmo abocanhando cargos, não se dá por satisfeito. Interesses e urgências do povo? Para deputados e senadores, isso é questão menor.
Diante da sua omissão, pretende limitar as decisões do Judiciário, aumentando o conflito entre os poderes. Não cria as normas cuja obrigação lhes é própria e quando o Judiciário dá a resposta de que o país precisa, quer-lhe alterar a decisão, criando uma Lei para anulá-la — esquece-se que, para isso, precisa enfrentar um PEC.
Já o Judiciário se vê no direito de prender e mandar soltar conforme posições idiossincráticas. Não dá para não ver nisso visos ditatoriais. Vai perdendo a confiança do cidadão, fato que anima os seus inimigos de plantão. Fato desmoralizante foi derrubar todas as conquistas da Lava Jato simplesmente para permitir que um condenado pela própria casa disputasse o pleito presidencial. Vergonha.
Tem sido uma grande vitória civilizatória para o Brasil vencer as estratégias costuradas para derrubar a atual ordem constitucional. Quem apoia a isso, não percebe que tem servido às elites de sempre.
Democracia dá poder e melhores condições de vida à classe baixa. Para isso, uma pequena fatia da classe alta deve ser sacrificada. Isso o rico não admite.
A classe média deveria pensar melhor nisso. Afinal de contas, quando o pobre vira bandido, é ela que passa a ser o alvo mais fácil. Basta de ser massa de manobra.
A seca atinge a Amazônia, secam os rios e as queimadas avançam. O Brasil está sendo prejudicado pelo aquecimento global. Fato.
Seca traz imagem de desolação à região amazônica.
O pior é a seca de idéias para melhorar o país que sofre da seca de segurança pública, transporte de massa, crédito, e, fundamentalmente de governo. Que venham as chuvas, de idéias.
Só Brasília não sofre: uma ilha da fantasia onde a realidade é outra, chovem cargos, festas comemorativas, verbas para interesses próprios, um outro mundo dos poderosos e ricos. O Lula, para uma cirurgia, levou 20 profissionais do hospital mais caro do país para acompanhar a sua cirurgia. É jatinho pra lá, jatinho pra cá.
E para o povo só sobrou o “jeitinho” de sobreviver à míngua.
No momento, até o presidente do Senado tropeça. Insinua mudanças no instituto da reeleição, além de se render ao velho poder dos ruralistas.
Sarney teve o mandato de 5 anos, o que apenas aumentou a agonia dos brasileiros.
O presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) defendeu o fim da reeleição para os cargos do executivo. Para ele, o sistema “não funcionou”. A questão é que esse não é o assunto que deve preocupar o chefe de uma das casas legislativas. Não é para isso que elas existem.
Não bastassem os ataques que vêm da Câmara dos Deputados à moralidade da política brasileira, surgem também no Senado ruídos preocupantes. O parlamento se presta a definir leis e a fiscalizar o Executivo, não a questionar mandatos ou a inovar no sistema político nacional. Muito menos a criar leis que desautorizam decisões judiciais.
Não que nosso sistema funcione bem.Mesmo que a reeleição tenha sido um equívoco, a hora e o local de discussão são impróprios.
O tempo de mandato de um governo é questão recorrente em nossa política. Vem nos atrapalhando desde o processo constituinte de 1987–1988. José Sarney, então presidente da República, se esforçou — e conseguiu — se manter cinco anos na presidência.
Depois, Fernando Henrique Cardoso criou o instituto da reeleição. Nesse momento, o prazo do mandato já era de quatro anos. Tornar o mandato em cinco anos acabando com a reeleição é retornar àquele caminho pernicioso que nosso sistema político sempre produz — o da reviravolta. Parecemos andar em círculo — porque nossa política assim o faz!
Esse tipo de decisão precisa ser melhor debatida com a sociedade. Mudanças deste jaez não deveriam ter eficácia imediata para evitar que atendam apenas a interesses imediatos.
Quanto ao movimento perpetrado pelo Senado no sentido de aprovar, através de voto-relâmpago o Marco Temporal, matéria que o STF há pouco havia rejeitado, é criar instabilidade. De se lembrar que o STF somente deliberou sobre o assunto por mera negligência do nosso Parlamento, que agora se rebela.
Caberia a Lula vetar e colocar ordem na bagunça, mas, para isso teria de enfrentar os ruralistas. Aos índios, que dias atrás comemoravam, resta a velha e conhecida insegurança.
Como Lula deve se acovardar, caberá a algum partido de esquerda ou organização com legitimidade para tal enfrentar, através de uma ADIN essa lei, o que será, por óbvio, tida como inconstitucional pelo Supremo. Por ir contra decisão daquela Casa, a revisão necessita ser feita via Emenda Constitucional. Essa força o centrão, hoje, não tem!
Uma enorme perda de tempo, energia, e páginas de jornais. É nesse passo que esse país demora em se desenvolver.
Não fosse pelo freio que o Senado impõe, o país estaria vendo derreter conquistas duramente conquistadas.
Lira foi reconduzido ao cargo de Presidente da Câmara para o biênio 2023-2024.
A Câmara dos Deputados, sob a presidência de Arthur Lira (PP) tem aprovado medidas que destroem o pouco de controle a que esses parlamentares estão sujeitos. Frutos, em sua maioria, das “jornadas de 2013”, Leis e regimentos estão sendo abolidos.
Aproveitando-se de frestas abertas pelas urgências impostas pela pandemia de Covid-19, o presidente daquela casa resiste em retomar ao normal o processo de tramitação dos projetos que ali correm.
Exemplos disso é a minirreforma eleitoral. Aprovada a “toque de caixa”, sabe-se, nada mais é do que uma maneira de burlar o percentual designado por lei a cotas para candidatos negros e mulheres em eleições parlamentares. Pior, pretende anistiar os partidos que já atropelaram essa norma.
Ao alterar o regimento da casa, reduziu o poder de obstrução de parlamentares oposicionistas e de partidos menores, o que fere o espírito de uma casa legislativa, onde todos devem ser, ao menos, ouvidos.
Proteção à classe política diante de ilícitos, votações aceleradas, afrouxamento de regras para a indicação a cargos públicos, sem falar no ataque às normas que visam proteger o meio ambiente. Esses são apenas alguns exemplos de como está sendo conduzida a Câmara dos Deputados. Lembremos, ainda, do “Orçamento Secreto“, marca maior desse triste período.
Tudo isso tem sido feito atendendo aos interesses imediatos do Centrão. Mas não se pode deixar de registrar que têm obtido apoio de outros partidos que, no caso, colocam o corporativismo acima da razão e das necessidades do povo, e embarcam na farra.
Por enquanto, o Senado tem servido como freio ao descalabro. O presidente daquela casa, Senador Rodrigo Pacheco (PSD) presta bom serviço ao país ao segurar os ímpetos que vêm da Câmara. É preciso manter um mínimo de seriedade e de respeito no Parlamento. Alí é o lugar do diálogo, não o do açodamento ao votar Leis, nem o do afrouxamento quanto aos controles necessários.
O boiadeiro tange a boiada até a travessia de um rio que tem piranhas, há um risco de insucesso na travessia, porém ele decide avançar e perde centenas de bois…
De quem é a culpa? Do boi ou do boiadeiro?
Agora façamos a comparação com os atos de 8 de Janeiro e as condenações de 17 anos de reclusão. O condenado é boi ou boiadeiro? O boiadeiro maior não será pego, seus auxiliares também vão escapar. Há um “boiadeiro escondido” que é do atual governo e se beneficiou com a invasão, isso fica claro com a complacência da reação dos elementos de defesa.
Para haver um golpe os militares precisam estar mobilizados e isso não aconteceu, então os “bois” foram abandonados e o governo eleito beneficiado. Um grande teatro se fez e agora a corda vai romper do lado mais fraco, até, quem sabe, no futuro um novo governo venha para anistiar os “bois”.
Parlamento não pode aprovar Leis com o açodamento que o Presidente da Câmara quer. Isso denota falta de planejamento e de compromisso com o Brasil.
Seria apenas vergonhoso, senão imoral, o que os partidos políticos tramam para aproveitar-se do dinheiro do Fundo Eleitoral. E aqui todas as tendências se unem — seja de esquerda, de centro ou de direita.
Cabe ao presidente do Senado barrar o ímpeto que vem da Câmara dos Deputados.
Primeiro convém lembrar que foi necessário criar esse fundo para evitar que grandes conglomerados simplesmente “comprassem” as eleições com suas generosas doações. Esse Fundo, todavia, vem sendo incrementado a cada eleição e já se tornou uma grande fonte de renda para as agremiações. Em 2022, o valor passou de algo em torno de R$2 bilhões para R$4.961.519.777,00 — uma aberração.
Pois bem, esse valor deve ser distribuído entre os partidos e esses tem a obrigação de destinar parte dele a candidatura de negros e mulheres. Mas, insistem em não o fazer.
Criou-se, assim, a figura do “candidato laranja”. Após denunciados, o correto seria se defenderem junto ao TSE. Mas, que tal, propor uma “anistia”? É isso que deliberadamente querem e, acreditem, o fazem através de uma PEC — uma Emenda à Constituição para se safar da lei que um dia eles mesmos criaram!
Além disso, foi aprovado pela Câmara dos Deputados uma nova reforma na lei eleitoral (minirreforma) — é a 20.ª desde 1999 — outra aberração!
Para um eleitor já pouco informado, mudanças nas regras eleitorais só tornam o sistema mais distópico. Ademais, o motivo dessa reforma é ridículo. Visa abrandar as punições a partidos políticos que não cumprem a cota mínima de 30%. Mas não só isso. Pretende também flexibilizar a prestação de contas sobre como os partidos usam o fundo eleitoral e, aí sim, algo de aproveitável para disfarçar: regulamenta as candidaturas coletivas.
Como o Planalto se cala, a única autoridade que tem capacidade de alterar os rumos desse retrocesso é o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD). Ele já sinalizou que não irá impor o ritmo que Arthur Lira (PP) pretende e o projeto, ao menos por ora, pode minguar. Parlamentares que trabalham de maneira tão açodada não são sérios. Mas o castigo vem: para valer para as próximas eleições, deve ser sancionado antes de 6 de outubro — o prazo é curto.
De se registrar que, na votação apressada da Câmara, os únicos partidos que votaram mais contra que a favor desse projeto foram o Novo, PSOL, Podemos e Rede. Votaram pelo país e não pelos próprios interesses.
Os responsáveis por esse estado de coisas seriam os “donos” dos partidos. São eles que direcionam esse tipo de ação. Mas não se pode deixar de também chamar à responsabilidade o eleitor. Somos nós, cidadãos que formamos, pelo voto aquela casa e agora, comodamente nos calamos. Não deveríamos aceitar esse descalabro.
Atenção especial ao silêncio das mulheres — àquelas que detém ainda algum poder e voz neste país. Porquê estão assistindo caladas? O que se vê é uma Câmara sob o comando de Arthur Lira e de sua cáfila denominada Centrão, usurpando as possibilidades de representatividade feminina. Conquistar esse espaço novamente depois, será muito difícil.
Regime impôs a existência de apenas dois partidos. Para muitos, o partido do “sim” (MDB) e o partido do “sim, senhor” (Arena).
Engana-se quem enxerga no período da Ditadura Militar brasileira um perfeito alinhamento de ideias daqueles que passaram a conduzir os destinos do país. Apesar de a política do período ter sido sequestrada pelos militares, havia divergência entre eles. A diferença crucial residia no impasse de quando e como se devolver o poder aos civis.
Assim, para bem compreender o período da ditadura militar é necessário fazer a distinção entre os chamados moderados e os oficiais da corrente linha-dura. É equivocada uma visão linear, definitiva e rotulada do período.
Não havia concordância sobre os propósitos dos militares enquanto governo.
Para os moderados, após a tomada do poder político pelos militares e, depois de promovido os ajustes necessários na política do país, o poder deveria necessariamente ser devolvido aos civis.
Isso já havia acontecido em momentos contemporâneos àqueles fatos, como em 1945, quando Getúlio Vargas foi destituído do poder, e em 1951, quando o Exército garantiu a posse de Juscelino Kubitschek. Mesmo interferindo junto ao poder civil, em ambos os casos, a instituição respeitou a ordem democrática.
Entendiam, portanto, que a caserna não era o ambiente adequado para a condução dos destinos da nação. Portanto, deveria interferir cirurgicamente em determinados momentos apenas para reestabelecer a ordem.
Se o poder político foi tomado dos civis, foi com este fito. O de devolver ao país um sistema político que fosse capaz de promover o desenvolvimento segundo os cânones que a própria população desejava, isto é, através da democracia.
Já os linha-dura entendiam que, consolidado o golpe e cansados de socorrer o país nos momentos de angústia, deveriam, desta vez, tornar o poder perene em suas mãos. Viam o cidadão brasileiro despreparado para auto governar-se. Precisavam viver sob um regime ditatorial.
Quando o golpe se saiu vitorioso, o primeiro presidente a ser escolhido tinha um caráter conciliador. Naquele momento, a vida política civil ainda estava viva. Fazia necessário imprimir um verniz de democracia para não afugentar os setores da sociedade que há pouco havia apoiado o golpe. Desta maneira, Castello Branco assume o poder.
Moderado, foi pressionado a tornar o regime ainda mais fechado às liberdades civis. O AI-2 é exemplo disso. O documento encerrou as atividades partidárias no país e impôs o bipartidarismo. Se Castello fez isso contrariado, seu Ministro da Guerra, Costa e Silva regozijou-se com a medida.
O bipartidarismo foi a maneira encontrada pelo governo militar para conter e amordaçar a oposição. Já os Atos Institucionais (AI) foram a forma legal utilizada para cercear direitos básicos do brasileiro, especialmente o direito de se opor à agenda de governo.
Toda a oposição ao governo estava reunida no MDB.
Dessa maneira, os políticos — aqueles que remanesceram aos expurgos promovidos pelo regime — deveriam se abrigar debaixo de apenas duas agremiações partidárias. A Arena (Aliança Renovadora Nacional) era o partido da situação e o MDB (Movimento Democrático Brasileiro), o da oposição — leia-se, oposição consentida.
Para garantir o controle sobre o Judiciário, aumentou-se o número dos Ministros do Supremo, de modo que o regime jamais perdesse uma contenda ali.
Como os fatos posteriores irão confirmar, foi através dos Atos Institucionais que a democracia foi paulatinamente desorganizada, e calada no país. Por eles, permitiu-se ao presidente decretar estado de sítio por 180 dias sem consulta prévia, ordenar intervenção federal nos Estados, acabar com as eleições diretas para governadores. E isso era só o início.
Costa e Silva seria o próximo presidente. Porém, se enquanto Ministro era um defensor contumaz da linha-dura, ao chegar ao cargo, curiosamente, fez esforço para tornar o regime mais humano.
Assinou o pior de todos os Atos Institucionais, o AI-5 contra a sua vontade. Depois, lutou para revogá-lo. Não conseguiu, foi vencido pela pressão imposta pela caserna. Adoeceu vítima de um acidente vascular cerebral e faleceu pouco tempo depois.
Processo político no país foi radicalizado pelo AI-5
É o que o regime queria: censura e controle dos movimentos sociais e de toda a produção intelectual e cultural. Milhares de pessoas foram presas, muitas delas torturadas e mortas.
O vice de Costa e Silva era um civil — Pedro Aleixo (Arena). Proibiu-se a posse dele através de mais um AI (o de número 12). Agora, a presidência seria momentaneamente ocupada por uma junta militar.
Esta junta aumentou a repressão editando os AI-13 e AI-14 que previam banimento e até pena de morte. Não houve, todavia, qualquer condenação com a pena capital no período.
A linha-dura vai finalmente se acomodar no poder com Emílio Garrastazu Médice, o terceiro presidente militar do período.
Brasil tricampeão mundial e sensação de potência.
Agora, o país entrou em forte crescimento econômico. As guerrilhas foram debeladas e, ainda, o Brasil conquistou mais uma Copa do Mundo — era o triunfo? Não!
Quando o veio os choques do petróleo da década de 1970, desestabilizando economias por todo o planeta, o Brasil viu-se diante de uma crise financeira que iria tragar todas as conquistas econômicas até então percebidas.
Médice passa o poder a um moderado. Ernesto Geisel irá iniciar o processo de abertura do regime, que encontrará mais fôlego com João Figueiredo, que finalmente entrega o poder aos civis.
Economia brasileira não resistiu ao choque de 1973.
É que o ciclo havia terminado, não havia mais como o justificar. Em bela síntese, o jornalista e escritor Elio Gaspari nos ensina que “O fim do ‘Brasil Grande’ seria o fim do regime.”
Em suma — o general Ernesto Geisel, quarto presidente militar do período, recebeu o cargo com a economia seriamente comprometida. Deu os primeiros passos rumo à redemocratização do país. O fracasso da experiência restava evidente.
Em 1974 o MDB saiu-se vitorioso nas eleições para o Congresso Nacional, o que deu a oposição novamente voz. Porém, Geisel teve uma atuação bastante vacilante no que se refere à abertura política, e em 1977 apresentou o Pacote de Abril, procurando impedir o crescimento descontrolado da oposição.
Já no ano seguinte inicia diálogos com líderes do MDB com vistas à restauração das liberdades políticas. Em 1978 suspendeu o AI-5.
Economicamente, teve de enfrentar as consequências da crise do petróleo de 1973, o que fez a economia brasileira retrair, colocando fim ao chamado milagre econômico, característico do governo anterior.
O último presidente militar do Brasil foi o general João Baptista de Oliveira Figueiredo (PDS).
Logo em 1979 assinou a Lei de Anistia pela qual os crimes políticos cometidos por brasileiros foram perdoados. Por ela, os exilados puderam retornar ao país e recuperar seus direitos políticos. Também instituiu a Nova Lei Orgânica dos Partidos, pela qual o pluripartidarismo estava reestabelecido no país, extinguindo a Arena e o MDB. Figueiredo, por exemplo, alojou-se no recém-criado PDS (Partido Democrático Social), sucessor da Arena.
Analistas entendem que, ao permitir aos partidos se reestruturarem, o regime agiu com premeditação. É que, dessa maneira, fragmentou uma oposição que até então estava renuída por força de lei no MDB.
Ao se desfazer em vários partidos contrários entre si, permitiu que a Arena, que iria se tornar o Partido Democrático Social (PDS) continuasse a ser o maior partido, enquanto a oposição se fragmentou.
Outra jogada pensada foi em relação à Lei da Anistia. Se ela beneficiou os cidadãos que ousaram enfrentar o regime, também alcançou os militares que promoveram torturas naquele período. Uma ferida, ainda aberta na Justiça deste país, que impediu a condenação de assassinos e torturadores.
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O que se pretendeu, enfim, deixar claro neste tópico é que é um engodo pretender que a ditadura militar — para alguns civil-militar — tenha sido um regime homogêneo.
Cuidou-se de uma ditadura sem ditador, um regime que, se não permitiu arranjos extra sistema para opor-se a ele, também em seu interior teve de conviver, desde seu início, com grupos que se antagonizavam pelo poder e objetivos.
Ou seja, se a vida político-partidária foi cerceada pelo Executivo, esse, entregue aos militares jamais teve um único direcionamento. Havia acirrada disputa no interior da caserna.
As grandes metrópoles crescem exponencialmente na vertical, o ser humano quer morar perto do trabalho, pois o transporte urbano é desumano.
Hoje já existem produtos no mercado imobiliário de São Paulo com 30 a 18 m², a tendência é viver encapsulado em espaços mínimos: o conceito de qualidade de vida e conforto é outro.
No futuro o homem vai aprender a dormir de pé, como um cavalo, assim a arquitetura sofrerá sua maior transformação e vamos, literalmente, viver em quatro paredes. Quem viver verá.
Por: Roberto Solano – colaborador
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A última de Toffoli:
“Ministro do STF anulou provas do acordo de leniência da Odebrecht e classificou prisão de Lula como um dos maiores ‘erros judiciários da história’”.
Vivemos uma nova era onde o judiciário que julgou em várias instâncias erraram seguidamente, as provas são falsas e o atual presidente da República é o maior injustiçado da história do país.
Será que há um erro sistêmico no judiciário brasileiro? Ou vivemos um mundo paralelo que pode ser alterado a qualquer momento?
Como diria Caetano Veloso “alguma coisa está fora da ordem, fora da nova ordem mundial”. Socorro!
Para o atual Senador Sérgio Moro “A corrupção do PT foi real, bilhões foram recuperados”.
Não é de hoje que se percebe a implacável desconstrução de todos os supostos legados da operação Lava-Jato. Se o próprio governo que chamou sua principal figura, Sérgio Moro para ocupar o cargo de Ministro da Justiça trabalhou continuamente pelo fim das investigações, o que se dizer do atual governo, cujo líder máximo chegou a ficar preso por mais de 500 dias acusado (e condenado) por corrupção?
Ora, mas alguém que vive longe desse nosso planeta chamado Brasil naturalmente iria questionar: O que tem os governos com as decisões judiciais? No que prevalecerá a máxima filosófica ditada por Tom Jobim.
Quando o Judiciário brasileiro pressentiu que o então ocupante do cago de presidente da República, Jair Bolsonaro, tramava um golpe no qual os ocupantes do digníssimo cargo de Ministro do Supremo certamente seriam enxotados sabe-se lá para onde, resolveram soltar o leão da jaula.
De fato, somente Lula da Silva seria capaz de enfrentar Bolsonaro nas urnas. Lula venceu. Mas para isso o Judiciário teve de se contradizer, um vexame!
Agora é a vez de Dias Tóffoli dar sua cartada. Mesmo a empresa Odebrecht tendo confessado os inumeráveis desmandos que se viu tentada a fazer na ocasião, o Ministro do Supremo simplesmente revogou tudo — fica o “dito pelo não dito”. Toffoli chegou a classificar a Laja-Jato como um “armação”.
Até então se imaginava que a armação era a que havia existido entre as empreiteiras na montagem de cartéis e, depois, entre esses cartéis e o governo federal. Pelo visto, não é mais.
Só para lembrar: as empresas se reuniam e decidiam quem ganhava essa ou aquela obra. O dinheiro recebido era mais que suficientes para construir a obra (quando se construía). Depois, servia para rechear os lucros da empresa e, de quebra, para bancar campanhas eleitorais, o que fazia com que algumas candidaturas, baseadas no marketing político, se tornavam imbatíveis. Isso sim é um esquema!
Por outro lado, não há como negar que Moro e companhia avançaram o sinal, tornando a investigação unilateral. No momento, optaram por isso para atingir o máximo desempenho. Se esqueceram de que “o ótimo é inimigo do bom”. Um pequeno grande erro que se tornou, ao fim e ao cabo, fatal.
Como o Legislativo certamente irá se calar porque tem dentre seus membros diversos beneficiários da decisão, o que se esperar?
Nada, apenas concordar com o poeta — sim, “o Brasil não é para amadores”.
Ao saber que cerca de 500 delinquentes foram encaminhados pra delegacia após o show do Alok na praia de Copacabana, e que o arrastão foi programado pelas redes sociais, eu penso que a segurança pública está sem condições de eliminar esse tipo de crime.
Centenas foram detidos acusados de promoverem ‘arrastão’.
Shows em ambiente aberto devem ser repensados e quem puder evitar que o faça. As políticas de segurança pública têm que se adaptar ao mundo novo da informática para todos, da comunicação em massa, instantânea, e perigosa. A prevenção é o caminho para uma punição antecipada, como fazer é a questão. A punição é outro agravante: a maioria dos delinquentes são menores de idade, pessoas sem um lar e vinculadas ao crime organizado.
A receita do mal está no caldeirão: desemprego, crime organizado e internet. Solução? Difícil de implantar e executar, o correto, no primeiro momento, é eliminar os shows em locais abertos, até que alguma “mágica” aconteça.
Por: Roberto Solano – colaborador
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NEGÓCIO DISTORCIDO
Ao ler que os planos de saúde tiveram um lucro no 1o semestre de 1,45 bilhão de reais com 5,9 bilhões de resultado financeiro positivo (o nosso dinheiro sendo aplicado) contra um prejuízo operacional negativo de 4,3 bilhões podemos concluir que há um novo banco, pra lá de lucrativo, por trás do negócio principal (plano de saúde).
Tudo está distorcido, o negócio não é bom, mas gerir o caixa do negócio é ótimo e assim ficamos sem receber nosso reembolso no devido tempo e os médicos sofrendo com baixa remuneração e sofrendo o risco dos planos não sobreviverem.
O governo tem que abrir essa “caixa preta” para entender e corrigir (regulamentar o negócio): o consumidor não consegue parar os aumentos, os planos alegam prejuízo operacional e, por incrível que pareça, têm lucro financeiro! Tem algo de muito errado nesse negócio, há que intervir de forma a corrigir os erros e viabilizar para o consumidor, os prestadores de serviços e a operadora. Plano de Saúde não é banco.