Antes de fomentar a venda de carros, governo deveria avaliar melhor as consequências.

Carro é fetiche, é não só do brasileiro. O carro é um fetiche próprio ao ser-humano porque representa, acima de tudo, a liberdade de ir e vir. O problema é como os governos tratam do assunto.
E o assunto vem à tona mais uma vez.
Há poucas semanas, o Ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT) sinalizou que o governo poderia lançar um programa para a compra dos carros velhos que andam circulando por aí – fruto de incentivos anteriores à indústria automobilística.
Agora, é o próprio presidente da República quem anda sinalizando um esforço para o retorno dos carros populares no país que, no caso, custariam algo em torno de 50 mil reais, isto é, perto de 50 salários-mínimos.
Na década de 1950 Juscelino Kubitschek, no afã de modernizar o país lançou um programa de industrialização cuja estrela era a indústria automobilística. Na esteira dos carros, vieram os caminhões e o abandono do modal ferroviário. O resultado foi a criação de um dos maiores custos de distribuição de mercadoria do mundo, apelidado custo-Brasil, uma coisa lamentável.
Nossas ruas não comportam mais carros. Não se fala em incentivar e fomentar o transporte público. Em qualquer país civilizado mundo afora, as pessoas usam o transporte público – aqui nossa classe média enxerga transporte público como sinônimo de empobrecimento. E, de fato, da maneira como é oferecido, é.
Até a indústria automobilística já sinalizou que fabricar carros para vender a este valor hoje em dia é impossível – estão dizendo na verdade, que pretendem pagar o mínimo de impostos possível.
Por outro lado, tem tecnocrata do governo pensando em liberar o FGTS para compra de carro zero. Ora, o FGTS é a única garantia com que o trabalhador pode contar caso se depare com a perda de seu emprego – ou algo pior que possa acontecer em sua vida. É, assim, uma poupança.
Liberar esta poupança para o sujeito adquirir um carro é uma falta de responsabilidade do Estado. Isto porque um carro, em última análise, gera despesas.
Os mais velhos vão se lembrar do “fusca do Itamar”. Pois é, após o pesadelo de Collor de Melo na presidência, seu vice, Itamar, que surpreendentemente conseguiu colocar nossas finanças nos eixos, lançando o Plano Real também cometeu das suas. Insistiu com a Volkswagen para o relançamento do fusca. Fracasso total.
Aliás, um estudo, revelou que, caso houvesse o relançamento do Fusca nos dias de hoje, o carro que Hitler mandou a Wolks projetar custaria-nos perto dos 80 mil reais!
Por estas e por outras, talvez o carro seja um fetiche nosso. Sim, é um bem realmente cobiçado e em boa parte do mundo é desejado.
O problema acontece quando o governo se arvora disto para querer dar carro a quem, infelizmente, não deveria ter. Isso porque, ao tê-lo, vai arrumar problemas.
Melhor seria oferecer um transporte eficiente e também dar condições de vida melhores à sua população. Mas isso o governo não quer. É um caminho muito longo e demanda um projeto cujos resultados dificilmente alcançaria essa geração, já que envolve Educação. E o que não é imediato, não dá pontos de popularidade.











