Blog – Formação Política

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

Em uma democracia, se não há impedimento para alguém se candidatar, qualquer pessoa capaz para o ato pode se apresentar ao eleitor. Segundo jornal O Estado de S. Paulo (21.mar) diversos políticos que foram alvo da operação Lava Jato estarão de volta às urnas nestas eleições. Se o eleitor votar e o candidato ganhar, ganhou – sobretudo imunidade parlamentar.

Lula foi leberado pelo STF para concorrer a um cargo eletivo após ter suas condenações anuladas. Deve se candidatar à presidência.

MDB União Brasil voltam a se falar nesta quarta-feira com vista à tentativa de viabilidade a uma candidatura de terceira via. Os presidentes das siglas, respectivamente Baleia Rossi e Luciano Bivar estarão acompanhados daquela que é cobiçada como vice de muitos pré-candidatos: Simone Tebet (MDB).

Apesar de cortejada à vice, senadora do MS quer concorrer à presidência

Acontecerá na mesma data, em Brasília, a filiação de Geraldo Alckmin no PSB. A presença de Lula no evento ainda não está confirmada mas o que está mais que confirmado é a formação da chapa Lula-Alckmin. Antigos desafetos estão tendo de se entender neste momento. Coisas da política.

Alckmin deve se filiar ao PSB na próxima quarta.

Com a filiação de Alckmin, o PSB confirma um movimento para se tornar uma partido mais voltado ao centro. A ideia é se aproximar do clássico modelo de partido social-democrata europeu. Aliás, esta é a origem do antigo partido de Alckmin, PSDB que da centro-esquerda migrou para a centro-direita e cada vez mais vai se tornando um partido de direita pura.

Aliás, o PSB pretende lançar um aplicativo para filiados votarem sobre temas que serão apresentados por parlamentares. Caso haja um número mínimo de participações, o partido deverá seguir a orientação no parlamento. Inciativa inovadora e profundamente democrática.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Queda de braço

Russos estocam sanduíches do Mc Donald ‘s em casa.

Como qualquer guerra, a insanidade dos seus mandantes coloca os envolvidos na antagônica posição de paralisados em contínua prontidão. No caso da guerra que Putin trava contra a Ucrânia, devido a novidade da asfixia econômica a que se submeteu a Rússia e seu povo e da dificuldade de Putin em derrubar Kiev, a paralisia torna-se absurda. Russos foram ao Mc Donald ‘s comprar sanduíches às dezenas; as transações financeiras são profundamente prejudicadas; o cartão de crédito teve de ser substituído por um similar chinês. Agora Putin decreta tolerância zero àqueles que ele chama de ‘traidores da pátria’, isto é, não se pode nem pensar em se manifestar contra a guerra. Então quem está sendo o traidor da pátria neste caso? Até quando a insanidade de um pequeno grupo de pessoas pode levar um país inteiro a esta situação? Coisas em que a política ainda precisa evoluir para livrar o povo de tamanha ignorância.

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O Banco Central do Brasil elevou a taxa de juros no país a 11,75% e pode acrescentar mais um ponto na próxima reunião do Copom. É o mais alto patamar de juros em 5 anos. A alta  se deu em função do ainda persistente processo inflacionário, agora agravado pela situação global, especialmente no que diz respeito ao preço do petróleo.

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Lojas serão itinerantes. Primeira unidade funcionará no Rio de Janeiro.

A chinesa Shein terá lojas físicas no Brasil, mas elas serão itinerantes. A marca, que vende moda “ultra-fast fashion” terá sua primeira loja pop-up no Brasil em um espaço de 500 m2 no Shopping Village Mall, na Zona Oeste do Rio. No espaço on-line a varejista chinesa incomoda – e muito – as redes que atuam no Brasil, como Renner, C&A e Riachuelo.

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Porém, até o momento desta postagem, em 20.mar o aplicativo permanecia no ar.

Finalmente aconteceu. O Ministro do STF Alexandre de Moraes determinou o bloqueio do aplicativo Telegram no Brasil. Ato contínuo o governo brasileiro deu o grito e colocou a AGU – Advocacia Geral da União para tentar reverter a ordem judicial. É instigante pensar quais são os motivos que levam um governo a se preocupar em manter no ar uma aplicativo que notoriamente dá a traficantes e pedófilos campo fertil para promoverem barbaridades.

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Censura tem o poder de despertar mais a atenção para a arte censurada.

O Ministério da Cultura inovou e simplesmente impôs censura ao filme “Como se tornar o pior aluno da escola” com os atores Danilo Gentili e Fábio Porchat. Acontece que a medida é inconstitucional. O que se poderia fazer neste caso, segundo especialistas, seria tentar rever a classificação etária mas jamais impedir a circulação da obra. Trata-se do típico caso em que ao se tentar impedir a exibição do filme apenas atrai mais atenção e curiosidade para o mesmo. A preocupação é bizarra – o filme é péssimo.

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Ainda falando de cinema, o crítico Luiz Zanin nos trouxe à tela o drama que vive o prêmio Oscar (Estadão 17.mar) – não consegue agradar a nova geração, afixada em franquias que são premiadas com prêmios de segunda grandeza, como efeitos especiais, e tenta se universalizar – tanto em questões de gênero e raça quanto em questão de alcance global. Deixou de analisar, todavia, mais um problema – a questão dos streamings.

E como os streamings estão em alta, a NetFlix anunciou que vai passar a cobrar uma taxa quando a conta for acessada fora do endereço do contrato – estão entendendo que a pessoa emprestou a senha para outra. O teste deste novo modelo vai ocorrer no Chile, na Costa Rica e no Peru.

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Faleceu dia 16, aos 80 anos, José Anselmo dos Santos, que passou para a história do Brasil como Cabo Anselmo. Ele liderou uma das insubordinações militares que antecederam o Golpe de 64. Expulso da marinha e preso pela Ditadura Militar, passou a ser um agente-duplo. Participava ativamente das atividades da militância revolucionária mas delatava os companheiros. Alegou, afinal, que fazia isto obrigado, para não ser morto nos porões da ditadura. Tristes tempos aqueles.

Após uma vida na clandestinidade, cabo Anselmo é enterrado com nome falso no interior de São Paulo.

Boa semana a todos.

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Drops de política

JOÃO GOULART – 7/9/1961 A 2/4/1964

João Goulart passou a acirrar o discurso conforme as pressões sobre ele subiam.

Após renúncia de Jânio, devido à desconfiança de militares e da direita conservadora, Jango – como João Goulart era conhecido – só conseguiu tomar posse como presidente sob um regime parlamentarista, cujo primeiro-ministro foi Tancredo Neves. Durante o regime seus poderes ficaram limitados, mas um plebiscito disse não ao sistema e o presidencialismo voltou, dando-lhe os poderes de um legítimo presidente.

Jango tinha o apoio da esquerda progressista, de sindicatos e de estudantes. Instituiu o 13º salário e insistiu em reformas que assustavam a classe média e as elites do país, como a reforma agrária, dentre outras.

Na lógica vigente à época – da Guerra Fria entre EUA e URSS – o Brasil se enquadrava na órbita dos Estados Unidos. Com um presidente de esquerda o receio era o de que o país pudesse mudar seu alinhamento em favor dos soviéticos.

João Goulart apresentou, junto com seu Ministro do Planejamento Celso Furtado o Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social – 1963/1965 mas, sem conseguir implanta-lo por falta de apoio de bancos internacionais partiu para o que chamou de “Reformas de Base”, isto é, reformas agrária, tributária, eleitoral, bancária, urbana, educacional, ou seja, partiu para o tudo ou nada. Diz-se que Getúlio Vargas cometeu suicídio de fato e que João Goulart promoveu seu suicídio político. Foi derrubado por um golpe militar que se prolongaria pelos próximos vinte anos no Brasil.

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PSDB tenta segurar Leite

O PSDB encaminhou uma carta ao governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite pedindo para que o político permaneça no partido. Não garantem todavia que o partido irá romper com o compromisso assumido com João Doria, mas implicitamente é isto o que indica. 

O governador de São Paulo saiu vencedor das prévias que o partido realizou em novembro passado para a escolha do candidato à presidência pelo PSDB, mas sua candidatura está empacada nas pesquisas eleitorais. Doria tem até o início de abril para renunciar ao governo de São Paulo – seu mandato vai até 31 de dezembro deste ano.  Na mesma situação está Eduardo Leite no Rio Grande do Sul.  Portanto, o tempo para a tomada de decisões é curto. Além do mais, Leite vem sendo assediado pelo PSD para migrar para a legenda com a garantia de ser lançado candidato à presidência pelo partido de Kassab.

Doria comemora com aliados vitória nas prévias do PSDB.

Se Eduardo Leite abandonar o tucanato, pode ser tachado de mau perdedor. Permanecer no PSDB e aceitar uma virada de mesa contra o que Doria legitimamente conquistou em uma disputadíssima prévia eleitoral é também aceitar jogar contra as regras.

Kassab assedia Leite para migar ao PSD.

O PSDB tentou mostrar uma aura democrática ao escolher seu candidato pela via das prévias mas o simples fato de políticos importantes do partido terem assinado esta carta já demonstra o quão interessados no golpe intrapartidário estão. 

Enquanto o presidente de honra do partido Fernando Henrique Cardoso se convalesce de uma cirurgia após ter quebrado o fêmur em um acidente doméstico, figuras tradicionais do partido se aventuram nesta proposta.

Não por acaso um dos fundadores e mais importantes quadros do partido, Geraldo Alckmin desfiliou-se no final do ano passado e deve assinar com o PSB na próxima semana. Foi o caminho que encontrou para fazer jus à sua biografia. Apesar de ser fundador da sigla teve em 2018 sua candidatura boicotada por integrantes do própria sigla, inclusive João Doria, que na ocasião se aproximou de Bolsonaro. Agora Alckmin pretende  concorrer ao cargo de vice-presidente ao lado de Lula.

Alckmin se sentiu despretigiado no PSDB.

O resultado disso é que o partido encolhe a olhos vistos. Na carta, o partido adjetiva Leite como honrado, compromissado, determinado, preparado e competente. Na prática, o partido tem trabalhado diferente disto, mostrando-se aquém dos quadros que já possuiu e alguns que ainda ali permanecem.

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Leia a íntegra da carta:

“Caro governador Eduardo Leite

Nos orgulhamos da sua trajetória: vereador, prefeito, governador do Rio Grande do Sul, sempre pelo PSDB, sempre tucano. Em todas essas etapas, de uma escalada absolutamente exitosa, encontramos sua marca registrada, composta pelas necessárias virtudes para o exercício da política: honradez, compromisso, determinação, preparo e competência.

O futuro do Brasil está em jogo!

Outubro se avizinha. O momento é de união em torno de um projeto que recoloque a Nação no caminho certo. A maioria dos brasileiros, cansada de tanto extremismo, está à espera do retorno à normalidade, e, nessa direção, de alguém que possa liderar uma campanha, ao mesmo tempo, empolgante, propositiva e viável.

Não admitimos a possibilidade de o perdermos nesse momento crucial para a história do Brasil.

O movimento cresce, reuniremos as forças necessárias, a missão será dada, e, certamente, como de costume, vitoriosamente cumprida.

Estaremos juntos!”

assinaram: Bruno Araújo – Presidente Nacional do PSDB /Senador Tasso Jereissati – ex-presidente PSDB /Deputado Aécio Neves – ex-presidente PSDB /Pimenta da Veiga – ex-presidente PSDB/ Teotônio Vilela – ex-presidente PSDB/ José Aníbal – ex-presidente PSDB /Senador José Serra – ex-presidente PSDB/ Governador Reinaldo Azambuja /Deputado Adolfo Viana – Líder PSDB na Câmara Federal/ Deputado Pedro Cunha Lima – candidato a Governador da Paraíba/ Raquel Lyra – candidata a Governadora de Pernambuco /Senador Plínio Valério – candidato a Governador do Amazonas /Senador Rodrigo Cunha – candidato a Governador de Alagoas/ Senadora Mara Gabrilli/ Deputado Carlos Sampaio/ Deputado Daniel Trezciak /Deputado Eduardo Barbosa /Deputado Eduardo Cury/Deputado Lucas Redecker /Deputado Luis Carlos /Deputada Mariana Carvalho /Deputado Nilson Pinto/ Deputado Paulo Abi Ackel /Deputado Rodrigo de Castro /Deputado Pedro Villela /Deputada Sheridan Oliveira/ Armando Monteiro/ Marco Vinholi – Presidente Diretório Estadual do PSDB/SP

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Radar das eleições

Pedras no caminho

Eduardo Leite tem enfrentado resistência dentro do PSD para a sua filição e posterior candiatura à presidência pelo partido. Figuras importantes da sigla como o prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil e os senadores Omar Aziz e Otto Alencar estão com Lula enquanto o governador do Paraná Ratinho Júnior está com Bolsonaro. Arestas para Kassab acertar.

Governador do Rio Grande do Sul pode migrar para o PSD.

Na verdade, as dificuldades vão aparecendo neste período de início das disputas. Se para Leite o prazo para tomar uma definição vem se estreitando – ele tem até o início de abril para deixar o cargo de governador se quiser lançar-se à presidente, para Geraldo Alckmin o problema é outro: o ex-governador foi acusado de ter recebido em caixa dois 3 milhões de reais. A informação consta de uma delação feita pelo Ecovias. Alckmin alega ser perseguição de ano eleitoral.

Para Alckmin, delação é estratégia para desestabilizar candidatura.

Já Doria sofre com o próprio partido – PSDB. Ante o risco de Eduardo Leite migrar para o PSD, o governador de São Paulo tem sido instado por uma ala do partido a desistir da corrida eleitoral em favor de Leite. Doria já se preparou para abandonar o cargo de governador e tenta atrair um bom nome de vice para alavancar sua candidatura – sonho de consumo: Simone Tebet e o MDB a tira colo.

Aécio Neves é forte opositor de Doria dentro do PSDB.

Mas um nome importante está fechado com Doria: José Luiz Datena fechou acordo para ser o candidato ao senado que formará chapa com Rodrigo Garcia ao governo do estado. O apresentador anunciou sua saída da TV Bandeirantes – onde tem programa – para concorrer ao senado pelo PSDB.

Datena abandonará programa para concorrer ao Senado.

Para Sérgio Moro as dificuldades, que já não eram poucas, se tornaram maiores na medida em que houve um esvaziamento do Podemos devido ao estremecimento das relações com o Movimento Brasil Livre – MBL após as falas sexistas do deputado estadual em São Paulo Arthur do Val. Mas não é só isso. O Podemos tem enfrentado dificuldades em encontrar palanque para Moro em vários estados, inclusive no estado de origem de Moro, o Paraná.

Em uma tentativa de se posicionar mais ao centro, Lula tem feito esforços para evitar candidaturas próprias em alguns estados, como Minas Gerais e Rio de Janeiro. No Rio Lula está com Marcelo Freixo (PSB). Em Minas, quer dar o apoio do PT a Alexandre Kalil (PSD). Também promove acomodações na Paraíba, Ceará, Mato Grosso do Sul. No Rio Grande do Norte pretende fazer o PT abrir mão de uma candidatura ao Senado.

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Radar das eleições

O governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite parece ter se animado com a possibilidade de se candidatar à presidência pelo PSD. Após o atual presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ter dito que não se canditará, Leite considera deixar as fileiras do PSDB para embarcar na nova agremiação que está de braços abertos para lhe acolher e lhe dar a oportunidade que ele perdeu ao ser derrotado nas prévias tucana. Kassab conta com filiação do governador para disputar o Planalto.

Eduardo Leite deve decidir seu destino esta semana.

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PSDBUnião Brasil e MDB articulam uma grande coligação (mas não uma federação) para o lançamento de um candidato único à presidência. João Doria (PSDB), Simone Tebet (MDB) e Luciano Bivar (União) são atualmente os pré candidatos de cada partido. Já há quem aposte em uma chapa Doria/Tebet; ou seria Tebet/Doria?…

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Rede PSOL acertaram a formação de uma federação partidária – na prática os dois partidos agirão como um só fossem, ao menos até as eleições para prefeito e vereadores de 2024. Esta federação era tida como certa e, de certa forma, natural já que a origem de ambos os partidos é de uma dissidência na qual Marina Silva esteve diretamente ligada. Primeiro surgiu o PSOL como uma dissidência mais à esquerda do PT e depois surgiu a Rede Sustentabilidade, um pouco mais à centro-esquerda.

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A preferência de Bolsonaro para o posto de vice-presidente em novo processo eleitoral no qual pretende se reeleger parece cada vez mais clara – o militar Braga Netto. Neste caso, a preferida da ala ruralista, a atual ministra da agricultura Teresa Cristina iria cumprir outra missão: concorrer a uma vaga no Senado – outra ponta do projeto de Bolsonaro para um segundo mandato – armar-se o máximo que puder na câmara alta, casa na qual não tem o mesmo domínio que angariou na Câmara.

Atual Ministro da Defesa é o preferido de Bolsonaro.

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Dia da mulher: há o que comemorar?

Mulheres continuam com sua luta por igualdade e respeito.

Dia 08 de março foi o “Dia Internacional da Mulher”. Apesar de alguns avanços – ainda há pouco a se comemorar: um deputado estadual do estado mais desenvolvido do Brasil se abala até a Ucrânia para dizer que as ucranianas que estavam na fila de refugiadas eram “fáceis porque eram pobres”. Um assassino cruel que ateou fogo em uma casa prendendo duas mulheres lá dentro em Nova Friburgo-RJ foi absolvido pelo crime de feminicídio. Foram registrados um estupro no Brasil a cada dez minutos em 2021 – numeros estarrecedores porque há casos não relatados! Por fim,  nosso presidente, bem ao seu estilo disse em cerimônia feita para comemorar o dia que “as mulheres estão quase integradas à sociedade”. Será que há algo mesmo a se comemorar ou ainda sobram motivos para lutar?

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O Rio de Janeiro foi a primeira capital a abolir o uso das máscaras que ajudam a evitar o contágio da Covid-19 inclusive para os locais fechados como shopping centers, escolas e até nos coletivos urbanos. São Paulo liberou o uso do item de segurança em áreas externas na quarta-feira, dia 9, e projeta abolir em áreas internas em quinze dias. Outras capitais pelo país seguem o passo, mas ainda morrem perto de 500 pessoas no país por dia por conta da doença. O argumento: a vacinação já atingiu boa parte da população. Sim, é verdade, mas vamos devagar com o andor…

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Como reflexo da guerra da Ucrânia e o aumento das sanções impostas à Rússia, os Estados Unidos, quem diria, se aproximaram da Venezuela de Maduro. Querem agora agradar o caudilho sulamericano para conseguir dele o petróleo que vai faltar com a proibição de negociar petróleo russo. Aqui no Brasil, as consequência disto já são sentidas no bolso. A Petrobrás subiu os combustíveis no Brasil de maneira assustadora: no interior do Acre o litro da gasolina passou dos dez reais! 

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Quando o restaurante americano chegou a Moscou nos anos 1990, causou frenesi

Nesta guerra, cujo cerco parece ser o econômico, as empresas multinacionais também estão fazendo sua parte. Os cartões Mastercard e Visa, empresas de tecnologia como a Dell e a Apple, as montadoras Volkswagen, Ford e BMW, além de companhias de petróleo, como a Exxon Mobil deixaram de operar na Rússia. O McDonald ‘s, que tem 850 restaurantes no país, anunciou o fechamento das lojas e até a Coca-Cola parou sua produção e distribuição naquele país – novos tempos. Como retaliação, Putin ameaça nacionalizar estas empresas caso não voltem a operar durante esta semana que começa. A conferir.

Ainda assim, o desfecho dessa guerra preocupa. Foi publicado no Estadão (10.mar) um artigo do colunista do The New York Time Thomas Friedman intitulado “Putin não tem saída e isso realmente assusta” no qual o articulista analisa que a Putin só restam duas alternativas: uma derrota rápida e humilhante ou uma derrota longa e muito perigosa. Neste caso sobraria “uma Rússia enfraquecida, humilhada e desordenada, que poderia fraturar ou acabar em meio a uma turbulência política, com diferentes facções se engalfinhando pelo poder”.

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Cartaz do ato convocado por Caetano Veloso em Brasília.

Caetano Veloso esteve acompanhado por diversos outros artistas e ativistas de movimentos sociais na porta do Congresso Nacional liderando um protesto pacífico contra aquilo que eles chamam – e é – um afrouxamento da legislação ambiental. Reuniu-se com ministros do STF e com o presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD). O nome do protesto diz tudo: “Ato pela terra contra o pacote da destruição”.

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Um veleiro no Rio Pinheiros!

Em São Paulo já é possível perceber os primeiros resultados do projeto “Novo Rio Pinheiros” que pretende devolver vida aquática ao curso d’água e revitalizar as margens daquele rio urbano. Já se nota a diferença na coloração das águas do Tietê e do Pinheiros. Enquanto o primeiro permanece com suas águas escuras e praticamente paradas, o Pinheiros vai aos poucos se esverdeando e já demonstra alguma força de corrente. O navegador Beto Pandiani, que vai enfrentar o desafio de ir do Alasca à Groenlândia em seu veleiro para denunciar o problema do degelo, colocou seu barco no Pinheiros. Que esta imagem seja o futuro e que o mesmo programa se estenda ao Tietê também!

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O jornalismo fotográfico perdeu esta semana outro ícone. Orlando Brito, um dos mais experiente fotógrafos da cena política brasileira, tinha mais de 50 anos de carreira e foi o primeiro brasileiro a conquistar o cobiçado World Press Photo Prize do Museu Van Gogh, em 1979. Fotografou a posse de todos os presidentes brasileiros desde Costa e Silva em 1967 até Jair Bolsonaro, em 2019. Faleceu por complicações decorrentes de uma operação, aos 72 anos, em Brasília.

“O fotógrafo não fotografa para si, mas para os olhos que estão distantes.” – Orlando Brito (1950-2022)

Boa semana a todos.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Drops de política

JÂNIO QUADROS – 31/1/1961 A 25/8/1961

Jânio Quadros se valia de uma vassoura para dizer que iria limpar a política no país.

Jânio Quadros é o típico exemplo do político de carreira meteórica (entre 1947 e 1954 foi vereador, deputado estadual, prefeito e governador de São Paulo) que ascende a altos cargos mas que não está ainda preparado para a posição – infelizmente nossa história traz outros casos semelhantes.  O problema maior é que quem arca com as consequências é o povo.

Praticou a anti política populista – eleito presidente pela UDN se dizia acima dos partidos políticos. Seu vice João Goulart– Jango – foi eleito pela chapa opositora à sua.

Ficou apenas sete meses no governo, tempo suficiente para causar muita polêmica – gostava de proibir: proibiu de jogos de carta em clubes ao uso do biquíni nos concursos de beleza. Além do mais se aproximou da URSS e condecorou Ernesto Che Guevara, ícone do comunismo revolucionário mundial. Desta maneira, comprou briga com os Estados Unidos em plena Guerra Fria.

Sua renúncia foi um ato premeditado e mal calculado. Enviou seu vice para a China e com ele longe apresentou uma carta de renúncia ao Congresso. Sua ideia era a de que o parlamento se dobrasse aos seus caprichos, não aceitando a renúncia e passando a trabalhar conforme suas orientações. Também pensou que a população fosse dar o suporte para sua permanência no cargo. Errou os dois botes – o Parlamento aceitou sua renúncia e, isolado na então longínqua Brasília não teve o respaldo popular que esperava – perdeu o cargo e a sua sucessão acabou se transformando em mais um momento de alta tensão na política nacional.

FORMAÇÃO POLÍTICA, Introdução à Política

Introdução à Política – Capítulo 4

O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO

Atualmente a maioria dos sistemas de governo dos diferentes países do mundo, ainda que fundados sobre bases não necessariamente democráticas se esforçam por ao menos se fazer parecer e encaixar-se a um dos muitos matizes que o amplo conceito de democracia comporta.

Porém, qualquer sistema que se pretenda democrático mas que não é fundado sobre uma Constituição que garanta o equilíbrio entre os poderes através de instituições independentes entre si será mero simulacro de democracia. Apenas a realização de eleições regulares – por lícitas que sejam – não garante, por si só, a existência de uma democracia digna do nome.

Em determinado momento histórico, portanto, o estado moderno absolutista perdeu foça e surgiu um modelo de estado assentado sobre uma Constituição. No que diz respeito às causas dessa mudança, pode-se dizer que ela são políticas e econômicas. O rompimento político se deu fundamentalmente em função da Revolução Francesa; o rompimento econômico em função da Revolução Industrial.

A Revolução Industrial teve origem na Inglaterra e mudou a forma do homem lhe dar com o trabalho.

No plano político esta estória começa efetivamente com o movimento do constitucionalismo, cujas primeiras manifestações remontam à Revolução Francesa e à independência dos Estados Unidos. Mas, a despeito do processo de independência dos Estados Unidos ter sido importante para afirmar a soberania da vontade popular sobre a vontade do soberano, para o historiador Eric Hobsbawm a revolução acontecida na França adiantou o processo de queda do absolutismo sendo, portanto a grande impulsionadora da mudança de regime.

Já no plano econômico a alteração veio em função da Revolução Industrial que, iniciada por volta de 1770 promoveu profundas mudanças no padrão da evolução social daquela sociedade.

Assim, no que tange ao aspecto político das mudanças temos que o constitucionalismo pretendeu, acima de tudo limitar o poder do Estado ao que está previamente delimitado por uma Lei Maior, denominada Constituição. Isto porque o absolutismo fez com que se percebesse que a concentração de poder pode levar a abusos e estes foram cometidos sem reserva pelos monarcas da época. Daí a ideia de dividir em algumas esferas.

Notou-se, enfim que para a governança do Estado eram necessárias leis – e regulamentos – a fim de orientar e disciplinar a sociedade. Também fazia-se necessário que alguma instituição fizesse cumprir estas leis e, caso estas leis fossem violadas surgiria o dever por parte do Estado de penalizar aquele que a infringiu e ao mesmo tempo oferecer alguma indenização ao infringido. Percebeu-se que estas três dimensões do poder poderiam e deveriam ser separadas.

Montesquieu (1689-1755) foi quem desviou a discussão da figura do governante para a organização dos poderes do estado. As obrigações administrativas do governo deveriam ser divididas em três poderes: ao Poder Legislativo cabia aprovar e alterar as leis do Estado; ao Poder Executivo fazer cumprir as leis do Estado e ao Poder Judiciário interpretar as leis do Estado e dar resolução aos eventuais conflitos que interesse que ocasionalmente pudessem surgir no interior de uma sociedade.  

Deve haver um equilíbrio de forças entre os poderes.
esquema retirado da página https://pt.wikipedia.org/wiki/Separa%C3%A7%C3%A3o_de_poderes

Para Montesquieu, fazia-se necessário uma constituição que regulasse, controlasse e distribuísse o poder de tal maneira que um dos poderes seria contido pelos outros sempre que pretendesse avançar para além de suas atribuições. Na realidade, sua preocupação maior repousava sobre o problema do despotismo, assim, ao dividir o poder administrativo do Estado em três categorias este risco seria mitigado. 

E, apesar da divisão dos poderes do Estado não serem novidade, eis que gregos e romanos já haviam de algum modo implementado tal divisão, a novidade que surgia com Montesquieu era o equilíbrio de força entre os poderes, de tal modo que um não poderia subjugar os demais. Fez isto ao separar as instituições que representam cada um destes poderes, no que ficou conhecido como o sistema de freios e contrapesos. Como estes poderes são autônomos e independentes, a influência de cada um destes poderes não pode exceder a dos outros dois.

Foram as ideias de Montesquieu que influenciaram a confecção da constituição norte-americana e depois a da própria França, sua terra natal, após a revolução que derrubou a monarquia absolutista de Luís XVI. Esta divisão tornou-se modelo também para as nascentes repúblicas que surgiam do desmoronamento do império espanhol na América.

Será apenas com o surgimento do Estado Democrático de Direito que a ciência jurídica de fato irá ganhar relevância no direcionamento do Estado. Se até então o peticionamento das demandas deveriam ser endereçadas ao Rei ou a conselhos que ele mesmo de certa forma comandava, agora o Constitucionalismo fará surgir todo um corpo político-jurídico dedicado à elaboração de leis, bem como na resolução das contendas assim entendido inclusive o que tange à sua interpretação.

Já no aspecto econômico, foi com a revolução industrial que o estado democrático de direito se firmou. Esta revolução transformou o homem, que até então trocava o fruto de suas habilidades com outros homens, em homens que passaram a vender seu tempo e que deixaram de conhecer o todo do processo que realizavam para produzir bens. Pela primeira vez, também, os bens passaram a ser produzidos em quantidade superior à necessária, criando um estoque que deveria ser destinado a novos mercados, que estavam localizados especialmente nas colônias britânicas.

Portanto, de agora em diante, o trabalho foi dividido entre aqueles que possuíam os meios de produção e aqueles que nada tinham além de sua força de trabalho – os proletários. A antiga habilidade da manufatura foi transformada em atos mecanizados e repetitivos que negavam àquele que o fazia o domínio do processo completo de produção. O relógio passou a dominar o tempo das pessoas, que passaram a ter seu trabalho cronometrado. A mudança do povo do campo para as cidades a fim de suprir a mão de obra necessária que a nascente indústria pedia fez criar aquilo que Hannah Arendt veio a chamar de sociedade de trabalhadores.

Londres se tornou uma cidade superpopulosa e com profundas diferenças sociais.

Todas estas transformações acabaram por provocar mudanças sociais profundas. O deslocamento da população para as cidades criou a sociedade de massas e não tardou para que estas pessoas passassem a reivindicar melhorias em suas condições de vida e de trabalho. Os trabalhadores urbanos logo se viram identificados entre si em uma única classe, contraposta à dos burgueses e da nobreza. Neste momento irão surgir motins e lutas em busca de direitos.

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Estas duas matizes – política e econômica – vão encontrar um ponto comum na doutrina do liberalismo, doutrina esta que procura livrar o homem de qualquer amarra, seja ela estatal ou eclesiástica mas que também não aceita qualquer limitação à possibilidade de expansão dos empreendimentos de quem possui os meios de produção.

Ao liberalismo se opões outra ideologia, o socialismo. Aqui tem-se uma preocupação com o mínimo de igualdade entre os seres humanos – se o liberalismo não se preocupava em diferenciá-los o socialismo empreendia esforços para igualá-los.

O liberalismo é, numa palavra, a filosofia do individualista. O sujeito passa a enxergar a si como o responsável pelo seu próprio destino, não sendo, portanto, em nada responsável pelos problemas sociais, tampouco pela pobreza alheia. Aí reside a contradição do liberalismo; ao mesmo tempo em que se diz democrático no sentido de que o indivíduo pode tomar parte das decisões do estado através da primazia dos interesses do povo sobre a vontade do monarca, libera este mesmo indivíduo das responsabilidades pelas suas decisões que se dão de modo difuso através do Parlamento.

Estamos diante, portanto, de uma liberdade cega. A liberdade que o indivíduo adquire para tratar de seus interesses não é acompanhada pela responsabilidade perante os males que o mesmo indivíduo possa ter causado ao conjunto da sociedade em função de suas decisões.

Politicamente o liberalismo combateu o absolutismo, lançando mão para isto da divisão dos poderes – legislativo, executivo e judiciário, a fim de, dividindo-o, limitar-lhe o alcance. O estado deve tornar-se invisível. Estamos diante agora de um governo invisível porque não se faz presente na vida do cidadão ao ponto de extrair-lhe liberdades. Já em relação à economia estamos também diante de um mercado sem qualquer intervenção estatal, daí Adam Smith (1723-1790) falar em uma mão invisível que é capaz de regular o mercado. O liberalismo irá se posicionar contra as autoridades intelectuais e espirituais da Igreja, a fim de tornar Deus também invisível na sociedade.

O que sobra é um indivíduo livre mas egoísta e, além do mais, auto-suficiente perante o Divino – a Igreja já não manda na vida das pessoas.

O voto era uma questão de posses.

Além disto, ao combater o passado, o liberalismo também estará pretendendo impedir o futuro já que, liberto das amarras do rei e da Igreja esta classe que o implantou – a burguesia – irá impedir que a democracia se desenvolva em sua plenitude. Fará isto negando direitos e participação às camadas populares – do direito ao voto ao direito de ser votado.

Mas, ainda que concebido com este pecado original o liberalismo foi capaz de instituir uma nova ordem na política e abrir o caminho para se pensar em uma sociedade mais justa e igualitária. O liberalismo livrou a sociedade de um conflito que estava configurado entre o monarca e a igreja mas não foi capaz de torna-la melhor em um primeiro momento – apesar de indicar-lhe o caminho. Pode-se dizer que o iluminismo conduziu a sociedade ao constitucionalismo – e no campo econômico ao capitalismo, e com o passar do tempo a sociedade forçou a instituição do estado democrático de direito. Agora sim direitos, especialmente os humanos e os políticos foram ampliados.

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Para melhor compreender esta evolução, podemos inserir alguns comentários sobre três estados nação que contribuíram sobremaneira para o advento do estado democrático de direito. Inglaterra, França e Estados Unidos da América são três países nos quais a teoria do estado democrático de direito foi colocada diante da práxis cotidiana. É verdade que, em certa medida o inverso também ocorreu, ou seja, diante dos acontecimentos os comentadores se apressaram em decifrar o que estava acontecendo. O que se viu, na realidade, é que o grande cabedal de conhecimentos e práticas sociais e políticas que cristalizaram o que se pode chamar de cultura ocidental surgiu basicamente ali, ainda que também a Alemanha e a Itália, tardiamente unificadas também colaboraram, a primeira com uma rica filosofia e a segunda com a tradição religiosa como centro do cristianismo e mãe de um momento artístico sem igual. 

Inglaterra

A primeira experiência que a Inglaterra teve com a entrega do poder ao parlamento em 1215 através da Magna Carta, todavia foi a entrega do poder à nobreza. Quando o rei João Sem Terra assinou esta carta, entregou o poder político aos nobres. Somente em 1455, após um conflito entre as famílias Lancaster e York pela sucessão do trono inglês que passou à história como a Guerra das Duas Rosas é que o poder será centralizado novamente na figura do Monarca: o Rei Henrique VII, inaugurando a dinastia Tudor. Portanto, neste momento, com a nobreza enfraquecida, Henrique VII pode reiniciar o processo de centralização política, interrompido em 1215.

O primeiro golpe contra o poder absoluto na Iglaterra foi liderado pela nobreza.

A guerra das Duas Rosas, portanto, levou à cisão e ao esgotamento do poder político da nobreza, possibilitando a efetivação do absolutismo, fato que irá perdurar até 1649. Desta forma, durante os próximos quase duzentos anos a Inglaterra irá conviver com o embate entre o Rei e o Parlamento.

Henrique VIII – que reinou entre 1509 e 1547 aprofundará o embate ao incluir um novo ingrediente no caldo político inglês daquele momento: o enfrentamento à Igreja católica. Alegando a necessidade de anular o casamento com Catarina de Aragão – que era tia de Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, não obteve a permissão papal. A solução encontrada foi fundar uma Igreja independente na Inglaterra: a Igreja Anglicana, em 1534.

Sucedem ao trono inglês Eduardo IV e Maria Tudor. Após isto, em 1558 sobe ao trono Elisabeth I, momento em que a Inglaterra passa a desenvolver uma política colonialista agressiva, rivalizando-se com a Espanha. Então, após derrotar a Invencível Armada espanhola em 1588 a Inglaterra se estabelece como a rainha dos mares. Em 1584 funda a Colônia da Virgínia, na América do Norte.

Elisabeth I morre em 1603 e põe fim à dinastia Tudor por não ter deixado herdeiros. Inicia-se aqui a dinastia Stuart, que se manteve no trono inglês até 1714  sendo coroado Jaime I e, na sequencia Carlos I – que reinou entre 1625 e 1648. Ambos tentaram implantar um regime amplamente absolutista e promoveram diversas perseguições religiosas. É neste momento que os puritanos emigraram para a colônia da América do Norte.

Ao entrar em conflito aberto com o parlamento, Carlos I tenta fechar a casa parlamentar em 1641 e desencadeia uma Guerra Civil onde se opõem os partidários do rei – os grandes proprietários, os católicos e os anglicanos aos partidários do parlamento – que ficaram conhecidos cabeças-redondas, pequenos proprietários, a população urbana, os puritanos e os plesbiterianos. Estes últimos, liderados por Oliver Comweel saem vencedores, depondo o rei e implantando uma República na Inglaterra. Foi durante o período da República Puritana que a Inglaterra se converteu em potência mundial, desenvolvendo intensamente a indústria naval. Ainda durante este período é declarado os Atos de Navegação, que fez com que a Holanda declarasse guerra à Inglaterra porque este ato inviabilizava o comércio marítimo holandês. A Holanda, todavia foi derrotada em 1654, e a supremacia britânica nos mares foi confirmada.

Após Oliver Cromweel ter designado seu filho para sucedê-lo e após este ter, sob pressão, renunciado ao cargo, a Inglaterra viverá dois anos de profundo caos político. Por fim, o parlamento decidirá enfim restabelecer a monarquia Stuart, chamando ao trono Carlos II.

Porém, como neste momento o parlamento havia recuperado parte de seu poder –  inclusive o de indicar quem deveria subir ao trono, este mesmo monarca que havia erigido ao trono pretendeu reimplantar o absolutismo, dividindo novamente o parlamento, agora entre whigsburgueses, adversários dos Stuart e, portanto, defensores do poder do parlamento e toriesanglicanos conservadores, monarquistas absolutistas. Isto vai conduzir o país à Revolução Gloriosa.

O sucessor de Carlos II, seu irmão Jaime II será intransigente quanto a questões políticas e religiosas. Defenderá arduamente o absolutismo e o catolicismo, o que acaba por desagradar, a um só tempo whig e torie.

A Revolução Gloriosa irá depor Jaime II e levar ao trono inglês o rei Guilherme III, então governante da Holanda, casado com a filha mais velha de Jaime II. Guilherme III jurou a Declaração dos Direitos, que davam poder ao povo sobre o Estado, a supremacia parlamentar sobre o poder absoluto do rei e estabeleceu a liberdade religiosa aos protestantes.

Com a Revolução Gloriosa o poder passa enfim ao Parlamento – a casa do povo

Desta maneira foi implantado o estado constitucional na Inglaterra. Agora, definitivamente o poder do parlamento – a casa da voz do povo estava alçada ao comando dos destinos da Inglaterra e do seu povo.

Este longo caminho pode ser resumido da seguinte maneira: em 1215 o rei vê seus poderes serem limitados por um parlamento vinculado à nobreza. De 1215 até 1649 reina o absolutismo na Inglaterra, que ao ruir fundará uma república que terá vida breve, sendo substituído pela monarquia novamente em 1660, porém desta feita a tentativa de reviver o absolutismo esbarrará em constantes disputas e, com o advento da classe burguesa ocorrerá a Revolução Gloriosa que irá restringir os poderes do monarca ao parlamento, agora com vínculo burguês.

E será esta burguesia, erigida ao poder através do parlamento que irá promover a Revolução Industrial, que será o braço econômico do liberalismo.

França

Estamos analisando como os povos de algumas sociedades conseguiram voz e voto antes de esta liberdade ser difundida para outros países do globo terrestre, especialmente os do Ocidente.

Já vimos que na Inglaterra o parlamento conseguiu limitar os poderes do rei, primeiro um parlamento ligado à nobreza, mas, após a Revolução Gloriosa, um parlamento atrelado à burguesia e em busca dos ideais burgueses.

O povo da França conseguiu se libertar das amarras do absolutismo de modo diferente e bastante traumático. Pode-se dizer que o processo revolucionário que conduziu ao liberalismo na França teve seu primeiro lance efetivo na Revolução Francesa, em 1789 e se estendeu até meados do XIX, com a Primavera dos Povos.

Na França, portanto, não foi o parlamento quem conduziu o fio da história que encaminhou a esta nova maneira do cidadão se relacionar com o Estado. O próprio povo teve de derramar o seu sangue para que isto acontecesse.

Mas, para a nossa análise termos de retornar à Guerra dos Cem Anos e suas consequências para a França. Havia ali uma nobreza debilitada que viu o poder da dinastia dos Valois se tornar fortalecida. Durante o século XVI a França será palco de verdadeiras guerras político-religiosas, em especial durante os reinados de Carlos IX e Henrique III. Estas guerras, neste momento dificultou o estabelecimento do poder absoluto.

Henrique IV reinou entre 1589 e 1610 e, para colocar fim às disputas religiosas irá renegar a doutrina protestante. Por outro lado, numa atitude dúbia, promulga o Edito de Nantes, pelo qual é concedida liberdade de culto aos protestantes na França. Em 1610 Henrique IV é assassinado e assume o trono Luís XIII, que governará com o auxílio de seu primeiro-ministro, cardeal Richelieu, que tinha ambições de tornar a França uma potência no continente. Este intento será conseguido com a derrota dos Habsburgo na Guerra dos Trinta Anos, o que permitirá à França estender seus domínios sobre ricos territórios do Sacro-Império.

Quando Luís XIII morre, seu sucessor, Luís XIV tem apenas cinco anos de idade e quem governará a França de fato será o italiano cardeal Mazarino. Diante de uma tentativa de se estabelecer com força um absolutismo neste momento na França ocorrerão levantes liderados por nobres, revoltas estas que ficaram conhecidas como frondas. Após abafá-las, os nobres franceses irão finalmente mudar de atitude e passarão a cortejar a realeza em troca de favores e privilégios. Luís XIV irá assumir o governo efetivamente em 1661 com a morte do cardeal Mazarino. Irá se tornar o Rei-Sol e simbolizará o próprio absolutismo.

Apesar da grande concentração de poder e de ter se dedicado por completo à função de governante, dirigindo pessoalmente toda a política interna e externa francesa, entregou os assuntos econômicos para o ministro Colbert, que pretendia implantar um forte industrialismo na França, baseando suas pretensões no mercantilismo.

Prejudicando a fé dos protestantes, Luís XIV irá revogar o Edito de Nantes em 1685 sob o argumento de que o país deve viver sob uma unidade, sob o lema “um rei, uma lei, uma fé” e esta fé deveria ser a católica. Desta maneira, reinicia os conflitos entre a monarquia e os huguenotes, essencialmente burgueses. Muitos irão deixar a França, aprofundando uma crise que começava a ficar grave eis que outros fatores estavam prejudicando os cofres estatais. Guerras externas e a construção do Palácio de Versalhes colaboraram sobremaneira para o agravamento da situação.

A construção do Palácio de Versalhes agravou ainda mais a situação econômica da França.

O herdeiro de Luís XIV, Luís XV irá iniciar efetivamente seu governo em 1723. Durante este governo, as dificuldades do povo francês atingirão um limite inaceitável. Os enormes gastos com guerras e com a corte de Versalhes são as causas principais do sofrimento do povo daquela miserável França. Falecido em 1774, foi sucedido por seu neto, Luís XVI.

Será com Luís XVI que o absolutismo francês ruirá, diante da Revolução Francesa. Se durante a primeira parte do governo de Luís XVI houve uma tentativa de reformas baseadas nos ideais iluministas que surgiam, estas foram barradas pelo conservadorismo dos nobres que não cediam às investidas contra suas regalias conquistadas junto a corte de Versalhes.

Crises financeiras e políticas levarão o rei a convocar em assembleia os  Estados Gerais em 1789. A falta de acordo entre nobreza, clero e o terceiro estado – burgueses e o povo em geral, conduzirá a França à revolução. A tomada da Bastilha, prisão que representava o poder coercitivo do rei absoluto neste mesmo ano marcará o início efetivo da revolta que abalou a França pelos próximos dez anos.

A Revolução Francesa é o componente político que conduziu ao fim do absolutismo naquele país. Pretendeu instaurar a igualdade jurídica, política, econômica e tributária. Extrapolou o local de sua ocorrência e influenciou toda a Europa e o processo de independência das Américas.

Com a queda do absolutismo e a tomada do poder político pela burguesia, estavam enfim sepultados os últimos entraves ao capitalismo. As principais causas da revolução foram exatamente aquelas que dificultavam o desenvolvimento do capitalismo na França.

Tudo vai desaguar no período napoleônico, quando as conquistas da revolução serão consolidadas. É a edificação do estado burguês na França que se espalha pela Europa com as conquistas militares de Napoleão Bonaparte. Duas datas importantes durante este período: 1808 e 1815.

Em 1808, ao destronar o rei Felipe VII da Espanha, Napoleão dá as condições para que a América espanhola inicie efetivamente sua independência. Também no mesmo ano, ao se refugiar no Brasil fugindo de Napoleão, D. João VI inicia, talvez sem imaginar, o processo de autonomia da colônia portuguesa na América.

Já 1815 foi marcado pela queda definitiva de Napoleão e pelo Congresso de Viena, no qual as monarquias tentam ser restauradas, retomando assim o antigo regime do absolutismo. Nem a Santa Aliança concebida entre potências da época – Áustria, Rússia, Prússia, Inglaterra e a França restaurada foram capazes de conter a onda liberal que se formava.

A tentativa de retomar os domínios coloniais da América foi contida pelos norte-americanos que impuseram à Europa os ditamos da Doutrina Monroe, que pregava uma “América para os americanos”. Já as pretensões da restauração das monarquias absolutistas encontraram resistência nas revoluções populares, que entre 1830 e 1848 assolaram a Europa. O capitalismo havia se amadurecido. Politicamente, os ideais liberais haviam ganhado o coração e a mente dos povos. O Congresso de Viena fracassara aos seus intentos diante das ondas revolucionárias que varreram a Europa no período. O que de início estava restrito à França conquistou o continente e se espalhou pelo mundo através do processo de independência da América.

Estados Unidos da América

O processo de independência dos Estados Unidos da América é a manifestação e o reflexo das forças que, na Europa primeiramente haviam derrubado o feudalismo e suas estruturas e agora também se rebelavam contra o absolutismo.

A reforma religiosa que havia retirado da igreja católica a supremacia sobre o poder de conduzir a fé das pessoas, criando uma nova opção de fé – em síntese, o protestantismo – forneceu o material humano que iria erigir a nova nação na América. A Revolução Gloriosa que, ao dar ao parlamento inglês a supremacia sobre as decisões de Estado iria dar o fundamento ideológico de poder ao novo país. A Revolução Industrial forneceria a base econômica da nova terra – o capitalismo. Estavam dadas as condições para se construir uma nova nação, em uma nova terra em que a palavra liberdade soaria em plena consonância com os ideais iluministas que floresciam aqui e ali.

Os Estados Unidos foi um país concebido para oferecer liberdade aos seus cidadãos.

Curiosamente, após estas profundas mudanças fundamentarem a construção da nova nação na América, a Independência dos Estados Unidos irá ser uma das balizadoras do que logo após irá ocorrer na Europa. A declaração de independência dos Estados Unidos foi assinada em 1776. Em 1789 ocorre a Revolução Francesa, que finalmente colocaria termo ao absolutismo.

A Inglaterra iniciou o processo de colonização da América do Norte de uma forma nada organizada. Para lá foram enviado os excessos de população das cidades que estavam se tornando superpopulosas em razão do processo de cercamentos que antecedeu a revolução industrial, momento em que o povo, expulso do campo se deslocou para as cidades. Para a América também se dirigiram as pessoas que estavam fugindo das perseguições religiosas e políticas que ocorriam naquele momento na Inglaterra. Desta maneira, as colônias de ingleses que estavam sendo organizadas na América não eram homogêneas nem possuíam um projeto de Estado que as organizassem.

Dado a fatores que vão de questões climáticas, geográficas e mesmo religiosas as colônias do norte tiveram um processo de desenvolvimento diferente aos das colônias do sul.

Nas colônias do Norte predominavam pequenas e médias propriedades, que usavam mão de obra livre para produzir itens agrícolas semelhantes aos produzidos na Europa e, portanto, utilizados para o próprio abastecimento. Desenvolveu-se assim o mercado interno e, ante a despreocupação da Metrópole em relação àquele pedaço de terra, estas colônias desenvolveram certa autonomia política.

Já nas colônias do Sul, com condições climáticas diferentes das da Europa produzia-se produtos tropicais que necessitavam de grandes espaços de terra – os latifúndios – e optou-se pela mão de obra escrava. Estes produtos tropicais eram exportados, servindo então, para o abastecimento do mercado externo.

Quando a Inglaterra inicia a Revolução Industrial, a situação em sua colônia da América do Norte vai mudar. O governo inglês passa a limitar a autonomia das colônias impondo a elas, devido aos enormes gastos de guerra, taxas que foram se sobrepondo até que a situação na colônia se tornou insustentável.

Vão surgir, a partir deste momento, diversas leis que tentaram obter recursos para a Metrópole inglesa junto à sua colônia na América. Em 1764 o Parlamento Inglês aprova a Lei do Açúcar, que taxava este produto importado das Antilhas. Em 1765 veio a Lei do Selo, que ante os protestos dos colonos foi logo revogada. Em 1773 a Inglaterra impôs à colônia um imposto sobre o chá, que culminou com a Festa do Chá de Boston.

Em reação às novas determinações da metrópole, organizou-se o Congresso da Filadélfia em 1774, no qual os colonos exigem o fim das Leis Intoleráveis. Ante a negativa de recuo por parte do governo inglês, organizou-se o Segundo Congresso Continental de Filadélfia em 1776 e deste congresso surgiu, enfim, a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

Quando a Inglaterra passou a tratar os norte-americanos como os espanhois e portugueses tratavam suas colônias o processo de independência ganhou força.

A independência dos Estados Unidos foi um processo renhido, obtido através de lutas contra uma Metrópole que primeiramente conferiu certa autonomia à Colônia, mas, após os apertos financeiros que diversas guerras lhe causaram, passou a exigir-lhe que de certa maneira cobrisse-lhes estes enormes gastos. Ou seja, no momento em que a Inglaterra passou a enxergar sua colônia na América como provedora de suas extravagâncias, aquela colônia já tinha organização suficiente para combater o agressor.

Depois de consolidada a nova Nação, está irá enfrentar um sério problema interno que irá conduzi-la a uma sangrenta guerra civil, que se prolongou de 1861 até 1865: a questão da escravidão. A história desta Guerra, a chamada Guerra da Secessão é deveras conhecida e estudada, mas o que nos faz dela aqui reportar é o fato de que nem mesmo o maior trauma norte-americano foi capaz de derrogar a Constituição fundadora daquela Nação.

Quando o conflito terminou o país continuava com um instrumento institucional forte – sua Constituição, que recebeu apenas uma emenda em função de tudo o que acontecera, a décima terceira emenda, que pôs fim à escravidão naquele país.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Radar das eleições

Geraldo Alckmin sela sua ida para o PSB e é confirmado como o vice na chapa que terá Lula da Silva como presidente. O que de início parecia algo impensável se torna realidade – coisas da política.

Alckmin deve assinar com socialistas dia 20

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Após o PT ter iniciado o processo de federação partidária com PCdoB PV outra federação que é dada como certa, também pelo espectro da esquerda é a que deverá unir, por quatro anos a REDE Solidariedade e o PSOL. Dizem que falta apenas o aval de Marina Silva.

Federaçao entre REDE e PSOL depende de aval de Marina Silva

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Rodrigo Pacheco saiu definitivamente da corrida eleitoral para a presidência. Ele comunicou sua decisão ao presidente do seu partido, PSD Gilberto Kassab. Pretende focar seus esforços em se reeleger na presidência do Senado. O argumento de Pacheco é mais do que convincente. Para ele, uma candidatura neste momento seria “inconciliável com Senado”.

Pacheco prefere manter-se no Senado

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O senador José Serra, cujo mandato se encerra no fim deste ano irá disputar o cargo de Deputado Federal pelo seu partido, PSDB. Com receio de ver sua bancada diminuir o partido sugeriu ao senador que passasse da câmara alta à câmara baixa na certeza de que seu nome irá puxar mais votos para o partido na casa. Ele aceitou.

Serra atende a chamado de seu partido e irá disputar vaga na Câmara dos Deputados