Resultado das eleições municipais mostrou que o eleitor fugiu da polarização, mas não encontrou opções genuínas.
Hugo Motta deve substituir Arthur Lira no comando da Câmara dos Deputados.
O resultado das eleições municipais deste ano mostrou que o radicalismo lula x bolsonaro se arrefeceu. A notícia é boa. Em se tratando de política, quando se entra no jogo da polarização todos perdem.
Neste sentido, o centro sempre será a melhor solução. Quando ele varia da centro-direita para a centro-esquerda e vice-versa é sinal de amadurecimento político, tanto do sistema quanto dos eleitores.
Ao votar assim, o brasileiro confiou no sistema partidário, não em figuras vistas como ‘pais’ ou ‘messias’, das quais deveria se distanciar para seu próprio bem.
O mal é que se esta eleição foi vencida pelo centro, os partidos vencedores não podem ser tidos como ‘de centro’, mas, do centrão.
O centrão é composto por partidos que não possuem ideologia de centro, mas que se adaptam de acordo com as conveniências de momento. Vestem o figurino que melhor lhes cabe em cada situação. Assim, se não foi a esquerda ou a direita as vencedoras destas eleições, também não foi de um centro legítimo.
As eleições comprovaram que o embate entre os poderes continua vigoroso e preocupante. Deixaram claro que o poder do Legislativo, ao transferir dinheiro para as prefeituras, acabou por influenciar o resultado. O espólio de Arthur Lira (PP) vai perdurar ainda por um bom tempo.
A convergência pelo nome de Hugo Motta (Republicanos – PB) deixa clara a influência de Lira e, por conseguinte, do centrão, que deve permanecer forte e unido para defender seus interesses paroquiais.
O eleitor evitou a polarização, mas ainda não encontrou um caminho de centro digno do nome.
Coreia do Norte é outro exemplo de lugar onde o povo não sabe o que é liberdade de expressão
Alguns povos parecem condenados a viver sob um regime autoritário. São assim as culturas vinculadas ao islamismo, cujos Estados acabam por se caracterizar em uma mistura entre política e religião — são estados teocráticos e vivem sob diretrizes estritas, inclusive e especialmente as relacionadas à moral. Não se pensa em democracia ali.
Outros não se veem sobre outro regime que não seja a democracia. Nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, a democracia se consolidou após revoluções históricas que rejeitaram regimes autoritários e monarquias absolutistas, como a independência americana em 1776 e a Revolução Francesa em 1789.
Esses eventos estabeleceram a base para governos representativos que garantem direitos civis, liberdades individuais e participação popular. Após experiências traumáticas com regimes totalitários no século XX, como o fascismo e o comunismo, essas sociedades passaram a valorizar a democracia como o sistema que melhor assegura a prosperidade, a estabilidade política e a proteção das liberdades fundamentais, sem aceitar outro modelo de governo.
América Latina ainda não tem sua democracia consolidada.
No entanto, existem alguns países em que nem se estabelece um regime ditatorial duradouro e, por outro lado, a democracia vai se consolidando apenas com grande dificuldade.
São povos em que parecem não confiar em sua capacidade de autoadministração e que, por isso, procuram um pai que lhes dê segurança. Assim nasceu o caudilhismo latino-americano.
No Brasil, em especial, vivemos a concepção do Sebastianismo, cujas raízes remontam à Portugal da era moderna. No ano de 1578 D. Sebastião, então rei de Portugal em um momento em que aquele país vivia sua expansão ultramarina foi morto em uma batalha no Marrocos. Ficou conhecido como o “Rei Adormecido” porque muitos portugueses aguardavam o retorno dele, fato que nunca aconteceu.
Transferindo essa ideia para sua principal colônia, por aqui sempre se espera algum ‘herói nacional’. Não é à toa que esse imaginário coletivo ajudou muito ao último pretenso autoritário por aqui se chamar Jair “Messias” Bolsonaro!
Nossa classe média, vez ou outra, embarca em aventuras propostas especialmente por uma elite que prevendo perder seus privilégios por governos de esquerda, preferem recorrer a golpes de estado. A última vez que isso aconteceu foi em 1964.
Mas, para melhor compreender o que levou o brasileiro a aceitar entregar o governo de seu país e o seu destino nas mãos de militares, é necessário recorrer ao contexto mundial daquele período.
Os Estados Unidos comandam o continente.
Durante as décadas de 1960 e 1970, os Estados Unidos desempenharam um papel significativo no apoio e influência em golpes militares que ocorreram em vários países da América Latina.
Motivados pela Guerra Fria e pelo medo de uma expansão do comunismo no Hemisfério Ocidental, os EUA, através de sua política externa, apoiaram governos militares autoritários que combatiam movimentos de esquerda.
Utilizando a Doutrina de Segurança Nacional, os EUA, muitas vezes por meio da CIA, forneceram recursos, treinamento e apoio logístico a grupos militares que derrubaram governos eleitos, como no Brasil (1964), Chile (1973), e Argentina (1976). Esses regimes militares frequentemente implementaram políticas repressivas, caracterizadas por violações de direitos humanos, censura e perseguição de opositores, com o aval implícito ou explícito de Washington, que via esses regimes como aliados na luta contra a influência soviética na região.
Durante as décadas de 1960 e 1970 EUA estimulou ditaduras militares na região.
Preocupados com a influência soviética e cubana após a Revolução Cubana de 1959, os EUA adotaram uma estratégia de intervenção indireta para impedir que governos de esquerda ou socialistas tomassem o poder no continente. Essa intervenção era muitas vezes justificada sob a Doutrina Monroe, que estabelecia a América Latina como uma área de influência dos EUA, e pela Doutrina de Segurança Nacional, que colocava a luta contra o comunismo como prioridade.
No Brasil, por exemplo, o golpe militar de 1964 que derrubou o presidente democraticamente eleito João Goulart teve o apoio direto dos EUA. Documentos desclassificados revelam que o governo norte-americano, sob a presidência de Lyndon B. Johnson, forneceu suporte financeiro e bélico aos golpistas, incluindo o planejamento da Operação Brother Sam, que previa o envio de uma frota naval ao Brasil para apoiar as forças armadas caso houvesse resistência armada.
No Chile, o governo de Salvador Allende, que promovia políticas socialistas após sua eleição em 1970, tornou-se alvo da política externa dos EUA. A administração de Richard Nixon e o então conselheiro de segurança nacional, Henry Kissinger, temiam que o Chile tomasse Cuba por exemplo.
A CIA desempenhou um papel fundamental no financiamento de greves, na desestabilização econômica e na criação de um ambiente favorável ao golpe militar de 1973, que resultou na ascensão do general Augusto Pinochet e em um regime de brutal repressão.
Na Argentina, o golpe de 1976, que deu início à ditadura militar de Jorge Rafael Videla, contou com o apoio dos EUA, especialmente durante o governo de Gerald Ford e Jimmy Carter, mesmo com as violações de direitos humanos no país. Essa interferência seguiu o padrão de promover regimes que fossem hostis ao comunismo, independentemente dos métodos que utilizassem para manter o poder.
Em todo o continente, a influência dos EUA nesses golpes não se limitava ao apoio logístico.
O treinamento de militares latino-americanos na Escola das Américas (School of the Americas), nos Estados Unidos, foi um dos principais meios de disseminação das técnicas de repressão, tortura e contrainsurgência utilizadas por esses regimes. Essas ditaduras resultaram em décadas de repressão, censura, tortura e desaparecimento de opositores, gerando profundas cicatrizes nas sociedades latino-americanas.
A influência dos EUA sobre esses governos foi, portanto, uma tentativa de manter a hegemonia no continente e garantir que os regimes estivessem alinhados com os interesses estratégicos e econômicos norte-americanos durante a Guerra Fria.
Crescimento econômico e miséria do povo
Grandes obras impulsionaram a economia do Brasil no final dos anos 1960 e inícios de 1970.
O crescimento econômico durante o período militar no Brasil, especialmente nas décadas de 1960 e 1970, foi marcado por grandes investimentos em infraestrutura, industrialização e o chamado “milagre econômico”. Contudo, esse crescimento foi sustentado à custa de políticas de arrocho salarial, que comprimiram o poder de compra dos trabalhadores e ampliaram a desigualdade social. O governo militar, preocupado em atrair investimentos estrangeiros e estimular a produção interna, adotou medidas que favoreciam os empresários e limitavam os aumentos salariais, ao mesmo tempo que reprimia greves e movimentos sindicais. Alguns setores da economia experimentaram um boom. No entanto, o aumento da inflação e a redução do poder aquisitivo precarizaram o ambiente para os trabalhadores. Eles viam sua renda corroída enquanto a concentração de riqueza se intensificava.
Paralelamente, o regime militar empregou uma intensa repressão contra seus opositores, instaurando uma ditadura marcada por censura, tortura, desaparecimentos e execuções de quem se posicionasse contra o governo. A promulgação do AI-5 (Ato Institucional nº 5) em 1968, que deu poderes quase absolutos ao regime, abriu caminho para a perseguição sistemática de ativistas, intelectuais, artistas e qualquer um que representasse uma ameaça ao governo. A estratégia de controle social também envolveu o uso da propaganda estatal, que exaltava o crescimento econômico e promovia uma imagem de ordem e progresso, ofuscando a realidade das violações de direitos humanos.
A vitória da seleção na Copa de 1970 mascarava a miséria e a opressão.
Grande parte da população, embalada pelo discurso do crescimento e pelas promessas de modernização, não percebia, ou preferia ignorar, as atrocidades cometidas pelos militares. O governo controlava rigorosamente a mídia, censurando informações sobre prisões arbitrárias, torturas e assassinatos de opositores políticos. Esse controle, aliado ao medo da repressão e a falta de acesso a informações verídicas, criou uma espécie de “cegueira coletiva”, em que muitos acreditavam que o regime militar estava garantindo a segurança e o desenvolvimento do país. Somente anos mais tarde, com a abertura democrática e a revelação dos abusos cometidos, é que a sociedade começou a compreender a verdadeira extensão das violações ocorridas durante o período, e o custo humano desse crescimento econômico.
O choque do petróleo – mais uma vez, o mundo nos derrubou
O “Choque do Petróleo” de 1973 foi um marco que expôs a vulnerabilidade das economias em desenvolvimento, incluindo o Brasil, às forças externas. Naquele momento, o país vivia um período de aparente prosperidade, sustentado pelo crescimento econômico impulsionado pelo governo militar e pela industrialização acelerada. Contudo, o súbito aumento dos preços do petróleo, causado pelo embargo da OPEP em resposta ao apoio ocidental a Israel durante a Guerra do Yom Kippur, desestabilizou o mundo inteiro. Para o Brasil, altamente dependente da importação de petróleo, a crise foi um golpe devastador. Os custos de energia dispararam, e o milagre econômico, que até então mascarava as fragilidades estruturais da economia, começou a desmoronar.
Como em muitos momentos da história, o Brasil foi novamente afetado por fatores globais além de seu controle. O aumento exponencial dos preços do petróleo gerou inflação, aumento da dívida externa e desequilíbrios econômicos. As políticas internas, baseadas em empréstimos internacionais e arrocho salarial, se mostraram insustentáveis diante da crise energética global. O que antes parecia um caminho de crescimento contínuo transformou-se em uma armadilha econômica que revelou a dependência do país de insumos estrangeiros e de um sistema internacional instável.
O boom do momento anterior não foi distribuído entre a população.
O choque do petróleo também evidenciou a falta de preparo para enfrentar as crises globais.
Aquela visão otimista dos militares, que acreditavam estar construindo um país forte e autossuficiente, foi confrontada à realidade de uma economia muito sensível a variações externas. O sonho de modernização e desenvolvimento acelerado foi, mais uma vez, colocado em xeque por eventos globais que escapavam ao controle nacional, mostrando que o progresso do Brasil estava, em grande parte, à mercê dos humores do cenário internacional.
Quando as elites nacionais entregaram o controle do estado aos militares se iludiram com um atalho que, ao fim e ao cabo, se mostrou duplamente equivocado – tanto social quanto economicamente. Sem avanços sociais, retrocedemos institucionalmente como Nação.
O obstáculo para o desenvolvimento do Brasil não é o povo, mas sim o seu governo.
Ex-presidente americano faz campanha para reconquistar o cargo.
Durante sua última estadia na Casa Branca, Donald Trump desafiou os fundamentos democráticos, uma das maiores riquezas daquela nação. Caso seja eleito, veremos se finalmente compreendeu que precisa respeitá-las ou se irá dobrar a aposta.
As instituições nunca foram o forte do Brasil. Por aqui, leis são criadas e recriadas ao sabor das necessidades, e nem toda lei “pega”. Decisões judiciais são tomadas e depois derrubadas de acordo com os interesses de momento. Visto em perspectiva, é isso que tem nos impedido de atingir níveis maiores de desenvolvimento.
A sanha arrecadatória recai sobre aqueles que não podem manter lobbies – oportunamente não regulamentados, diga-se de passagem – para fugir das altas alíquotas. Assim, os benefícios fiscais que uns recebem são empurrados para aqueles que não os tem.
O dinheiro do orçamento é dividido de forma “secreta” e não chegar a quem necessita, fortalecendo grupos que comandam feudos e se assemelham aos coronéis e aos senhores de engenhos de antanho. São os oligarcas.
Para fechar o quadro, apresenta-se o povo brasileiro como malandro e como aproveitador de situações. Sim, aquele que paga impostos é o vilão.
O Prêmio Nobel de Economia de 2024 foi concedido aos economistas Daron Acemoglu, Simon Johnson e James Robinson por suas pesquisas sobre como as instituições moldam e influenciam a prosperidade econômica dos países.
Tratou sobre como economias que deveriam ser fortes não são. É o caso do Brasil – a propósito, um país que ainda não conseguiu ganhar nenhum prêmio Nobel dada a maneira como a educação é conduzida pelos nossos governantes desde sempre.
É assim que se mantém um poderoso país na condição de subdesenvolvido. Os americanos deveriam refletir se vale a pena apostar naqueles que não respeitam as instituições. Coube a uma brasileira radicada lá dizer isso ao candidato republicano. Ela sabe do que está falando.
A cada eleição o sistema partidário brasileiro torna-se menos poluído. É preciso manter a regra que introduziu a cláusula de desempenho no país.
Em 2022, doze partidos e federações alcançam cláusula de desempenho; 16 partidos ficam de fora.
Ainda em 1995, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso houve uma tentativa de se implantar a Cláusula de Barreira no Brasil. Por ela, os partidos políticos teriam de alcançar determinado resultado nas eleições para figurar no Congresso Nacional. Porém, naquele momento, o STF derrubou o instituto e continuou a permitir a perniciosa pulverização do parlamento brasileiro.
Depois, somente em 2017 o instituto voltou repaginado. Agora, não se impede um partido com pouca representatividade de atuar no Congresso, mas retira-se dele tempo de propaganda eleitoral gratuita e dinheiro do fundo partidário.
O caso é que a régua desta cláusula de desempenho está ficando a cada eleição mais alta e retira a viabilidade dos pequenos partidos.
Então criou-se a figura das Federações Partidárias. Já prevendo dificuldades para se sustentar nas próximas eleições, até partidos tradicionais como PSDB e PDT entenderam que terão de se sujeitar ao subterfúgio.
A diminuição do número de partidos efetivamente ativos no parlamento tende a trazer mais racionalidade ao processo.
Atualmente, além das três federações partidárias já registradas e atuantes — Federação Brasil da Esperança (composta por PT, PCdoB e PV), Federação PSDB Cidadania, e Federação PSOL / REDE — há negociações em curso para a formação de novas federações.
O PDT e o Solidariedade estão explorando a possibilidade de formar uma nova federação para as próximas eleições, visando aumentar sua força política e superar a cláusula de barreira.
Essas iniciativas refletem a busca de partidos menores por mais estabilidade e acesso ao fundo partidário e à propaganda eleitoral, garantindo a sua sobrevivência política no cenário nacional.
Isto é bem diferente das antigas coligações temporárias, nas quais partidos se uniam durante o período eleitoral e depois se separavam durante o mandato.
O objetivo dessas federações é criar alianças de longo prazo entre partidos ideologicamente semelhantes, o que permite que atuem de forma coesa durante todo o mandato eleitoral, podendo conduzir à fusão de partidos.
PSL e DEM em 2021 se uniram para formar o União Brasil, a maior bancada da Câmara dos Deputados. Também houve a incorporação do Pros pelo Solidariedade em 2023.
Hoje existem negociações entre PTB e Patriota: esses partidos estão em processo de fusão para criar o partido “Mais Brasil”.
Menos partidos, mais consciência do eleitor sobre o processo. Esta é uma grande notícia para nossa Democracia. Que não haja retrocessos!
A cidade de São Paulo preferiu não se aventurar. Lula e Bolsonaro perdem o protagonismo nas eleições municipais.
Postura radical de Pablo Marçal (PRTB) o deixa de fora do segundo turno em São Paulo.
Um dos velhos chavões que se utilizam para desestabilizar a democracia brasileira e para fazer o povo se sentir incapaz é aquele que prega que “o brasileiro não sabe votar”.
Mas as urnas têm repetido que o que se dá é o exato oposto e, diante das opções que os partidos políticos oferecem ao eleitor como menu, o brasileiro sabe, sim, escolher.
O que acontece é que grupos de influência intervêm no processo, sempre de olho em seus comezinhos interesses e oferecem más opções, além de trabalharem para interferirem na intenção de votos do eleitor.
Durante a campanha e, depois, com Bolsonaro eleito, criou-se uma aberração chamada ‘bolsonarismo’ para se contrapor a outra aberração chamada ‘lulismo’, e isso tem feito muito mau ao Brasil. Porém, o público finalmente parece estar acordando deste encantamento.
Sabedores disto, ambos se ausentaram — para o bem do pleito — das campanhas eleitorais.
A cidade de São Paulo soube afastar outra aberração das opções para o segundo turno e irá decidir entre um candidato da esquerda (Psol) e um de centro-direita (MDB).
E enquanto o Rio de Janeiro se agarrou a Eduardo Paes (PSD), Belo Horizonte, de última hora decidiu afastar o apresentador Mauro Tramonte (Republicanos) e ficar entre uma opção vinda do PL, Bruno Engler e outro do PSD Fuad Noman. É difícil entender o que causou a queda de Tramonte, mas não parece que a influência de Bolsonaro em favor de Engler tenha sido o motivo.
O PL fez duas capitais em primeiro turno: Rio Branco (AC) e Maceió (AL), nesta última com o candidato apoiado por Arthur Lira (PP), presidente da Câmara dos Deputados. Já o PT não fez nenhuma capital, ainda que tenha candidatos no segundo turno de Cuiabá (MT), Natal (RN) e Porto Alegre (RS).
Manaus (AM), Goiânia (GO), Aracaju (SE), João Pessoa (PB) e Belém (PA) têm candidatos do PL no segundo turno. Já Fortaleza (CE) contará com um duelo entre o Partido dos Trabalhadores e o Partido Liberal.
Não se pode, todavia, pensar que foi a influência de Lula ou de Bolsonaro quem conduziu estes candidatos à segunda rodada. No PL, acima de Bolsonaro existe a figura de Valdemar Costa Neto, muito mais habilitado a circular nos bastidores da política do que o ex-presidente que, radical, desune.
Um grande vencedor das eleições foi um político de carteirinha, Gilberto Kassab, que preside o partido que mais fez prefeituras no país. O PSD conquistou 878 administrações municipais, enquanto o MDB obteve 848 e tem a intenção de se manter na principal gestão municipal do país em São Paulo.
Há várias análises sobre essas eleições apontando para o perigo de se imaginar que a polarização diminuiu, que isso é reflexo das características do pleito municipal. Pode ser. Mas o mero fato de Lula e Bolsonaro terem pouco influenciado no resultado do certame já é algo a ser comemorado.
Fundão Eleitoral consumiu quase 5 bilhões de recursos públicos. Os Partidos Políticos são os grandes responsáveis por tudo de errado que ocorreu durante a campanha eleitoral.
Campanha eleitoral chega ao fim.
É lamentável constatar que em um país que precisa enviar ajuda ao seu povo através de programas assistenciais (ainda que as Bets estejam abocanhando grande parcela disto) uma campanha eleitoral para o nível municipal tenha consumido algo em torno de 4,9 bilhões de reais.
A situação anterior era pior: empresas patrocinavam campanhas e, como restou demonstrado, depois reaviam o valor com dividendos através de licitações fraudadas ou benefícios em tributos.
Passado o período e às portas do pleito, de se indagar se a maneira como as campanhas eleitorais estão sendo feitas é a ideal. Não é.
A agressividade entre os candidatos e seus correligionários atingiu níveis preocupantes. Foram registrados ao menos 455 casos de violência política, incluindo 94 episódios de agressão física, dos quais 15 resultaram em homicídios.
Entre os casos mais notáveis estão o assassinato de João Fernandes Teixeira Filho (Avante), candidato a vereador em Nova Iguaçu (RJ), e o atentado sofrido por Thaís Margarido (União Brasil), candidata à prefeitura do Guarujá (SP), cujo carro foi alvejado por tiros durante um compromisso de campanha.
O caso que ganhou mais destaque, todavia, foi a cadeirada que o candidato à Prefeitura de São Paulo José Luiz Datena (PSDB) desferiu contra o outro candidato, Pablo Marçal (PRTB), durante um debate. Posteriormente, em outro debate, um assessor de Marçal desferiu um soco no marqueteiro de Ricardo Nunes (MDB), candidato à reeleição na capital paulista.
Não se pode isentar os partidos políticos de sua parcela de culpa nos eventos. Os partidos políticos são os principais responsáveis porque são eles quem escolheram e filtraram os candidatos que agora nos oferecem este show de horrores.
Tudo isto com dinheiro público. Estamos patrocinando ringues e cenas de ‘far west‘ Brasil afora. Deve haver uma maneira mais civilizada de se fazer política.
As palavras proferidas no púlpito da Assembleia das Nações Unidas por Lula são válidas. Mas ele se esquece de que seu governo é parte do problema. Muito do que disse seve para ele mesmo.
Lula expõe seus argumentos na Assembleia Geral da ONU.
“Façam o que eu digo, não façam o que eu faço!”, diz o brocardo. Lula condenou o fracasso de diversos acordos internacionais, especialmente os relacionados ao clima, ressaltando que o planeta “já está cansado de acordos climáticos não cumpridos“. Ele tem razão.
Mas parece se esquecer que comanda a maior potência climática do planeta. A Amazônia arde em chamas e nenhuma das nações às quais ele criticou tem relação direta com o problema. Cabe ao Brasil, sob a sua batuta, fiscalizar!
Quanto a questão das guerras que desestabilizam a paz global – seja a da Rússia contra a Ucrânia, seja a que Netanyahu desfere contra o Hezbollah – Lula as trata com viés estritamente ideológico, enfraquecendo suas razões.
Se esquece que o conflito no oriente médio iniciou-se quando o grupo que comanda o Líbano atacou covardemente Israel e que foi a Rússia quem invadiu a Ucrânia, tentando consolidar aquilo que havia começado em 2014, quando anexou a Criméia e o mundo se calou.
Ademais, seu eterno enlace com as ditaduras de Cuba e da Venezuela já faz parte do anedotário político internacional. Suas palavras perdem força diante de tanta incoerência.
De se lamentar que o lugar de honra que o Brasil ocupa na Assembleia das Nações Unidas tem sido tão mal utilizado. Para quem pretende uma cadeira no Conselho de Segurança, estamos mais é para perder a honraria.
Aproveitando-se dos momentos de dificuldades da população, alguns políticos fazem muito mal ao país. Uns mais que outros. Entre os que se destacaram nesse feito podemos citar Jânio Quadros.
Quadros chega à presidência de maneira meteórica.
O Brasil podia ter passado sem esse breve governo de apenas sete meses, mas que deixou consequências nefastas pelos próximos vinte e cinco anos. Sua inabilidade política acabou por conduzir o Brasil ao golpe de 1964, aliás, já urdido desde a posse de Juscelino, e mesmo antes disto. Há quem diga que ao se matar, Getúlio atrasou o golpe em dez anos.
O fato é que o blefe de Jânio Quadros nos custou caro.
Jânio chegou como um meteoro à presidência. Cuidou-se somente de mais um dos casos clássicos do populismo barato e perigoso que incendeia a política latino-americana.
Polêmico, soube surfar na demagogia. Os articuladores políticos da época e as influências que nesse meio transitam logo enxergaram nele a figura ideal para permanecerem com a chave do verdadeiro poder nas mãos — entre elas, a UDN.
A UDN (União Democrática Nacional) se destacou por sua oposição ferrenha a Getúlio Vargas e ao trabalhismo, representado pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Entre seus membros estavam muitos dos apoiadores do golpe de 1964, que resultou na instauração do regime militar no Brasil.
Após o golpe, assim como outros partidos, a UDN foi dissolvida com a promulgação do Ato Institucional Número Dois (AI-2, em 1965), que extinguiu o pluripartidarismo e instituiu o bipartidarismo no país. E por isso nem o partido esperava, não havia sido este o combinado.
Jânio venceu as últimas eleições diretas para a presidência da república representando a antipolítica, isso é, apresentando-se como uma pessoa que não era um político profissional e que por isso mesmo, poderia acabar com a corrupção no governo.
Jânio condecora Che Guevara e obtém a desconfiança dos americanos.
Mas a sua gestão foi de um verdadeiro amador. Condecorar Che Guevara em Brasília e, na sequência — um mês depois — encaminhar uma carta ao Congresso renunciando à presidência, na esperança de que sua renúncia seria rejeitada, deixou claro que fez a aposta errada.
Quadros agiu como um amador, mas sua estratégia era a de um profissional.
Antes de encaminhar a carta renúncia ao parlamento, teve o cuidado de enviar à China o então vice-presidente João Goulart, na expectativa de duas coisas:
A primeira era a de que o Congresso não iria aceitar sua renúncia porque seu vice era tido como comunista.
A segunda era a de que o fato de Jango estar na China dificultaria uma recusa à sua renúncia. Mas se enganou duplamente.
Renúncia de Jânio: poucas palavras e graves consequências.
Jânio já havia se valido deste estratagema em duas ocasiões durante o processo de sua escolha como candidato à presidência, impondo assim suas vontades. Ameaçando renunciar à candidatura, impunha-se. Mais tarde, ele irá confessar ao neto que este foi o grande erro de sua carreira política.
Ao encaminhar a carta de renúncia, Jânio Quadros não quis outra coisa senão enquadrar o Parlamento. Não imaginava que o Congresso iria aceitar sua vontade e entregar o poder a um esquerdista, mas foi o que de fato aconteceu.
Ascenção e queda durante a Guerra Fria
O embate ideológico que se seguiu à Segunda Guerra Mundial ficou conhecida como Guerra Fria — uma alusão falaciosa de que nesse momento discutia-se ideologias sem que bombas fossem detonadas.
Uma vassoura era o grande cabo eleitoral de Jânio.
Durante este período, Jânio partiu de um completo desconhecido para a presidência da República. Em 1947 assumia uma cadeira na Câmara de Vereadores de São Paulo. Em 1961 estava no recém-inaugurado Palácio do Planalto.
Quando o Partido Comunista foi banido do país por Getúlio Vargas ele era suplente de vereador. Portanto, por um golpe de sorte chegou ao seu primeiro cargo político.
De vereador passou a prefeito da maior cidade do país; depois, a governador do mais importante Estado da Federação e logo chegou a Brasília. Tudo muito rápido e baseado em um discurso altamente populista.
Naquele momento, para além das questões internas, os problemas internacionais faziam muita pressão sobre o destino político de vários países ditos satélites, como era o caso do Brasil.
Assim, ao entregar a presidência a um esquerdista do porte de João Goulart, abriu-se as portas para o golpe de Estado que os militares a tempo urdiam e que a direita enamorava. Com o apoio dos Estados Unidos que, assim, garantiam que um país como o Brasil caísse na influência da União Soviética, o golpe foi dado sem maiores resistências.
Os militares estavam unidos às facetas mais conservadoras de nossa sociedade e aos interesses internacionais dos Estado Unidos — quem poderia contestar?
Portanto, a mesma guerra fria que promoveu a ascensão de Jânio confirmou sua queda. O banimento do Partido Comunista foi o golpe de sorte de que ele se valeu para ingressar na política e o mesmo receio ao comunismo lhe apontou o caminho do fracasso.
Irá retornar anos mais tarde, mais uma vez como prefeito de São Paulo (1986-1989), mas agora, numa passagem apagada e nostálgica. O blefe que Quadros perpetrou em 1961 decretou, a um só tempo, o fim de sua carreira política e o início de um período sem política digna de nome no Brasil, ao menos pelos próximos vinte e cinco longos anos.
***
Mas o que nos chama a atenção e o que se quer aqui analisar é o porquê de o brasileiro confiar em uma figura tão esdruxula para ocupar o cargo mais alto de governo do país. Quem o colocou lá?
Antes de ser presidente, ele teve uma ascensão fulgurante na política paulista. Depois, para chegar a Brasília, Quadros contou com o apoio do que hoje poderíamos chamar de “grande capital”.
Mas mesmo assim, o brasileiro, desconfiado, colocou no cargo da vice-presidência um esquerdista — João Goulart. De se lembrar que o sistema eleitoral de então permitia votos desvinculados para os postos de presidente e vice-presidente.
Portanto, não se pode concluir que “o brasileiro não sabe votar“…
Mas tem um pretexto que é sempre aceito pelo brasileiro: o medo do comunismo. Não que nesse momento seu principal adversário, o Marechal Henrique Teixeira Lott (aquele mesmo, que havia garantido a posse de JK) representasse a ameaça comunista. Mas ele estava ligado às alas mais progressistas e à esquerda da época.
Fica claro: estar à esquerda significa pensar mais no social do que no capital e isto não interessava à elite financeira do país, que sempre prefere um incentivo ao capital. Ora, como fazer o povo acompanhar esta ideia: ressuscitando o fantasma do comunismo. Com os discursos — e alguma ação — de João Goulart, isso foi tarefa fácil.
Então as últimas eleições diretas para a presidência da república antes do Golpe de 1964 foram vencidas por um representante de uma direita comprometida com os interesses capitalistas e que ao final não seguiu a cartilha.
Ao tomar medidas que deixaram esta elite desconfiada, não teve nenhum apoio ao blefar sua renúncia. A herança de Jânio Quadros vai para além dos vinte e cinco anos de ditadura militar que o Brasil depois vivenciou.
Más escolhas trazem consequências nefastas para o país.
Ela reforçou o populismo e serviu de escola para personalidades posteriores que vieram a ocupar a presidência da república e que sempre, como Jânio, pouco deixaram de legado e muito de problemas. Tristes retratos da história política do Brasil.
Partidos políticos são os principais responsáveis pela falta de diálogo e de apresentação de propostas concretas na política brasileira.
Imagem roda o mundo e denuncia o baixo nível de nossa democracia.
Quando o diálogo é substituído por agressões, sejam verbais, sejam físicas, entende-se que não há muito o que se dizer. E o problema maior é que o que aqui se comenta é sobre o que deveria ser uma ágora para a apresentação de ideias que possam tornar melhor a vida de milhões de paulistanos, mas que se transformou em um palco de insultos e agressões.
O desrespeito com o eleitor de São Paulo ficou claro durante o debate promovido pela TV Cultura na noite do último domingo, dia 15. Logo na Cultura?
O fato é que o grande responsável por este tipo de situação continua a ser o partido político, porque é ele quem apresenta o candidato para o eleitorado. Da parte de Pablo Marçal, estando este no PRTN não é de se admirar o acontecido.
Além das brigas internas pelo poder no Partido, seu atual presidente foi gravado afirmando ter ligações com membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), uma facção criminosa. Essas alegações complicaram ainda mais a situação do partido, que está envolvido em várias ações judiciais.
Quanto a José Luiz Datena, figura tarimbada da televisão, deveria saber se controlar melhor diante das injúrias que uma disputa política expõe. Mesmo assism, a responsabilidade maior pelo acontecido é de seu patrtido, o PSDB.
O partido, que já figurou entre os dois mais importantes do país, sangra a olhos vistos. Existe uma crise interna que opõe figurões que, não fosse por sua própria falta de entendimento, teriam o condão de ajudar o país a estabilizar-se politicamente.
O PSDB que já governou o estado de São Paulo por 28 anos, agora sofre derrotas expressivas em eleições recentes, incluindo a perda do governo paulista em 2022. Além disso, sua bancada na Câmara dos Deputados encolheu significativamente, caindo para 13 representantes.
A ascensão da extrema-direita e a migração de eleitores para partidos como o PL de Jair Bolsonaro também enfraqueceram a posição do PSDB. O caminho que o partido segue compromete ainda mais a sua imagem.
Se partidos como PRTN têm pouco a perder, o PSDB não. Devia escolher melhor seus candidatos.
Anistiar atos golpistas é dar aval àqueles que pretenderam retirar do próprio Congresso o poder de legislar em nome da sociedade. Ou o Congresso acha que, diante de uma ditadura, manteria suas prerrogativas?
Dividindo palanque com governador de São Paulo, Bolsonaro defende anistia a golpistas.
Os acontecimentos do dia 08 de janeiro de 2023 foram extremos. Naquela data, é bom lembrar, Brasília foi palco de um ataque violento contra as sedes dos Três Poderes da República: o Palácio do Planalto (Executivo), o Congresso Nacional (Legislativo) e o Supremo Tribunal Federal (Judiciário).
Manifestantes contrários ao resultado das eleições presidenciais de 2022 invadiram e vandalizaram esses prédios governamentais, em um episódio amplamente descrito como uma tentativa de golpe de Estado.
O ataque resultou em destruição de móveis, obras de arte, vidraças e equipamentos, além de saques e furtos em várias partes das instalações. Mas a grande ofendida foi nossa Democracia.
Ela saiu vitoriosa naquela ocasião e isto pode até ser visto como algo positivo. Ora, é bom pensar duas vezes antes de se atentar contra nossa jovem Democracia!
Agora, em meio a disputa pela presidência da Câmara dos Deputados, nossos parlamentares resolveram sair da inanição na qual as eleições municipais os colocou, para se aventurarem a votar uma anistia para os golpistas daquela ocasião.
E mesmo diante de um recuo, o simples fato de cogitarem isso já é um sinal preocupante. Isso porque não são os soldados rasos convocados para se arriscarem nas ruas que a anistia mira. São os mandantes e os financiadores do ataque.
Em acontecendo isso, mais uma vez estaremos diante de um fato grave que, ao fim e ao cabo, não culminará em punição alguma — ao menos para seus mandantes. Não faltam leis no Brasil. O que falta é fazer o andar de cima as cumprir.