O aparecimento de figuras como a de Pablo Marçal apenas confirma que, longe da política organizada, não há solução para a sociedade.
Coach quer ser prefeito de São Paulo.
O caso mais emblemático foi o surgimento e o crescimento do Nazismo há quase um século. O problema é que ainda não nos convencemos de que a radicalização na política é o pior atalho que se pode pegar. O alemão, ainda hoje tem vergonha de seu passado e é um povo que pouco ostenta a sua bandeira.
Pablo Marçal é fruto direto da polarização política que anda atrasando nosso desenvolvimento como Nação. Lula e Bolsonaro precisam se aposentar para que figuras deste porte não surjam, confundindo e iludindo o eleitor com soluções fáceis, mas inviáveis e, ao final, perigosas.
Na política, nada se impõe, tudo se negocia. Do contrário, age-se como Nícolas Maduro que quer mudar o início das comemorações do Natal na Venezuela para 1° de outubro. Napoleão criou um calendário novo para a França da época. Tudo para atender ambições pessoais ou para distrair o povo diante de algo que os incomoda.
Se temos dirigentes partidários que oferecem sua legenda para pessoas como Pablo Marçal (PRTB) figurar na cédula, deve ser o eleitor o primeiro a rejeitar. Partidos como esses também criaram Collor de Mello (PRN, na ocasião foi criado para abrigar um candidato que, igualmente, rejeitava a política partidária).
São tipos que não querem ter de negociar com o parlamento, que, ao menos na teoria, deveria ser a “Casa do Povo”.
Precisamos amadurecer politicamente se quisermos construir algo que se possa chamar de sociedade organizada. Cabe ao eleitor paulistano dar o exemplo e rejeitar este tipo de proposta.
Depoimento de Ronnie Lessa ao STF desnuda uma realidade que preocupa. A maneira como crimes são tratados por quem deveria deles se ocupar é de uma injustiça atroz.
Lessa: depoimento estarrecedor.
Lessa não apresentou “qualquer dado concreto que possa corroborar sua narrativa”. Assim respondeu a defesa do ex-chefe da polícia civil Rivaldo Barbosa, acusado de escamotear as investigações do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, em 2018.
Assassino confesso da vereadora carioca Marielle Franco, as palavras do ex-PM Ronnie Lessa têm movimentado o meio político em Brasília. Acontece que este caso não caiu no esquecimento, como tantos outros casos que envolvem tráfico de drogas e outras atividades ilícitas.
A porcentagem de homicídios cujos autores são conhecidos no Brasil varia bastante de acordo com a localidade, o ano e a eficiência das investigações conduzidas pelas autoridades. Mas, em geral, as estatísticas indicam que uma parte significativa dos homicídios no Brasil permanece sem solução. Estima-se que cerca de 20% a 30% dos homicídios no Brasil tenham a autoria identificada e solucionada, mas essa porcentagem pode ser menor em algumas regiões.
De qualquer maneira, estamos falando de vidas. É chocante escutar Lessa: “Quanto mais sangue rolava no Rio, mais dinheiro a equipe da DH”, ou “quem tem dinheiro, não vai preso”.
A justificativa maior da existência do Estado é a de que ele, em troca dos impostos que nos sujeitamos a recolher, oferece segurança – à vida e à propriedade. Quando a sensação de que nem isso o Estado oferece, então passa-se a questionar o porquê se sujeitar a isso.
Como mandantes deste crime em particular, o nome de um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro e de seu irmão, um deputado federal. Quanto ao TCE-RJ há um vídeo fundamental no Youtube no qual a então deputada estadual Cidinha Campos comenta, estarrecida, sobre como o órgão é administrado.
Em relação ao deputado federal Chiquinho Brazão (sem partido, mas eleito pelo União Brasil) cabe ao presidente da Câmara Arthur Lira (PP) fazer valer a decisão do Conselho de Ética e dar andamento ao processo de cassação. Lira quer empurrar a decisão para após as eleições. Quem sabe a poeira abaixa até lá.
Quem necessita de “tratamento diferenciado” é o cidadão carente, não as empresas.
Construção civil é outro setor que pede benefícios fiscais.
O sistema tributário brasileiro é disfuncional, caótico e injusto. Após mais de trinta anos de tentativas frustradas, nosso Congresso conseguiu aprovar uma reforma que prometia modernizar o sistema e, acima de tudo torná-lo mais simples.
Porém, passado o entusiasmo inicial, o que se vê é a mesma lógica da exceção prevalecer. Os empresários, sejam brasileiros sejam estrangeiros, estão acostumados a atuar em Brasília para conseguirem benefícios para os seus setores.
Ora, quando alguém paga menos, outro tem de arcar com o benefício oferecido, do contrário, a receita cai e as despesas não serão suportadas. Desta maneira, está-se desenhando a maior alíquota de IVA do mundo para nós, brasileiros. Diante dos serviços que o Estado devolve em troca, cuida-se de uma real aberração.
Dono de um dos sistemas bancários mais desenvolvidos do planeta, o Brasil pode se aproveitar disto para construir um sistema tributário de fato agregador. O PIX é uma realidade presente e universalizada entre os brasileiros.
Devolver, na forma de cash back o valor pago em tributos para os mais carentes é a maneira mais eficiente de tornar o sistema progressivo.
O desserviço feito pela Câmara dos Deputados quando da passagem da reforma por ali para a sua regulamentação deve ser revisto pelo Senado. Do contrário, continuaremos presos aos mesmos erros anteriores e não demorará muito para que as exceções superem a regra. E, sendo assim, novamente caberá ao povo arcar com os privilégios, como até então tem sido.
Embate entre os poderes expõe vaidades, ambição e com o que afinal nossas maiores autoridades estão preocupadas.
Separados por uma praça, autoridades se rivalizam em Brasília.
Não é de hoje que o primeiro andar de mando do país está em uma disputa insana por poder. O Executivo, no último mandato, exercido por Jair Bolsonaro (PL) tentou de todas as maneiras derrubar a ordem democrática para enfim se sobrepor.
Naquele momento, foi o Judiciário, em especial através do Ministro Alexandre de Moraes que então presidia o TSE quem segurou a barra e impediu que nossa democracia, reconquistada no início dos anos 1980, tivesse novo hiato.
Agora se insinua que os métodos utilizados por Moraes podem se equiparar aos que Sérgio Moro se valeu na condução da Lava Jato. Curioso como sempre se deixa uma porta aberta… será que Bolsonaro vai se reabilitar, como Lula se reabilitou? A ver.
O Legislativo, aproveitando-se da fraqueza do governo Bolsonaro, então encalacrado, entre outras coisas, pela condução desastrosa do país durante a pandemia de Covid-19 acabou por se assenhorar de fatias cada vez mais generosas do orçamento para distribuir sem qualquer critério que não o do clientelismo.
Agora, o novel Ministro do Supremo Flávio Dino, que até dias se assentava no Ministério da Justiça de Lula da Silva investiu contra o uso indiscriminado das verbas do orçamento, exigindo transparência e acabou por insuflar o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP).
Este, que sabe usar as armas que tem, prometeu destravar a PEC que limita os poderes dos Ministros do Supremo.
Parece que, enfim, o alto escalão deixou de jogar o velho jogo do ganha-ganha para se arriscarem no jogo do perde-perde. Pode ser que assim, finalmente, quem ganhe um pouquinho seja o cidadão brasileiro que até então nada mais faz do que assistir os “donos do poder” se entenderem. É aí que reside o original jeitinho brasileiro.
Gesto do presidente dos Estados Unidos Joe Biden, que desistiu de tentar a reeleição em favor de Kamala Harris seria repetido por Lula?
Biden abre mão de disputar a reeleição nos EUA.
A julgar pela mentalidade de nosso presidente e pelo modus operandi de nosso Congresso, o Brasil deve continuar preso ao passado.
Lula é democrata na exata medida de suas necessidades. Sabedor de que o Exército jamais toparia embarcar em uma aventura política com qualquer presidente, ajeita-se (desajeitado), às regras democráticas.
E que não se espere de Lula um ato que só um estadista seria capaz. Lula dificilmente vai abrir mão de tentar um quarto mandato. Também os nossos partidos políticos não possuem a força institucional que os partidos ianques têm. Portanto, Lula deve vir candidato em 2026.
Não se sabe se foi Biden quem, em um momento de serenidade decidiu-se por abandonar uma campanha que tende ao fracasso, ou se foi o seu partido quem o convidou a abandonar suas ambições. O fato é que as chances de a democracia norte-americana continuar forte são grandes.
Por aqui, o fato de Bolsonaro não poder disputar as próximas eleições abriu uma excelente janela de oportunidades para sairmos desta inútil polarização na qual estamos metidos. Seria de bom grado que Lula não disputasse as próximas eleições.
Mas o que ele tem feito é repisar o fato de que somente ele pode bater Bolsonaro e, na falta de Bolsonaro, Lula desconversa e segue pensando em governar o Brasil até 2030!
Diante dos desafios políticos pelos quais o país atravessa, com um Congresso que insiste em se assenhorar do orçamento e de uma necessária Reforma Tributária que claudica diante da ação de grupos de interesse, a sensação que se tem é a de que o Brasil ainda patina no século XX.
Entre 1937 e 1945 Vargas se converteu em um ditador no Brasil.
Apesar de toda a turbulência de nossa história política, podemos dizer que o único ditador que Brasil teve em sua história foi Getúlio Vargas. Mesmo assim, a busca por um messias tem se configurado como um problema da política brasileira — e, na verdade, da política latino-americana.
Parece que entre nós isso foi herdado do sebastianismo português. Mas o curioso é que a máxima vigora entre os outros países latino-americanos. Será que não acreditamos em nossas instituições políticas?
Essa busca por uma personalidade que possa representar a solução dos problemas nacionais perfaz a história política do subcontinente. No Brasil, o maior expoente desta chaga se chamou Getúlio Dornelles Vargas (1882 – 1954).
A figura política de Getúlio Vargas foi talhada no Rio Grande do Sul, durante o período da República Velha.
Vargas, durante a juventude, tentou a carreira militar — o mesmo grupo que mais tarde vai lhe dar guarida no momento de derrubar o governo, em 1930 — mas não obteve sucesso. Partiu então para a escola de Direito e durante a faculdade já se destacou como exímio orador.
Naquela época era a constituição de cada estado que tratava da questão da reeleição para o cargo de governador — que levava o nome de “Presidente de Estado”, a depender do que a Constituição estadual dizia.
No Rio Grande do Sul, a Constituição gaúcha tratava o cargo como Presidente e ela permitia a reeleição ininterrupta, fato que havia levado Borges de Medeiro a permanecer durante vinte e cinco anos ocupando o posto de mandatário maior do Estado. Medeiros era o sucessor de Júlio de Castilhos, que havia fundado uma corrente política conhecida como castilhismo.
Vargas foi o sucessor político de Medeiros. Getúlio Vargas chegou ao poder derrubando Washington Luís do posto, após ter sido derrotado nas eleições acontecidas em 1929 sob o signo da quebra da bolsa de valores de Nova York, que havia arrastado nossos cafeicultores a um estado financeiro muito delicado.
Definitivamente, não se pode conceber a chegada de Vargas como uma Revolução, como muitos o querem fazer. Tratou-se de um golpe de Estado. Isso porque a ordem não foi quebrada. Vargas tem suas origens no mesmo grupo social que ele depôs com o beneplácito do Exército.
Revolução Constitucionalista de 1932.
Após assumir o posto de presidente da República, tardou para fazer a Constituição que prometera. Levou o Estado de São Paulo a se rebelar contra a União. Mesmo atendendo à necessidade de fornecer uma nova Constituição ao país, ele foi costurando um modelo de governo que, aos poucos, nos conduziu ao golpe de 1937.
A Constituição de 1937, também conhecida como a Constituição “Polaca”, foi a quarta Constituição do Brasil e a terceira da República. O texto foi elaborado pelo jurista Francisco Campos, então Ministro da Justiça, e outorgada em 10 de novembro de 1937. A Constituição foi aprovada pelo presidente da República e pelo ministro da Guerra, general Eurico Gaspar Dutra. Esta Constituição era extremamente centralizadora e concedia ao governo poderes praticamente ilimitados — regulava o poder de um governo que não queria ser regulado.
Vargas será deposto por aqueles que o colocaram no poder — o Exército. Seu sucessor será o seu antigo Ministro da Guerra e vice presidente, General Dutra.
Depois, em 1951 retornará ao poder para se matar em 1954. Para a política foi um furacão, tudo o que o país não precisava. Para muitos, Vargas atrasou um golpe militar que já estava contratado, em dez anos.
Educar ou doutrinar?
Uma análise do período Vargas, ainda que superficial, apontará que o assunto “educação” ocupou lugar privilegiado nas preocupações do ditador. Assim como os jesuítas que vieram para catequisar índios e conquistar almas para o cristianismo, Vargas enxergou na educação um poderoso meio de doutrinação de pessoas.
Propaganda política de Vargas enaltecia a ‘educação’.
De início, destacou o jurista Francisco Campos para o posto de ministro da Educação. De se observar que à época, os ministérios da Educação e da Saúde eram unificados.
Francisco Luís da Silva Campos (1891-1968) foi advogado, professor, jurista e político. Ficou conhecido por ter redigido a Constituição brasileira de 1937 e, anos mais tarde, o AI-1 do golpe de 1964. Todavia, antes disso promoveu uma reforma no sistema educacional brasileiro que ficou conhecida como “Reforma Francisco Campos”.
Esta reforma, de 1931, foi marcada pela articulação junto aos ideários de um governo autoritário, que Getúlio Vargas urdia implementar. Pode-se dizer que, assim, que ela já estava alinhada com seu projeto político ideológico, que seria consolidado anos mais tarde, com a implantação de uma ditadura escancarada, o “Estado Novo”.
Dentre algumas medidas da Reforma Francisco Campos, estava a criação do Conselho Nacional de Educação e organização do ensino secundário e comercial.
Depois de Campos, Gustavo Capanema assume o posto e permaneceu Ministro da pasta por onze anos ininterruptos, (entre 1934 até a queda do Estado Novo, em 1945), e também promoveu uma reforma no sistema para chamar de sua.
Gustavo Capanema Filho (1900-1985) fez aprovar, durante a sua gestão, a criação de do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), do Instituto Nacional de Serviços Pedagógicos (INEP) e do Serviço Nacional de Radiodifusão Educativa. Foi ele o responsável pela criação da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) e do Instituto do Livro.
Assim, Gustavo Capanema e Francisco Campos foram dois ministros influentes durante a Era Vargas e ambos com contribuíram significativamente para a educação no Brasil. Promoveram reformas que pela primeira vez tiveram âmbito nacional. Mas, se as reformas pretendiam modernizar o sistema nacional de educação tinham, em seu âmago, a marca do autoritarismo e pretendiam doutrinar.
O sistema educacional proposto pelo ministro correspondia à divisão econômico-social do trabalho. A educação deveria servir ao desenvolvimento de habilidades e mentalidades de acordo com os diversos papéis atribuídos às diversas classes ou categorias sociais.
Numa visão romanceada, teríamos a educação superior, a educação secundária, a educação primária, a educação profissional e a educação feminina; uma educação destinada à elite da elite, outra educação para a elite urbana, uma outra para os jovens que comporiam o grande “exército de trabalhadores necessários à utilização da riqueza potencial da nação” e outra ainda para as mulheres. A educação deveria estar, antes de tudo, a serviço da nação, “realidade moral, política e econômica” a ser constituída.
A ideia de ambas as reformas era a de que o sistema deveria estar adequado às necessidades econômicas do país. Para tanto, órgãos foram criados. Se a reforma Francisco Campos foi realizada antes da ditadura do Estado Novo, ela já procurava encaminhar a educação para a obediência.
O período Vargas é exemplar em nos mostrar como a educação tem o poder de libertar e de alienar. Vargas tentou alienar o povo brasileiro valendo-se do sistema educacional como instrumento de doutrinação.
Mas ele não foi o primeiro a fazer isso. Governos que não o fizeram, trabalharam para deixar o povo ignorante. Essa é a questão — deixar o povo ignorante ou utilizar a educação para doutrinar?
Assim como os jesuítas doutrinavam as crianças para que elas fossem o agente propagador de suas ideologias religiosas junto a seus pais, assim Vargas modelou um sistema pelo qual crianças e jovens levaria os propósitos de sua ditadura para além dos muros das escolas.
Vargas pretendia máquinas, não pessoas dotadas de raciocínio. Priorizou a educação técnica, obediente e serviu. O sonho de qualquer ditador.
Entre o Eixo e os Aliados
Getúlio Vargas era um exímio político e chegara a hora de experimentar seus dotes no grande tabuleiro das questões geopolíticas mundiais.
A Segunda Guerra Mundial acontecia com vigor na Europa e o vencedor era incerto. Vargas, de início, mantinha o Brasil numa postura cautelosa no plano internacional. Por aqui, existiam ministros e outras figuras influentes do governo e do Estado que simpatizavam com as nações do Eixo, principalmente com a Alemanha nazista e a Itália fascista.
Essas inclinações refletiam uma mistura de admiração por políticas autoritárias e nacionalistas implementadas por esses países, bem como por laços econômicos e culturais pré-existentes.
A postura de Getúlio Vargas durante os anos que antecederam a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial reflete a complexidade do momento, tanto interna quanto externamente.
Imprensa denunciava ataques alemães a navios brasileiros.
Se inicialmente o Brasil adotara uma posição de neutralidade, equilibrando-se delicadamente entre os blocos do Eixo e dos Aliados, logo uma decisão seria cobrada.
Internacionalmente, o país mantinha laços econômicos significativos com nações de ambos os blocos, enquanto internamente, as opiniões políticas divergiam, com grupos de apoio a ambos os lados exercendo pressão sobre o governo. O Brasil havia recebido em fins do século XIX e inícios do XX grande afluxo de imigrantes italianos, alemães e japoneses.
A relação com os países do Eixo, especialmente a Alemanha, era marcada por intensas trocas comerciais e investimentos significativos em setores estratégicos brasileiros. Já as relações com os Estados Unidos começaram a se fortalecer à medida que o conflito avançava, evidenciado por negociações que prometiam benefícios econômicos e militares ao Brasil.
A virada decisiva na postura brasileira ocorreu entre 1941 e 1942, marcada por uma série de ataques de submarinos alemães contra navios mercantes brasileiros no Atlântico, resultando em grande perda de vidas e despertando uma onda de indignação pública.
Esses eventos, somados às promessas de assistência militar e econômica dos Estados Unidos — incluindo a construção da Companhia Siderúrgica Nacional e o aluguel de bases militares em solo brasileiro —, foram cruciais para a decisão de Vargas em comprometer o Brasil com os Aliados.
A declaração de guerra aos países do Eixo em agosto de 1942 não foi apenas um marco diplomático, mas também um momento definidor para a política interna e externa do Brasil.
Soldados brasileiros foram enviados ao combate na Segunda Guerra.
Ao lado dos Aliados, o Brasil participou ativamente do conflito, destacando-se o envio da Força Expedicionária Brasileira (FEB) para combater na Europa. Essa decisão reforçou o papel do Brasil no cenário internacional, promovendo uma aproximação significativa com os Estados Unidos.
A mudança de postura de Getúlio Vargas diante da Segunda Guerra Mundial revela uma habilidosa navegação pelas águas turbulentas da política internacional, refletindo não apenas as pressões externas, mas também as dinâmicas internas de um Brasil em busca de modernização e reconhecimento global.
A tomada de partido em favor dos Aliados foi, portanto, resultado de uma série de fatores estratégicos, econômicos e políticos, que destacaram a complexidade das relações internacionais e a posição do Brasil como um ator emergente no palco mundial.
Porém, as consequências internas para Vargas foram grandes. Os aliados eram nações, acima de tudo, democráticas. O regime do Estado Novo, que Vargas tentava sustentar por aqui, era profundamente autoritário.
Se o apoio aos Aliados abriu caminho para o Brasil receber investimentos significativos dos EUA, o que impulsionou a industrialização e o desenvolvimento econômico do país, também colocou o regime de Vargas em xeque.
Paradoxalmente, o governo de Vargas irá ser reclamado, portanto, pela Democracia. O ditador cairá, mas retornará pouco tempo depois “pelos braços do povo”, isto é, pelos votos.
Internacionalmente, houve a criação da ONU. O Brasil ainda não conseguiu sua vaga no Conselho de Segurança daquele órgão. Apesar de visto como uma Nação que tradicionalmente busca pelo consenso, isso ainda lhe é negado.
Brasil tem tradição de apresentar discurso conciliador.
Cabe ao Brasil, todavia, a honra de anualmente abrir os debates da Assembleia Geral da ONU.
A razão pela qual o Brasil tradicionalmente faz o primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU remonta às primeiras sessões da organização, quando o Brasil se ofereceu para abrir o debate, estabelecendo assim um precedente.
Desde então, tornou-se uma tradição não escrita, que continua até hoje. Esse papel é visto como uma honra e uma oportunidade para o Brasil expressar suas visões sobre questões globais, promover a diplomacia multilateral e reforçar seu compromisso com os princípios da Carta da ONU. Mas chega a ser perturbador constatar que nada disso é oficial. O que é dado ao Brasil no plano internacional tem sempre esse caráter efêmero e provisório.
Seguimos sendo vistos lá fora como uma nação menor. Se continuamos nos vendo como uma nação sem importância, a mudança precisa começar em casa. E, para isso é preciso oferecer uma educação que não seja uma mera formadora de alienados, mas de cidadãos pensantes e comprometidos com o engrandecimento da Nação.
Independente do que diz Lula, Estado brasileiro precisa se posicionar sobre o resultado das eleições na Venezuela.
Lula e Maduro: amigos.
Não é tolerável que países importantes da América Latina, como Brasil e México se mantenham em posição dúbia com relação ao pleito eleitoral acontecido na Venezuela há poucos dias. A ideologia de seus governantes tem falado mais alto.
O Estado brasileiro, para além das manias de seu presidente, parece sustentar a posição oficial de querer ter acesso às Atas da votação — e (ainda) não avalizou o resultado conclamado por Nícolas Maduro. Já Lula diz não ver nada de anormal naquelas eleições e diz que esse problema deve ser resolvido na Justiça daquele país (totalmente tomada pelo chavismo).
Celso Amorim, que acompanhou o pleito de perto, se diz decepcionado com a demora para a apresentação das atas. Maduro, por óbvio, não as quer mostrar para ninguém.
Não resta dúvida de que as eleições aconteceram em um ambiente impróprio para a realização de um pleito eleitoral que possa ser tido como legítimo. Diante disso, dificilmente um verdadeiro democrata poderia achar que nada houve de anormal ali.
Quanto a Lula, esse precisa enfrentar a situação com responsabilidade. Do contrário, quem se enfraquece é ele próprio, se é que ainda se preocupa com sua imagem de estadista ou de democrata.
Entre nós, o problema maior é que tudo isso é munição do mais alto calibre para o bolsonarismo. E assim seguimos, presos a esta polarização inútil e anacrônica. Nosso país precisa se livrar disto.
Mais uma vez Lula se vê constrangido a contemporizar diante da situação da Venezuela.
Acuado, Maduro questionou lisura das eleições no Brasil.
Luiz Inácio Lula da Silva, durante seus mandatos, e em sua trajetória política, sempre demonstrou apoio — direto ou indireto — a diversos líderes de regimes autoritários. Entre esses líderes, destacam-se: Nicolás Maduro (Venezuela), Miguel Díaz-Canel (Cuba); Daniel Ortega (Nicarágua); além de Vladimir Putin (Rússia).
Esses exemplos demonstram a tendência de Lula em apoiar regimes que compartilham alinhamentos ideológicos ou que se opõem ao domínio ocidental, tentando forjar uma suposta posição de líder do Sul Global, distanciando-se assim de uma política externa tradicionalmente democrática e não intervencionista do Brasil.
Por este viés, o discurso de ‘democrata’ de Lula é, no mínimo, curioso. Por enfrentar internamente uma aberração política chamada Jair Bolsonaro (PL), esmera-se por fazer a ordem institucional vingar por aqui (apesar de suas tentativas de intervir no Banco Central).
Já lá fora apoia regimes autoritários, o que lhe vale lances teatrais, como o de dizer que “a Venezuela tem democracia até demais”(!).
Age como o exato oposto de Getúlio Vargas que impunha uma ditadura ferrenha no Brasil (1937-1945) mas apoiava a ordem democrática durante a Segunda Guerra. Resultado: Getúlio caiu.
Já Lula insiste em seu discurso democrático mas não é bem isso que gosta de fazer e apoiar mundo afora.
Como presidente do Brasil, neste momento, Lula precisa ser mais firme e mandar recados claros a Nicolás Maduro, que pretende transformar as eleições na Venezuela em um banho de sangue, caso não saia vencedor do pleito.
A reta final da campanha levou Maduro a se empenhar por se manter no poder. Pela primeira vez, em anos, vemos a oposição em condições de retirar-lhe o trono chavista, mesmo com todos os empecilhos criados pela lei eleitoral venezuelana à oposição. Isso vai da proibição de candidaturas a dificuldades criadas para aqueles que fugiram do regime votarem desde o exterior.
O ditador está no poder desde 2013. Se levarmos em conta o tempo em que seu pai ideológico, Hugo Chávez foi eleito, em 1998, lá se vão mais de um quarto de século. Tempo suficiente para se destruir toda a riqueza daquele que já foi o país mais rico da América Latina.
Este é o resultado prático que se obtém quando o poder não é compartilhado pelas diversas opiniões sociais e políticas de uma sociedade.
Se é democrata, Lula precisa parar de apoiar ditadores.
Reforma Tributária escancara a verdadeira alma deste país. Não somos o país do “jeitinho”. Somos o país do “salve-se quem puder!” .
Cabe ao Senado revisar privilégios concedidos pela Câmara dos Deputados.
A maneira como a Reforma Tributária tem sido tratada por nossos representantes parlamentares deixa claro que os grupos de interesses que podem mais, pagam menos.
E com isso, toda a população se vê obrigada a suportar uma taxa enorme de impostos. Enquanto a inteligente ferramenta do cash back é deixada de lado, mais e mais produtos entram na lista daqueles que terão taxa reduzida ou mesmo zerada.
Que se zere ou se abaixe o valor do tributo pela faixa de renda do cidadão, não pelo produto em si. É neste sentido que o cash back pode promover a progressividade na forma de se tributar no Brasil. Acontece que nossos deputados entenderam de maneira diferente e continuam fazendo jogo duplo. Cabe ao Senado corrigir estas falhas.
Quem anda pelas ruas centrais de qualquer grande cidade brasileira percebe, se tiver um mínimo de sensibilidade, quantos desajustados socialmente estão perambulando por aí. São vagabundos!, alguns dirão. Não são.
São os esquecidos — são crianças, idosos e viciados que não encontraram o menor suporte estatal para viver com dignidade.
Nossos deputados deveriam descer do pedestal em que se encontram no Plano Piloto de Brasília e dar uma voltinha pela comunidade do Sol Nascente, por exemplo. Aí está a realidade de um Estado que nega cidadania e depois finge entregar proteção social.
É por isso que existe o “jeitinho brasileiro”. Ele existe para suprir aquilo que o estado nega. Dizer que o brasileiro é que não cumpre regras, é aderir a um raciocínio raso e perigoso. Mas é mais fácil enxergar assim…
Quando o presidente da Câmara Arthur Lira (PP) disse que iria fazer ‘não a reforma ideal, mas reforma possível‘, a senha foi dada. Já deu para perceber o resultado: só é possível aquilo que mantém privilégios. Cortar na carne, jamais.
Continuaremos a ser um país injusto — não haverá ajuste nenhum para além daqueles feitos entre os grandes, num verdadeiro “salve-se quem puder”.
Muita gente trabalhou para o advento da república no Brasil. Podemos dizer, aliás, que mentes brilhantes estavam engajadas neste processo. Rui Barbosa, Aristides Lobo, Benjamin Constant, Quintino Bocaiuva, Sólon Ribeiro.
Conta-se que o Marechal Deodoro atrasou a proclamação da República para arrajar seu “bigode”.
Enquanto o Marechal Deodoro estava preocupado com o seu bigode, esses pensadores estavam urdindo o que, para eles, era o modelo ideal de governo.
Esses homens colocaram suas mais nobres intenções para o advento de um novo regime político ao país. Admiravam os Estados Unidos da América e se perguntavam o porquê de o Brasil não seguir o mesmo caminho.
Foram batidos, todavia, pela capacidade das elites agrárias em cooptar os parlamentares. A República brasileira nasceu para acomodar os interesses desta elite, que não os enxergava mais garantidos na monarquia.
Estamos falando de uma força política que dominava o parlamento e que se estruturava desde o nível do município até o nacional.
Quando a escravidão no país finalmente acabou, esta elite decidiu trocar a roupagem do regime, instituindo uma república que agora seria gerida não mais por sangue azul, mas pelo voto. Havia o pressuposto de que o voto poderia ser facilmente manejado através de troca de favores, fraudes ou, em último caso, coerção.
Para os que apoiaram a iniciativa de converter a monarquia em uma verdadeira república, nada mais frustrante.
Rui Barbosa e Benjamin Constant
Quem lê a obra “Teoria Política”, de Rui Barbosa, terá uma pequena noção do que este jurista pensava sobre o Brasil.
Rui Barbosa disputou as eleições de 1910.
Ele passou 45 anos de sua vida exercendo mandatos eletivos — trinta e dois dos quais no Senado Federal. Mas perdeu a chance de governar o país naquela que ficou conhecida como a “campanha civilista”, para a presidência da República. Perdeu a eleição — supõe-se — de maneira fraudulenta.
Barbosa tentou implementar uma consciência política ao povo brasileiro, mas foi vencido pelo poder do coronelismo.
Já Benjamin Constant foi um dos principais articuladores do golpe que levou à proclamação da República brasileira. Ele era um republicano convicto e desempenhou um papel ativo na derrubada da monarquia em 1889.
Foi o grande divulgador do positivismo no Brasil. Além disso, ele ficou conhecido por ser um educador preocupado, dedicando-se à Matemática e à Física.
Constant assistiu, num primeiro momento, os desígnios do positivismo serem implantados na fundação da república brasileira — os dois primeiros presidentes foram militares e a bandeira recebeu a isncrição “Ordem e Progresso”.
Mas logo as oligarquias agrárias retomaram o poder, com a presidência de Prudente de Morais (1894-1898).
Os primeiros anos de governo republicanos foram muito tumulados, gerando instabiliades políticas que provocaram a renúncia do primeiro presidente em favor de seu vice, que enfim entregou o governo às elites agrárias.
Naquele momento, tanto os sonhos de Benjamim Constant , bem como os esforços de Rui Barbosa estavam vencidos pela força irresistível de um parlamento contrário aos bons caminhos que uma verdadeira República poderia oferecer.
O Mundo vai à Guerra
Este também foi o momento em que a África passou a ser o principal local de interesses da geopolítica das nações europeias.
O processo de independência das nações latino-americanas, acontecido no início do século XIX forçou as potências a ter de negociar com os governos que por aqui se instalaram, nem sempre confiáveis. Também a Revolução Industrial, avançando em suas fases, encontraria na África a matéria prima de que tanto necessitavam.
Conflito se alongou para além do esperado e provocou milhões de mortes
Agora, a África passará a ser o palco das disputas promovidas pelas potências europeias e o resultado será a Primeira Guerra Mundial.
Assim, a Proclamação da República no Brasil em 1889 ocorreu em um contexto mundial de transformações significativas. Era uma época de intensa mudanças políticas e sociais.
E estas disputas por influência global incluíam, inclusive, uma missão ideológica — a de levar a ideia de “civilização ocidental” para povos considerados “menos avançados”. Não podemos nos esquecer que ideais republicanos, nacionalismo, socialismo e movimentos trabalhistas ganhavam força, desafiando as estruturas monárquicas e aristocráticas tradicionais.
Tudo isso imbuído em estratégias geopolíticas. O controle de rotas marítimas e pontos estratégicos para o comércio e poderio militar ocupava as preocupações de governantes e de estrategistas militares de nações que logo entrariam em confronto.
Tudo muito distante das preocupações dos países latino-americanos no geral e do Brasil em particular. Muitos destes países estavam passando por processos de modernização e reforma, influenciados pelas ideias liberais e republicanas, mas não ambicionavam participar desta corrida pelas riquezas da África.
De qualquer maneira, foi este o cenário global que influenciou o movimento republicano no Brasil, que buscava modernizar o país e alinhá-lo com as tendências políticas e econômicas globais da época.
A Europa já havia promovido a partilha da gente africana antes de partilhar o território africano. Não apenas Espanha e Portugal haviam levado a gente daquele continente para outros lugares.
Apenas Etiópia e Libéria permaneceram independentes na África durante o período.
Também a Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Noruega o fizeram. Até a Itália e a Alemanha, que nem em estado nacional ainda haviam se constituído, participaram ativamente do jogo.
Todas essas nações participaram, em diferentes graus e em diferentes momentos com o sistema transatlântico de escravidão que afetou milhões de africanos e suas descendências. Agora estavam imbuídas na fatia do próprio território africano.
Mas, neste momento o Brasil ainda se ocupava de extinguir a escravidão promovida por Portugal para povoar e alimentar de mão-de-obra sua então colônia na América.
Ocupávamos em como conduzir a troca da mão-de-obra escrava pela imigrante, agora oriunda da “diáspora europeia”. E nossas elites, todavia, tomaram as piores decisões.
O país da matéria prima
A república foi instituída por militares, religiosos e fazendeiros, todos descontentes com os rumos que a família imperial havia dado ao país. E, ao fim e ao cabo, foram os interesses da classe agrária que foram garantidos.
O Brasil sequer pensou em participar da busca de riquezas para além de suas fronteiras, participando da exploração à África, à Ásia ou do Pacífico, nem sonhava com isso. E neste passo agiu bem.
Todavia, internamente tomamos as piores e mais imediatistas decisões possíveis. Ao excluir o negro de qualquer possibilidade de participação na vida social de maneira colaborativa, criamos uma sociedade eminentemente desigual. Quem decidiu isso?
Resposta: nossa elite, que patrocinava nossos políticos. Estes, após derrubada a monarquia, negaram — e ainda negam — autonomia ao nosso povo. É desta autonomia cidadã que necessitamos para construirmos uma sociedade que se sustente.
A prevalência dos interesses da classe agrária no Brasil transformou-nos em um eterno fornecedor de matérias primas para a indústria, que se desenvolvia na Europa e nos Estados Unidos e que hoje ampliou seu espaço para o Japão e, mais recentemente, China.
Nossos ciclos econômicos foram marcados por uma história de exploração de recursos naturais e dependência de mercados externos, configurando o país como um mero fornecedor de matéria-prima.
Quando o movimento republicano rompeu com a Monarquia, um dos desejos de seus legítimnos pensadores era exatamente o de tornar o Brasil uma nação forte o suficiente para competir em igualdade de condições com as potências globais.
Vivíamos o ciclo do café naquele momento. Um dos intentos principais de Rui Barbosa e de outros que o acompanharam seria a de industrializar o país. Foram batidos pelos barões do café.
O país continua agrícola e, apesar de ter desenvolvido um moderno e poderoso agronegócio, erra ao privilegiar apenas este setor. Precisamos desenvolver indústria de ponta para nos libertar da dependência dos mercados internacionais e dos diversos ciclos por que também passam as grandes economias do mundo e, assim, acabam nos arrastando.
Atualmente, país abastece industria tecnológica com Lítio.
Desde o período colonial, a economia brasileira foi moldada para atender às demandas do mercado europeu, iniciando com o ciclo do pau-brasil, seguido pelo açúcar, ouro, café, borracha e, mais recentemente, soja e minério de ferro.
Este modelo resultou em períodos de crescimento econômico significativo, mas também em crises profundas e desigualdade social persistente.
Para romper com esse ciclo vicioso, é fundamental que o Brasil invista em inovação, tecnologia e industrialização, agregando valor às suas exportações e promovendo um desenvolvimento mais sustentável e inclusivo.
A origem da palavra República vem do latim (res = coisa + publica = de todos). Os sonhos que povoaram as mentes brilhantes de homens como Rui Barbosa ainda não se concretizaram.
Nossas escolas deviam ensiar mais sobre Rui Barbosa e menos sobre Marechal Deodoro.