Foi divulgada uma pesquisa do Datafolha na qual apontou que 24% dos entrevistados consideram insuficiente a quantidade de comida que dispõem em casa, gerando insegurança alimentar, especialmente no Nordeste e entre desempregados. Não por acaso foi também constatado que número praticamente igual (23%) da população brasileira depende neste momento do Auxílio Brasil. Porém, como o valor da ajuda do governo é considerada abaixo das necessidades, a insegurança alimentar é o resultado. Em um país que é um dos maiores países produtores de alimentos do mundo e em pleno século XXI isto é realmente o reflexo da má conduta de sucessivos governos em relação ao social – o simples, puro e populista assistencialismo não é capaz de tranformar o Brasil em país menos desigual.

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Tem muita gente querendo dar um jeito nisso. Muitos são os pré-candidatos, além do atual presidente que pretende se qualificar mais uma vez para o cargo. Nesta semana, dois deles, João Doria e Sérgio Moro patrocinaram cenas que demonstram o quão confuso será o processo eleitoral deste ano. Tanto um quanto outro desistiram de concorrer e depois desistiram de desistir.
Enquanto Doria fez um movimento que cheira a blefe, Moro mudou repentinamente de partido e foi para um que tem uma ala que não o aceita como pré-candidato a presidente. Se durante a filiação Moro disse que aceitava a condição, acordou na manhã seguinte disposto a enfrentar o novo partido e agora corre o risco de ficar sem partido nenhum – uma ala do União Brasil queria impugnar sua filiação – e, sem partido não há como concorrer a nenhum cargo. A ala do União que pretendia desfiliar Moro também recuou e diz que o projeto do ex-juiz é em São Paulo. A conferir.

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Temos assistido a algumas atitudes na política brasileira ultimamente que chegam a beirar o ridículo. Nesta semana, o deputado Daniel Silveira (União – RJ) protagonizou uma cena que parece infantil – enfurnou-se no Congresso para não ter de cumprir decisão do Ministro do STF Alexandre de Moraes de ter de usar tornozeleira eletrônica. Calculou que se escondendo no Congresso não precisaria cumprir ordem judicial. Após refrescar a cabeça – e alertado das consequências do ato – decidiu usar o desagradável equipamento – a decisão resolveu mexer no bolso no deputado. A verdade é que, nesses tempo de redes sociais, aparecer é tudo!

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O Governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) comemorou seu aniversário de 43 anos com uma mega festa no Jockey Club, na Zona Sul da cidade, com direito a shows de Alcione e Belo. Segundo estimativas, uma festa deste porte gira em algo de R $500 mil a 1 milhão de reais. Inquirido, o governador disse que o valor para bancar a festança foi arrecadado através de vaquinha eletrônica na Internet.

O mais incrível é que o governador vai tentar a reeleição. Para o povo do Rio, que nesta semana enfrentou uma greve de coletivos e viu o lixo se acumular nas calçadas da cidade e enchentes, isto deveria soar como piada. Só que não! Nada a se admirar se ele ganhar de presente mais quatro anos de governo.

Aliás, é bom lembrar porque a memória anda curta. Castro foi alçado a governador após o vencedor das últimas eleições Witzel ter sido destituído do cargo. Detalhe – o atual governador é do mesmo partido do Presidente Bolsonaro, o PL.
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Um artigo publicado no jornal O Globo (31.mar) assinado pelo economista Paulo Gala, dá conta de que as reservas cambiais do país continuam muito bem, obrigado. É uma ótima notícia, especialmente quando se teme uma situação global cada vez mais conturbada. Para o economista “comparado com países emergentes frágeis, o Brasil está em posição mais confortável, tendo trocado o passivo externo público de dólares por reais nos últimos dez anos”.
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Faleceu esta semana Elifas Andreato, ilustrador que transformou as capas dos velhos discos de vinil em verdadeiras obras de arte. São inúmeras as capas de álbuns que se tornaram icônicas, como a do LP “A Arca de Noé”, de Vinícius de Moraes e Toquinho ou os retratos de Chico Buarque e de Adoniran Barbosa, entre outros. Trabalhou em um tempo em que a computação gráfica não existia. Imprimia ludicidade a obras musicais, lúdicas por si mesmas. Era uma combinação emocionante.

Boa semana a todos.
