FORMAÇÃO POLÍTICA

Brasil, 200 anos.

Nos duzentos anos de nossa independência o povo brasileiro tem muito a comemorar e uma armadilha a evitar – a ilusão da ‘solução fácil’.

Nosso grito de independência muitas vezes é ridicularizado. Por quê?

O Estado brasileiro foi constituído para não dar certo. Um grande e riquíssimo território comandado por uns poucos que, através de recursos cada vez mais sofisticados mantém todo um povo em profundo estado de letargia.

Enquanto colônia de Portugal, nossa metrópole se recusou a oferecer educação aos que aqui estavam. Os que podiam, iam estudar nas universidades de Portugal. 

Universidades aqui? Nem pensar! 

O Brasil terá sua primeira universidade somente quase trezentos anos depois do México e do Peru, por exemplo.

Mais tarde o Marquês de Pombal, preocupado com o desenvolvimento da educação que os jesuítas estavam aqui promovendo, aproveitou-se das reformas que estava implementando em Portugal para encerrar com a colaboração que estes religiosos estavam dando à educação – e ao futuro do Brasil.

Isso explica nossa deficiência educacional – mesmo após o Brasil ter se constituído como Nação independente e mesmo após ter se tornado República, nossa educação ainda claudica. 

Nossas elites não confiam em seu povo e temem educá-los. Porque educação significa, antes de tudo, retirar o véu da alienação que mantém o povo preso a artimanhas que os fazem votar. Isso é o que importa – o voto popular.

O Brasil possui longa tradição de eleições. O brasileiro gosta de votar. Aprendeu isso ainda nos tempos de colônia. Isso, curiosamente, Portugal nos permitiu.

Mas o brasileiro é um povo resiliente.

Mesmo tendo saído com quase três séculos de atraso, hoje, entre as dez melhores universidades da América Latina, sete são brasileiras.

E, para um povo que tem um governo e uma elite que prefere enfatizar o lado ruim da sociedade até que o brasileiro tem se saído muito bem.

A auto-imagem do brasileiro que é vendida dentro do próprio país é a de um sujeito não confiável, um indivíduo que procura burlar a lei quando pode – o jeitinho brasileiro

Na verdade, se trata de um povo órfão de estado, e todo órfão sabe que precisa se garantir porque não pode contar com mais ninguém para defendê-lo, isto é, para proteger os seus direitos. E isso implica em outro grave problema – o imediatismo.

Essa é a nossa atual condição. Infelizmente os mais empobrecidos não confiam na Justiça.

Mesmo assim, passados duzentos anos de nossa independência política, a despeito dos problemas – crônicos e atuais -, ainda assim temos o que comemorar.

O país conseguiu se organizar em um grande território e, diferentemente do que ocorreu com a América espanhola que se dividiu em diversos países, aqui a unidade foi preservada.

As conquistas vieram muito lentamente, mas vieram. Somos uma nação multirracial, o que se apresenta como um grande ativo para o futuro. 

Povos precisam aprender a conviver com o diferente devido aos efeitos da globalização que, iniciada na economia tende a se espraiar por todas as áreas do interesse humano. 

Nós já nascemos multirraciais e, apesar do racismo estrutural que, infelizmente existe, ainda assim nossa sociedade sabe conviver bem com o diferente e, conforme estas atitudes vão sendo expostas, o brasileiro saberá detectá-las e aprender a evitá-las.

Quanto ao futuro, cabe ao brasileiro não acreditar mais em soluções mágicas e receitas prontas.

Observe – sempre que avanços se apresentaram, mentiras são criadas e fatos são forjados  para barrar esses avanços e evitar a verdadeira emancipação do povo brasileiro. Isso se torna mais perigoso agora, em tempos de fake news.

Não existe regra mágica nem um messias que de uma hora para outra acabará com nossas mazelas. Os passos necessários devem ser respeitados, evitando-se a todo o custo os atalhos – eles só nos trarão de volta ao mesmo lugar – o do subdesenvolvimento.

Não precisamos ser os melhores em tudo, mas um gigante como o Brasil não pode se conformar em ser tão mal avaliado em vários indicadores sociais – temos plenas condições de ser um país de renda média em poucos anos – e a partir daí sim, sonhar pertencer ao clube das nações mais desenvolvidas do planeta.

O fato é que – se nossas elites insistem em preferir manter o povo ignorante e necessitado de ajuda o “basta!” deve ser dado com resiliência. Manter-se firme no caminho democrático é um passo essencial – nada de quebra de sistema. 

Não acreditar em soluções fáceis – porque essa é uma armadilha pela qual o brasileiro vive caindo.

Passados duzentos anos de nossa liberdade política, é hora de investirmos na verdadeira liberdade de seu povo.

Chegou a hora de dizer: o Brasil é dos brasileiros e é o seu povo, através da democracia, quem deve ditar as regras.

2 comentários em “Brasil, 200 anos.”

  1. A PALAVRA QUE MELHOR DEFINE O CORRUPTO É DISSOLUTO. DISSOLUTO É AQUELE QUE DEGENERA. DEGENERADO É AQUELE QUE APODRECE. APODRECER QUER DIZER CORRUPÇÃO. CORRUPÇÃO É A MELHOR PALAVRA QUE DEFINE O PT.

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