FORMAÇÃO POLÍTICA

Museus – as estrelas da festa

Museus são locais de pensar e repensar a história. Nos permite estar de frente aos fatos e não frente a narrativas. Uma grande esperança: foram eles as verdadeiras estrelas das comemorações dos duzentos anos do nascimento do Brasil independente.

A reabertura ao público do Museu do Ipiranga, em São Paulo, marcou o ápice das verdadeiras comemorações dos duzentos anos da independência do Brasil.

Museu Paulista da Universidade de São Paulo – Museu do Ipiranga.

Inaugurado em 1895 está vinculado à Universidade de São Paulo – USP, desde 1963.

Pelas datas observa-se como o Museu está ligado à história política do Brasil. Será inaugurado apenas alguns anos antes da abolição da escravidão no país e da consequente transformação do país em um república. Era o momento de oferecer ao brasileiro uma versão mais heróica de nossa independência.

O outro momento é 1963. Às vésperas do golpe militar que solapou nossa democracia por mais de duas décadas o museu passou à administração da Universidade de São Paulo. Durante o período da ditadura militar esta universidade – e em consequência o Museu do  Ipiranga foram espaços onde o Brasil continuou a ser pensado de maneira livre, longe da ideologia que se tentava implantar à força.

Museus são lugares onde a história pode ser observada de forma mais isenta do que em livros ou outras publicações. Isso porque o espectador é colocado diante de objetos e resquícios do real. A depender do olhar – e da ideologia – é que as narrativas são construídas.

Portanto, o que se lê nos livros nada mais é do que a interpretação que o observador teve diante dos fatos revisitados. É bem verdade que a depender da montagem ou do destaque se se dê a determinado objeto a opinião do espectador pode ser modelada. Mas os fatos estão ali – nus para serem questionados.

A reabertura do Museu do Ipiranga, nesse sentido, enche o brasileiro de orgulho e de esperança. O cuidado com que o acervo foi restaurado, o zelo com o patrimônio que ali está abrigado e a pontualidade na entrega do patrimônio à população mostram que nosso país tem sim, memória, respeito à história e competência para enfrentar grandes desafios.

Já no Rio de Janeiro, após o terrível incêndio ocorrido no Museu Nacional e a consequente perda de parte do acervo daquela instituição, o restauro do edifício deve se estender até 2026 mas ao menos em seus arredores os ares já estão renovados. Exatos quatro anos após a tragédia, a fachada do Palácio de São Cristóvão e do jardim que existe em frente ao prédio foi reinaugurada. 

Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Curioso observar que também este edifício tem sua história vinculada ao ciclos políticos do Brasil.

O prédio foi a residência oficial da família real portuguesa de 1808 até 1821. Foi nele que ocorreu a primeira Assembleia Nacional Constituinte da República. Após a destituição da monarquia para lá foi transferido um acervo que remonta ao Museu Real, fundado por D. João VI em 1818.

Em 1946 passa a ser vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, um ano após a queda do regime ditatorial imposto por Getúlio Vargas que ficou conhecido como Estado Novo. Mais uma vez, um espaço de estudo e pesquisa traz em si a marca do livre pensamento.

E também das Minas Gerais vem uma boa notícia. O Museu Mariano Procópio de Juiz de Fora também foi reaberto no início deste setembro, que marca nossos duzentos anos de vida política independente. Por lá pode ser observado grande acervo do período imperial. Cartas de D. Pedro I e o quadro “Tiradentes Esquartejado” estão entre as preciosidades do local, que foi igualmente restaurado.

Pintura de Pedro Américo pode ser apreciada no museu mineiro.

Fatos como este demonstram que por mais que se tenha tentado sequestrar nossa principal data cívica, isso não aconteceu.

O resgate e a preservação de nossa história é fundamental para que o sentimento de Nação esteja e permaneça impresso em nossos corações. Isto é muito importante em momentos de tentativa de divisão social, como este que infelizmente estamos vivenciando.

Não será através de intrigas que construiremos um Brasil melhor. Será através da tomada de consciência de quem somos e do que representamos na grande arena global. 

Posto isso, preservar nosso patrimônio é fundamental.

Um comentário em “Museus – as estrelas da festa”

  1. OS FATOS QUE A NAÇÃO DEMONSTROU NO 7 DE SETEMBRO FORAM AS MAIORES COMPROVAÇÕES DO QUE UMA NAÇÃO PODE REVELAR! O BOLSONARO DESPERTOU O GIGANTE DEITADO ETERNAMENTE EM BERÇO ESPLÊNDIDO!

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