Para além de costuras políticas, Lula (PT) e Bolsonaro (PL) devem apresentar um projeto para o país que pretendem, uma vez mais, governar.
Quase oito e meio por cento dos eleitores não optaram nem por Lula nem por Bolsonaro no primeiro turno das eleições presidenciais do último dia 02 de outubro.
O cineasta Fellini criou uma obra-prima do cinema chamada – “Fellini 8 e ½”. A personagem vivida por Marcello Mastroianni representa um artista sem inspiração que passa a ser atormentado por isso. Nossos dois candidatos precisam deixar as brigas infantis de lado e encarar a realidade de que com querelas não irão conquistar esta porcentagem do eleitorado. Estariam ambos padecendo do mesmo mal de Guido?

É esse eleitor que não optou nem por Lula nem por Bolsonaro na primeira rodada que, certamente por não enxergar em nenhum dos dois nada que lhes inspire confiança, irá definir o pleito do próximo dia trinta.
Pode-se inferir que, por não ter optado pela polarização, trata-se de um eleitor mais cuidadoso com suas escolhas – afinal de contas, foram os candidatos que ofereceram alguma proposta – como Ciro Gomes (PDT), Luiz Felipe D’Ávila (Novo) ou Simone Tebet (MDB) que dividiram, com brancos e nulos, estes 8,5 por cento do eleitorado.
Lula e Bolsonaro já passaram pelo cargo. Sabem da dificuldade que é governar um país dinâmico e complexo como o Brasil. Por isso mesmo, precisam dizer claramente o que pretendem fazer. Nenhum dos outros candidatos tiveram esta oportunidade e, nesse sentido, talvez não soubessem bem do que estavam falando.
Isso só aumenta a responsabilidade dos dois combatentes – devem apresentar propostas – um rumo para o Brasil.
Bolsonaro, atrás de votos, não conseguiu conciliar as benesses que oferece aos mais carentes com as benesses com que mantém o centrão aos seus pés.
Lula, ao ser questionado pelo apresentador Ratinho em “como iria aumentar o salário-mínimo”, respondeu nesses termos: “aumentando…”
Isso é simples assim?
O Brasil merece mais que isto. Brigas e xingamentos apenas retiram o foco do que precisa ser de fato encarado – existe um país das dimensões do Brasil para ser governado!
Deveriam assistir ao clássico de Fellini e repensar sobre a enorme responsabilidade a que pleiteiam.
Não irão fazer isso. Preferem discussões a nível de quinto ano escolar.
Pobre é o eleitor consciente no Brasil.
