Presidente do PL, após tentar criar dúvidas em relação ao resultado das eleições, ameaça travar a votação da PEC da transição.

O atual momento político vivido no Brasil tem trazido à tona a maneira como a política é praticada em Brasília. Isso representa, ao menos, uma mudança de perspectiva. As verdadeiras mazelas da nossa política estão aparecendo.
Isso porque os partidos políticos, particularmente os mais fisiológicos, estão sendo colocados no centro do debate e deixando claro o porquê do nosso sistema ser tão prejudicial aos seus principais destinatários – o povo brasileiro.
O movimento perpetrado pelo Partido Liberal na última semana é um exemplo claro de como as coisas se dão no centro de poder do país.
Inconformado com o resultado das eleições, o presidente da sigla, aparentemente atendendo ao chamado do atual presidente da república Jair Bolsonaro, impetrou uma ação junto ao Tribunal Superior Eleitoral que, na mais branda das avaliações, pode ser adjetivada como irresponsável.
Pede o presidente da sigla, em nome da coligação que ofereceu o nome do atual presidente à reeleição, que aproximadamente 60% dos votos do segundo turno sejam considerados nulos. Isto porque, de acordo com o pedido, as urnas não podem ser devidamente identificadas por não possuírem número de série.
Ora, é sabido que as urnas podem – e são – identificáveis. Sabe-se também que as eleições foram tão seguras quanto as que elegeram Jair Bolsonaro para mandatos por anos a fio, desde os mandatos que exerceu no parlamento até o que deixa agora, na condição de presidente da República.
Aliás, foram estas mesmas urnas que deram ao PL 99 deputados federais, oito senadores, além dos governadores do Rio de Janeiro e de Santa Catarina.
O presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes, após rejeitar a ação, aplicou multa à coligação por litigância de má-fé, em valor que beira os 23 milhões de reais, bloqueando verbas do fundo eleitoral dos partidos. Os outros partidos que participaram da coligação, PP e Republicanos, imediatamente disseram não partilhar da opinião do PL e pediram para serem excluídos da lide, deixando Valdemar Costa Neto sozinho na empreitada.
Como lhe falta razão e diante da situação em que se encontra, o presidente do PL promete, em retaliação, bloquear a votação de uma PEC que pretende oferecer ajuda aos mais necessitados. Aliás, esta era uma promessa comum a todos os candidatos viáveis do último pleito, inclusive Jair Bolsonaro, candidato pelo PL.
Está aí exposta, em praça pública e para quem quiser ver o quão prejudicial a política pode ser, quando utilizada como instrumento de favorecimento próprio, e não coletivo.
O partido que se encontra com as verbas bloqueadas é o partido que mais vai receber dinheiro público para se manter devido ao sucesso que obteve no último pleito. Cuida-se de algo em torno de 268 milhões de reais, valor esse que o próprio Valdemar Costa Neto já disse “não ser muito dinheiro”. Ao bloquear a votação da PEC, quer o líder do PL negar seiscentos reais mensais a quem verdadeiramente precisa!
Certamente o parlamento brasileiro irá honrar a dignidade do que representa e isolar esse posicionamento de Costa Neto.
Ainda que desista da ideia – até porque está interessado em abocanhar a Comissão de Constituição e Justiça – CCJ da Câmara dos Deputados e do Senado, o que aumenta o seu poder de fogo – o simples fato de fazer menção à um plano tão desumano já demonstra o quão perversa pode ser a política quando o poder está em mãos erradas.
É o eleitor quem unge os poderosos. O brasileiro precisa votar melhor.
