Está evidente a falta de compromisso das instituições brasileiras no combate à corrupção.

Tudo começou em 2013, quando o povo, cansado, saiu às ruas. Algumas leis foram editadas às pressas para dar alguma resposta aos revoltosos. A novidade era que essas leis acabaram por permitir que finalmente nesse país os poderosos respondessem por seus desmandos.
Cinco anos mais tarde e uma presidente deposta depois os rumos mudaram. Grande parte da população brasileira acreditou nas falácias de um homem que estava há 28 anos envolto nesse clima de “na política, tudo pode” e o colocaram na cadeira presidencial.
Um juiz federal, que havia se empenhado na caça aos corruptos aceitou o cargo de Ministro da Justiça na ilusão de implementar um programa de combate à corrupção capaz de fazer deste país um lugar sério. É difícil enganar um homem com essa envergadura intelectual, mas, infelizmente, o ‘malandro’ foi mais esperto que o magistrado.
Depois, o juiz virou Senador. O presidente tornou-se ex-presidente e, no momento está com seus direitos políticos cassados. Agora, ver um ex-presidente, preso por corrupção virar presidente novamente — essa é demais! Para isso, nosso Judiciário teve de fazer uma manobra senão ridícula, ao menos vergonhosa.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico — OCDE, órgão do qual o Brasil pleiteia fazer parte, tem observado esses movimentos. Tanto que acaba de nos alertar que estamos no caminho errado.
A crítica do órgão desnuda nosso descaso no combate à corrupção. De acordo com o relatório produzido, de 60 alegações de corrupção envolvendo estrangeiros, apenas 28 foram adiante. Oito de nove réus foram absolvidos por prescrição — a prescrição é o melhor advogado dos corruptos deste país: ao causídico basta “enrolar”. Interessa tanto aos corruptos quanto às grandes bancas de advogados. Só não interessa àqueles que necessitam de serviços públicos, mas, quem se importa?
Por fim, o ato do Ministro Dias Toffoli de anular provas já consolidadas nos autos vai custar ao Brasil ter de prestar esclarecimentos na próxima rodada de avaliação da OCDE. No mínimo, um grande tropeço.
Apesar de todos os esforços que já foram feitos para o ingresso do país no rol dos “países ricos”, continuamos distantes de nos juntarmos ao clube. Mas, quem se importa se vivemos de retrocessos?
Por: José Santos – editor

Em resumo, bastaria que os altos cargos da nossa República fossem ocupados por pessoas íntegras e tudo estaria resolvido.
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