Executivo escancara escolhas políticas. Legislativo avança sem limites no orçamento. Judiciário toma decisões monocráticas para lá de controversas.

Os poderes constituídos da democracia brasileira teimam em torná-la menor. Não somos uma democracia plena e estamos nos afastando desse ideal à medida em que nossas instituições trabalham olhando para o próprio umbigo, e não para os interesses do povo brasileiro.
E todos parecem se sentir muito à vontade para tomar decisões esdrúxulas. Afinal de contas, quem ali pode acusar sem ser acusado na mesma medida? A imprensa grita, o povo se cala e a banda segue.
Lula da Silva não fez a menor cerimônia em confirmar nomes, tanto na PGR quanto ao posto de Ministro do Supremo que estejam estritamente ligados a ele. São decisões cujo critério principal foi o de ter aliados — e não necessariamente o mais bem preparado para o cargo. Assim, teve a audácia de indicar para o supremo seu advogado particular. E, desde que o Senado aprovou esse nome, não há o que se falar.
Do Legislativo já não se pode esperar muita coisa mesmo. Com a Câmara dos Deputados sob a batuta de Arthur Lira (PP) então — o resultado aí está. Ao franquear o orçamento para salvar a própria pele, Bolsonaro criou um monstro. Agora, o governo federal pouco governa. Apenas assiste importante parte do já apertado orçamento ser dividido, como despojos de guerra, entre deputados que assim fizeram surgir no Brasil o conceito das cidades desassistidas porque não têm a bênção de nenhum deputado. Quanto às assistidas, assim o são porque assistem a deputados. São parceiros, não representantes — coisas da nossa política.
Mas a grande (má) surpresa vem do Judiciário. Do local de onde deveria brotar nossa estabilidade institucional é de onde surgem os maiores absurdos. Primeiro porque vergonhosamente tornou letra morta todo um processo de corrupção, que correu nas três Instâncias e cuja sentença havia condenado Lula à pena de prisão.
O antigo juiz do caso está prestes a perder a cadeira de Senador, conquistada nas urnas. Na verdade, está mais perto de ocupar a cela que Lula ocupou em Curitiba do que permanecer em Brasília, onde agora Lula está. É assustador!
Para além disto, decisões monocráticas estão ferindo de morte os últimos resquícios de alguma vitória que o povo brasileiro conseguiu de toda a operação Lava Jato. Se não houver uma mudança drástica nos rumos, as multas aplicadas na Operação serão paulatinamente canceladas, as empresas envolvidas habilitadas a executar obras para o Estado e, (porque não?), indenizadas. Simplesmente inacreditável.
Diante disso tudo, como esperar um resultado melhor no “nível de percepção da corrupção” fornecido pela Transparência Internacional? Sim, melhor mandar investigar esta ONG insolente!
Lamentável — o pesadelo ainda não acabou.
