Mudanças nas regras só servem para atender a necessidades de ocasião. Estabilidade institucional é premissa básica para o fortalecimento da democracia.

É curioso como as coisas se resolvem no Brasil. Contra o risco de se colocar um esquerdista na presidência, se inventou um parlamentarismo que durou apenas de 1961 a 1963, já às vésperas do golpe militar que se seguiu.
Mudanças na forma de governo ou mesmo golpes de estado — quando não se consegue entrar num ‘consenso’ — são uma constante na política nacional. Mas essa chaga precisa ser erradicada de nossa história.
Logo após a chegada de Lula (PT) pela terceira vez ao Planalto (aliás, com uma candidatura obtida devido a uma reviravolta vergonhosa articulada pelo STF) tentou-se, mais uma vez, aplicar-se um golpe de Estado. Os desdobramentos das investigações deixam essa conclusão cada vez mais cristalina.
Como o golpe não vingou, circula agora no Congresso, em especial no Senado Federal, a proposta de acabar com o instituto da reeleição. Perda de tempo e de energia. A questão que se impõe é: a quem interessa falar nisso agora? Há problemas mais importantes a serem enfrentados ali, como, por exemplo, a reforma administrativa!
O fato de Jair Bolsonaro (PL) ter perdido o último pleito, mesmo estando com a máquina do Estado em suas mãos, derruba a falácia de que o governo de turno sempre vence as eleições.
Aliás, eleições estaduais e municipais têm demonstrado que nem sempre o ocupante da cadeira é reconduzido ao cargo. Pode até parecer que não, mas o cidadão sabe julgar.
A alternância das regras gera insegurança e desconfiança. Ademais, passasse uma proposta desta e em poucos anos estariam nossos representantes se debruçando sobre a possibilidade de retornar com o instituto da reeleição, num eterno círculo vicioso. Precisamos vencer as ilusões dos atalhos e encarar nossa realidade.
Quanto à pergunta sobre “a quem interessa perder tempo com isso agora?”, não dá para emplacar uma resposta certeira. Mais uma coisa é certa: ao povo é que não é — e isso já diz muita coisa.

A questão não é o governante de turno se reeleger o não. O problema, muito sério, é a adoção de politicas de governo populistas, voltadas para a obtenção de votos. Os governantes, nos três níveis de governo, trabalham pela reeleição desde o dia em que tomam posse. Politicas públicas de longo prazo, as chamadas estruturantes, são abandonadas e substituídas pelo imediatismo ineficaz.
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Sim, a democracia precisa de estabilidade. O país precisa que seus eleitos para os três níveis executivos de governo trabalhem na construção dessa estabilidade e de um país próspero, e não apenas trabalhem para se reeleger. Sou a favor do fim da reeleição e de um mandato de 5 anos. Também entendo que as casas legislativas precisam ter regras de eleição e de permanência no poder mais restritas e menor número de partidos. E menos dinheiro para as campanhas para reeleição. Que tal apenas 2 mandatos? Quanto ao judiciário por que não limitar o mandato dos ministros do STF a 10 anos bem como alterar o processo de sua escolha – mandatória – por uma lista tríplice eleita a partir de desembargadores e ministros do STJ, por exemplo? Enquanto nada disso for feito não haverá reforma administrativa e muito menos os exorbitantes e os desnecessários incentivos fiscais e as benesses para determinados servidores públicos serão revistos pois, afinal, são votos necessários à reeleição!!!
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