FORMAÇÃO POLÍTICA

Moro fica

Moro teve o apoio do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD).

O que se esperar quando PL e PT se unem por uma causa comum? Um ataque à democracia — ao menos ao que se possa esperar de uma democracia evoluída e plena. 

Mas, cada uma destas vertentes do nosso espectro político prefere enxergar democracia com suas próprias lentes. No caso, tentaram retirar o mandato do Senador Sérgio Moro (União) por pura vingança. Se inspiraram na ação que expulsou de Brasília o então Deputado Federal Deltan Dallagnol (Novo), mesmo o ex-procurador tendo sido o deputado mais votado no estado do Paraná.

Porém, desta vez o intentado não foi adiante. Moro se safou da cassação por unanimidade no TSE e finalmente pode sentar-se em paz na cadeira a ele conferida por quase dois milhões de paranaenses. É a vontade das urnas que se impôs.

Os atos antidemocráticos acontecidos em 8 de janeiro de 2023 também visavam retirar das urnas a sua efetividade para fazer valer a vontade de uma minoria estridente. O brasileiro precisa se acostumar com a alternância do poder porque é esse um dos pilares de uma democracia sadia.

Aliás, uma democracia sadia também clama por um Judiciário à altura. As decisões monocráticas emitidas por ministros do Supremo têm causando estragos profundos na estabilidade da política nacional.

Quando a forma se sobrepõe ao conteúdo, o resultado que se alcançará será, na melhor das opções, estético. Dias Toffoli acabou de emitir decisão em que beneficia Marcelo Odebrecht e José Dirceu (PT) baseando sua decisão no fato de as condenações não terem seguido “normas constitucionais”. Mas, agindo assim, passa uma borracha no que foi escrito a tinta. Houveram confissões, delações e provas inequívocas, inclusive devolução de numerários. 

De se lembrar que naquele momento, sem a sintonia entre os órgãos estatais, seria impossível alcançar as figuras que foram alcançadas até porque estas figuras são unidas o bastante para derrubar qualquer ameaça a seus privilégios. Se houve ‘conluio’ entre as autoridades, ela já estava subentendida desde então, ao menos nas entrelinhas. Pensar que nossos supremos não suspeitassem disto é colocar em dúvida a inteligência deles.

Se é a Constituição que impede a Justiça de trabalhar da forma mais ampla possível quando o assunto é combater a corrupção, é porque as leis já foram concebidas para isso mesmo: quando convir, anular processos.

Mas a frase dita por José Dirceu é a chave para melhorar esta situação. Para ele, voltar à Câmara dos Deputados é uma “questão de justiça”. Porém ele mesmo afirma que esta decisão cabe ao povo de São Paulo.

Sim, basta o povo dizer não. Apesar de entender que as urnas sempre devem vencer, devemos também entender que precisamos aprender a votar melhor. Do contrário, estaremos fadados ao descaso de nossas autoridades. Eles têm a certeza de que sabem como nos enganar. Cabe ao eleitor decepcioná-los.

3 comentários em “Moro fica”

  1. Esse evento de tentativa de punição de Moro (e a efetiva punição de Dalagnol) deixam claro a mim, leigo, um aspecto curioso e preocupante da justiça: o crime de Moro/Dalagnol existiu mas não visava a beneficio pessoal nenhum, mas ao entendimento das imensas dificuldades de punir corruptos de alto coturno em todas as instâncias do poder no Brasil. E as provas desse crime fora obtidas de modo flagrantemente ilegal e exigiram uma ginástica complexa da justiça para viabilizá-las. E no entanto, a enorme quantidade de confissões de corrupção dos punidos, assim como sua aceitação das multas milionárias hoje são facilmente perdoadas, às vezes por uma decisão pessoal de um ministro do STF. Concluindo, o crime no Brasil às vezes parece compensar.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Observação importane e inteligente! “o crime de Moro/Dalagnol existiu mas não visava a beneficio pessoal nenhum, mas ao entendimento das imensas dificuldades de punir corruptos de alto coturno em todas as instâncias do poder no Brasil.”

      Curtir

  2. Moro fica porque o peso de retira- lo não valia o desgaste. Lula caindo nas pesquisas e a lembrança da fala dele que ficou “ vou f… o Moro”, Pacheco interferiu, GM foi procurado, desta vez se pensou no estrago que seria cassar o Moro. Em que pese o fato de não gostarem de Moro, muita gente gosta e jamais a LJ será esquecida. Ela mostrou a corrupção aos brasileiros. Quanto à combatê-la não há como dada à composição que se instalou no país. 

    A compra de votos é explícita, somada à ignorância e à preguiça do eleitor que vota na legenda, estimulado pelo próprio presidente. Assim, se elege as piores pessoas que vemos na política. O mal maior está no sistema de votação.
    Para decepcionar o candidato é preciso despertar no eleitor a vontade de mudar a pouca vergonha que se tornou esse país, politicamente e moralmente.

    Curtir

Deixar mensagem para LUIZ OSVALDO CARNIELO CALEJON Cancelar resposta