FORMAÇÃO POLÍTICA

Marina enfrenta o Senado

Ministra enfrenta resistência mesmo dentro do governo.

Diante de uma figura pública respeitada, tanto no país quanto lá fora — ambientalista reconhecida, ex-seringueira, ex-senadora e candidata à presidência, com histórico de integridade e coerência —, o Senado se apequenou. O que se viu na audiência a que a Ministra Marina Silva fora convidada para tratar da questão da margem equatorial da Foz do Rio Amazonas, foram provocações vazias, tentativas de constrangimento e um desfile de oportunismo por parte dos edis. 

De se lembrar que a atual Ministra do Meio Ambiente deixou o PT para fundar seu próprio partido exatamente por discordar dos caminhos tortuosos que a sigla seguia ao se lambuzar com o poder. Como poucas figuras públicas, ela representa uma trajetória de vida dedicada à construção de políticas públicas fundamentadas em princípios e ciência. É das poucas na política que sabe o porquê de estar ali. 

Enfrentou interesses poderosos, inclusive dentro de governos dos quais fez parte, sempre com coragem e clareza de propósitos. Dizer “não” quando o caminho mais fácil era ceder, tem sido uma constante em sua carreira. 

O atual Senado, por outro lado, parece mais preocupado em agradar lobbies momentâneos a oferecer uma visão de país. Em vez de reconhecer a importância de um debate sério sobre sustentabilidade, transição energética e preservação ambiental, preferiu instrumentalizar o tema com ataques pessoais e ensaios de palanque político. 

É sintomático e lamentável: em tempos em que o mundo discute adaptação climática, fontes limpas e responsabilidade ambiental, o Brasil — potência única no setor — relega a pauta à retórica rasa e ao jogo de interesses. E o faz atacando justamente uma de suas vozes mais consistentes. Perde-se uma grande oportunidade de se destacar no futuro ao manter a mente presa ao passado. 

Marina saiu daquela triste audiência como entrou: com altivez. Já a Casa revisora da República saiu menor ao demonstrar que, com as devidas exceções, no Senado Federal sobra arrogância e falta compromisso com o país. Deveria ser lugar de estabilidade e serenidade política. Tem sido palco de um teatro pobre em conteúdo e pródigo em vaidade. 

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