Suspeitos de promoverem tentativa de golpe de Estado vão, aos poucos, se deslocando para o exterior. Posam de exilados quando, na verdade, estão ‘abandonando o barco’.

Refugiar-se no exterior é, de certa forma, um gesto que atravessa a história política brasileira. Muitos que discordavam dos rumos do país ou enfrentavam perseguições buscaram abrigo fora do território nacional.
O que se vê neste momento, no entanto, é de outra natureza. Trata-se de fuga — e não de exílio. Indivíduos que, suspeitos de envolvimento em atos que atentaram contra a ordem democrática optam por deixar o país para escapar da responsabilização judicial.
A deputada Carla Zambelli (PL), encontra-se fora do país alardeando ser uma cidadã italiana. Já Eduardo Bolsonaro (PL) causou perplexidade ao licenciar-se do cargo de deputado federal para, dos Estados Unidos, promover uma campanha de desmoralização da Justiça brasileira, valendo-se do ambiente trumpista que vigora por lá.
É importante reconhecer: a Justiça brasileira tem sido questionada por sua seletividade. A sensação de que alguns pagam mais caro do que outros por erros semelhantes não pode ser ignorada. Mas quem acredita na inocência deve se defender. Quem acredita na democracia confia em suas instituições.
Sair do país para não enfrentar um processo, evitar uma investigação ou escapar de um julgamento é, no mínimo, um reconhecimento tácito de culpa. Pode-se até alegar “perseguição política”, mas há um limite entre divergência legítima e atentado à institucionalidade. E esse limite foi ultrapassado por aqueles que tentaram, na marra, impor sua vontade ao país, rasgando a Constituição e desrespeitando o voto popular. Não conseguiram.
Fugir da justiça não transforma ninguém em mártir. Apenas evidencia que, diante da prova dos fatos, muitos preferem se esconder a encarar as consequências de seus atos. E isso revela muito sobre o caráter de pessoas que uma parte da população lhes confiou o voto.
