FORMAÇÃO POLÍTICA

Voto distrital

Com o voto distrital, cada área do país terá seu próprio representante eleito pela comunidade local.

Quando queremos medir o grau de politização de alguém, um dos recursos é perguntar em quem votou nas últimas eleições para deputado, seja federal, seja estadual. A maioria não se lembra. Isso ocorre porque há grande distância entre o eleito e o eleitor — tanto física quanto simbólica — e porque o atual sistema proporcional dilui ainda mais esse vínculo. 

Nossos estados são extensos e contam com dezenas de partidos. É comum que um deputado eleito represente uma região distante daquela onde obteve votação expressiva, sem conhecer seus problemas e suas demandas. Quando o eleitor sequer sabe se seu candidato foi eleito, a capacidade de cobrança se perde completamente. 

A proposta de adoção do voto distrital misto busca corrigir esse distanciamento. Pelo modelo, metade dos parlamentares continuaria sendo escolhida pelo sistema proporcional, preservando diversidade política; a outra metade seria eleita por distritos, aproximando o mandatário da realidade local e permitindo ao cidadão identificar com clareza quem o representa — algo semelhante ao que ocorre nas eleições para prefeito. 

Essa mudança se soma a outras já em curso. O fim das coligações proporcionais e a cláusula de desempenho vêm reduzindo o número de partidos, melhorando a transparência e a governabilidade. A reforma distrital segue esse caminho ao fortalecer o vínculo entre sociedade e Parlamento. 

Caso aprovada, a regra só valerá a partir das eleições de 2030, coincidindo com o fim do ciclo de transição que vem redesenhando o sistema político e o acesso aos fundos partidário e eleitoral. 

Há, claro, desafios. Será preciso definir os distritos com critérios técnicos para evitar manipulação geográfica (gerrymandering), e garantir que o sistema não exclua minorias políticas. Ainda assim, trata-se de um avanço institucional significativo. 

A proposta está nas mãos do presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos) que a vê com bons olhos. É um processo longo, mas necessário. Fortalecer a representatividade é fortalecer a democracia. 

Um comentário em “Voto distrital”

  1. É um pequeno avanço na imprescindível reforma das nossas instituições políticas, entre elas, a da extinção da nossa Monarquia Eletiva chamada presidencialismo.

    Curtir

Deixar mensagem para Antonio Augusto d Avila Cancelar resposta