Lula não entregou o que prometeu e, no final do seu terceiro mandato, faz malabarismo para se manter no poder.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou ao terceiro mandato muito mais pela rejeição ao seu adversário do que por entusiasmo do eleitor. Uma vez no poder, manteve a visão de que o Estado deve concentrar recursos gerados pela iniciativa privada para redistribuí-los — muitas vezes sem eficiência e sem retorno concreto para a sociedade.
O sistema financeiro, embora não produza bens diretamente, exerce papel relevante ao viabilizar crédito e impulsionar a atividade econômica. O problema está na forma como esse setor opera no Brasil, frequentemente sob a complacência do Estado. Práticas que aqui se tornaram corriqueiras seriam, em muitos casos, alvo de severas restrições em países desenvolvidos.
O cidadão comum convive diariamente com ofertas insistentes de crédito fácil, que chegam por telefone a todo momento. Quando cede, inicia-se um ciclo difícil de romper: juros elevados e endividamento crescente, que comprometem sua renda e sua estabilidade.
Nesse contexto, o FGTS — criado em 1967, durante o regime militar, e posteriormente incorporado à Constituição — sempre funcionou como uma proteção ao trabalhador. É uma reserva destinada a momentos de necessidade, como demissão sem justa causa, doença grave ou aquisição da casa própria. Uma poupança formada pelo empregador em nome do trabalhador, com o propósito de garantir um mínimo de segurança — coisa que o Estado, por si só, não assegura aos seus cidadãos.
Agora, sob o discurso de ampliação de acesso ao crédito, o governo abre espaço para que instituições financeiras avancem sobre essa poupança. Vende-se a medida como solução, mas seus efeitos podem aprofundar ainda mais a vulnerabilidade do trabalhador.
Não se trata de um governo voltado prioritariamente aos mais pobres, como se costuma afirmar. Ao contrário, suas ações revelam um equilíbrio delicado — e questionável — entre atender interesses populares e preservar estruturas que favorecem os mais poderosos. Na prática, o que se propõe é a transferência do FGTS do trabalhador para o bolso dos bancos.
Em vez de promover autonomia, insiste em políticas que mantêm a dependência. Oferecem alívios imediatos, mas não se constrói bases sólidas para que o cidadão avance por conta própria. No fim, perpetua-se um ciclo em que a promessa de dignidade é substituída por benefícios pontuais.
