As jornadas de 2013, que por fim tiveram como principais consequências o surgimento da operação Lava Jato e a queda de Dilma Rousseff, surgiram de maneira espontânea e cresceram sobre o manto das redes sociais.

Depois, em 2018, uma paralisação da categoria dos caminhoneiros durou onze dias e sitiou cidades, impondo o desabastecimento de combustíveis e gêneros de primeira necessidade, como alimentos e remédios. O governo de Michel Temer até queria, mas não sabia com quem negociar.
Em 2019 o resultado de toda esta tormenta política avassaladora assumiu a presidência do país com um discurso profundamente antidemocrático e antipolítico. Em todos estes eventos, as redes sociais tiveram papel fundamental.
Quando Michel Temer assumiu a presidência, todavia, o país ansiava por paz na política. Aliás, apesar de ser continuamente tachado de golpista, Temer em seu discurso inaugural prometeu acalmar os ânimos dos brasileiros e dar serenidade à política, mas fracassou no seu intento.
O quadro que escolheu para o seu ministério foi sendo derrubado por envolvimento em escândalos de corrupção relacionados à operação Lava Jato. O seu partido, PMDB estava profundamente infectado por todo o lamaçal que a operação policial expunha.

A tentativa de alterar a orientação econômica do Brasil ficou prejudicada. Pretendia-se fazer uma reforma na previdência que já estava, aliás, bem conduzida no Congresso. Porém, algo inesperado aconteceu.
Depois de conseguir alterar diversos dispositivos da Consolidação das Leis Trabalhistas — CLT, e aprovar no Congresso a PEC do teto dos gastos público, Michel Temer se concentrou em fazer aprovar a reforma previdenciária. Foi, todavia, abatido pelo vazamento de uma conversa privada que tivera com um empresário que supostamente pagava mesada pelo silêncio de Eduardo Cunha (PMDB) que se encontrava preso e ameaçava delatar tudo o que sabia. Cunha havia sido o pivô da queda de Rousseff.
Desta maneira, Temer foi o primeiro presidente brasileiro a ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República enquanto no cargo. A partir daí, nada mais fez que negociar junto à Câmara dos Deputados uma maneira de barrar as acusações. Seu governo acabou ali.
Este é o momento de maior sujeira na política de toda a história republicana brasileira porque o governo Temer nada mais foi do que a consequência dos anteriores. O ambiente político estava profundamente comprometido.
Todo este panorama de escândalos fez erigir, do baixo clero do Congresso Nacional o discurso de um deputado polêmico que pregava a moral, os bons costumes e acima de tudo. Defendia também armar a população para se defender da violência urbana que assolava o país: Jair Messias Bolsonaro.

Chegava ao poder, enfim, a antítese da política. Um governo que usou como modus operandi o enfrentamento com os demais poderes da República. Apostando que o discurso antipetista seria suficiente para manter o clima de beligerância às instituições, abriu mão do diálogo com o Congresso para se aventurar em uma escalada autoritária.
Porém, o surgimento de alguns percalços jurídicos e políticos obrigou Bolsonaro a se aproximar daquilo que ele mesmo chamara de velha política. Foi preciso se agarrar ao chamado centrão, então capitaneado pelo presidente da Câmara dos Deputados, o alagoano Arthur Lira (PP) para manter um mínimo de governabilidade. Afinal criou o fenômeno do bolsonarismo — uma corrente ideológica de extrema direita que se embasa em pautas conservadoras, mas, ao mesmo tempo, prega a posse de armas e o protagonismo do militarismo diante da democracia.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou à presidência, trazendo consigo um político experiente como vice, Geraldo Alckmin. Este último deixou as fileiras tucanas, do qual era membro histórico e migrou para o PSB, para ajudar Lula a voltar ao Planalto.
Estamos neste ponto da história. Lula encontrou uma nova chance. Chance para limpar sua biografia. Tem ao seu lado uma pessoa equilibrada o suficiente para, ao menos lhe mostrar o caminho da conciliação.
Paramos por aqui.
À guisa de conclusão — A política venceu?
A política brasileira, assim como a política de outros países sul-americanos, como a Argentina e o Chile é o grande entrave para um crescimento ordenado e contínuo desses países.
Nosso parlamento, ao longo de nossa história política foi ocupado pela classe burguesa agropecuária. A representação das classes populares, através dos partidos de esquerda e de orientação social não foi capaz de mudar a vida dos humildes deste país. Quando no poder, o Partido dos Trabalhadores não conseguiu impedir a corrupção. Isso foi frustrante na medida em que, cooptada pelo poder do capital, os ganhos obtidos pela classe baixa logo se perderam.
O tempo tem dado conta de tornar nossa política menos agressiva aos seus cidadãos. A alma do Brasil é democrática! Os momentos de limitação ao direito de voto foram raros e superados. O brasileiro não sabe votar? Ou são as opções que são ruins? Ou é o poder do dinheiro que acaba por sufocar boas candidaturas?
O ano de 2013 foi importantíssimo para a modernização da política no Brasil, porém, algumas de suas conquistas têm sido, paulatinamente, perdidas.
Naquele momento, primeiramente aconteceram protestos contra o aumento no valor das passagens do transporte coletivo na cidade de São Paulo. Daí a passar a se criticar as todas as políticas públicas, foi uma consequência quase natural. As críticas atingiram, por fim os partidos políticos e à onipresente corrupção que o sistema político brasileiro fazia transparecer.
Um novo ciclo na política brasileira ali se iniciava, mas, pela primeira vez, sem a quebra ou ruptura do sistema!
Então, um segmento de extrema direita até então envergonhada surgiu e tentou, sim, com a vitória de Jair Bolsonaro à presidência da República, colocar fim no atual período democrático. Isto é, houve a tentativa de nova quebra do sistema, o que se daria com um golpe de Estado — intentado em 8 de janeiro de 2023 — e, posteriormente com a edição de nova constituição. Esse seria nosso destino. Mas a democracia prevaleceu!
Por outro lado, o Parlamento brasileiro tem tentado sequestrar a agenda do executivo, colocando-o em uma situação de dependência nem sempre correspondida a contento.
Porém, nota-se melhoras nas leis eleitorais. Temos uma Justiça Eleitoral eficiente e um método de votação que o mundo pesquisa e quer copiar. Precisamos insistir na política partidária. Apesar de seus grandes e graves defeitos, só a boa política poderá nos encaminhar para aquilo que o Brasil pode ser. Uma democracia verdadeira, onde as riquezas que a coletividade produz de nossa rica terra sejam repartidas entre aqueles que desejam colocar as mãos à obra.
A batalha de 8 de janeiro foi vencida pelas instituições democráticas, mas a guerra, sabe-se, não acabou. O brasileiro não pode aceitar retrocessos democráticos, pois somente através da democracia a política pode desenvolver-se de maneira saudável — ainda que essa não tenha sido a nossa realidade.
Diante de tudo isso, temos de nos agarrar no velho jargão: “só a boa política constrói” — é nisso que acreditamos.














































