Blog – Formação Política

FORMAÇÃO POLÍTICA

O PT sendo PT

Partido insiste em se reduzir à figura de Lula.

Documento lançado essa semana pelo partido que o presidente Lula da Silva fundou mostra que a teimosia continua sendo uma das marcas da instituição. Não se pensa no país. Se pensa em poder. A resolução é recheada de referências à reeleição de Lula para 2026.

Não foi o que Lula disse durante a campanha de 2022. Naquela ocasião, garantiu que não tentaria a reeleição até porque sua idade está se tornando um obstáculo intransponível.

O Brasil precisa se livrar da polarização entre as personas de Lula e Bolsonaro. Isso não é política digna do nome que grandes pensadores ao longo da história ajudaram a construir — a começar por Aristóteles. O que se vê por aqui é fanatismo puro.

Não que o documento lançado pelo PT seja de todo desaproveitado. Falar no direito dos indígenas de possuírem o que já é seu é legítimo. Puxar a orelha do governador da Bahia (petista) pela absurda violência policial no estado, necessário. Cobrar a responsabilização dos militares que participaram da tentativa do golpe do 8 de janeiro ou lançar diretrizes para as eleições municipais de 2024. Tudo isso é legítimo e coerente com suas pautas.

O que é ilegítimo e profundamente lamentável é o fato de o PT ainda se ver reduzido à figura de Lula. Há alternativas, tanto dentro dos quadros do partido, quanto em seus aliados à esquerda. Esse passo precisa ser dado.

Uma eleição presidencial sem as figuras de Lula ou Bolsonaro iria oxigenar nossa democracia. Já devia ter sido assim em 2022 caso essas duas figuras não dependessem tanto do poder — implicados, ambos, em casos mal resolvidos ou mal explicados.

Mas não. A depender do PT, o país permanecerá refém dessa situação esdrúxula. Caberá ao eleitor mostrar a esse partido que existem opções. As eleições para as prefeituras no ano que vem podem abrir o caminho para que o partido repense suas ambições. Com a palavra, o eleitor.

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

Dinheiro é energia

Brasileiro não pode contar com o Estado para o auxiliar na velhice.

Energia é vida, precisamos nos movimentar para trabalhar e conviver com as pessoas.

Enquanto jovem a energia é natural, até sobra; mais velhos não podemos fazer o mesmo e aí entra a energia “auxiliar”: o dinheiro. Com o dinheiro você gasta menos energia e faz tudo (ou mais) que um jovem saudável faz.

Economizar para a velhice é uma necessidade, ficar velho sem dinheiro é um castigo dobrado. O poder de compra esbarra no seu estilo de vida e na inflação, o estilo de vida você pode mudar, a inflação não.

Poucos os que podem envelhecer sem a preocupação financeira e viver mais leve. A população está mais velha, vivemos mais, e poupamos mais? Essa é a pergunta maior. Quem pensa na velhice?

No mundo do imediatismo não há velho, só o sucesso de hoje, o amanhã se vê depois. Hoje, com tristeza, vislumbro um futuro de mais pobreza e mais sofrimento, isso vai mudar? Não há interesse político no amanhã, simples assim: ficaremos velhos, pobres e desassistidos pelo estado.

FORMAÇÃO POLÍTICA

O retorno de Aécio

Neves discursa em evento do PSDB realizado na última semana, em Brasília.

Aécio Neves (PSDB) pertence a uma família de políticos. Neto de Tancredo Neves, o atual deputado federal por Minas Gerais acabou de perder seu primo, Francisco Dornelles, figura eminente da política durante o período de redemocratização do país.

Andava, todavia, apagado. Sofreu diversas acusações. Foi exposto em um caso bizarro. Sua voz aparece em uma gravação telefônica garimpando dinheiro para custear advogados. Depois, protagonizou uma verdadeira guerra intestina dentro de seu partido, o PSDB. Agora, podemos proclamar Aécio vencedor dessa guerra tucana.

Em evento do partido realizado nesta última quinta-feira (dia 24) em Brasília, Aécio Neves foi apresentado como uma solução diante da polarização Lula-Bolsonaro — ao menos às vistas de seu partido.

Foi o próprio atual presidente da agremiação, que também pretendia concorrer às eleições de 2022 Eduardo Leite, quem teceu acalorados elogios ao mineiro.

“Nunca duvidei de que esse dia iria chegar”, proclamou Aécio. Ele disse a verdade, não há dúvidas. Conhecedor profundo da política brasileira, sabe perfeitamente que as coisas por aqui vêm e vão. O PT também esteve no fundo do poço há algumas eleições e hoje é dono da cadeira presidencial.

Aécio soube se ausentar. Para se ver livre dos perigos de um processo que lhe ameaçava a liberdade, sujeitou-se ao cargo de deputado federal. Para quem chegou muito perto de ser o presidente da república com mais de 50 milhões de votos no segundo turno de 2014, trata-se de uma posição bem recatada.

Depois, aguardou em silêncio as águas acalmarem para o seu lado. Conforme a tormenta mudava de direção, passou a refletir sobre seus novos rumos.

Dentro do PSDB ele já se cacifou. Agora é aguardar os próximos acontecimentos políticos. Pode surgir como um nome forte, ao centro, para 2026.

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

O país dos trapaceiros

Atual e ex-presidente são o retrato de como a política é tratada no Brasil.

Um ex-presidiário, em um passe de mágica chega na presidência da República; um ex-presidente, da mesma forma vai ser preso.

Um comandou o maior esquema de corrupção do país, o outro veio como o salvador da pátria e é acusado de vender as joias da União.

Somos um país de líderes trapaceiros, oportunistas, somos enganados constantemente. A política que domina é a do “mais esperto”, da lei de Gerson: o que sabe ludibriar a lei e que vende ilusões ao povo é “bem sucedido” em sua carreira política.

Paira a sensação que não teremos avanços, novas ideias, novo conceito moral e ético para colocar o país nos trilhos.

Uma revolução conceitual há de acontecer para podermos ter orgulho de nossa nação. Que venham novos políticos com novas propostas: O Brasil merece ser uma nação limpa para, com orgulho no peito, podermos cantar “pátria amada Brasil”.

FORMAÇÃO POLÍTICA

O poder (do presidente) da Câmara

Desde que Arthur Lira (PP) chegou à presidência da Câmara dos Deputados, o alagoano nada mais faz do que fazer valer do poder a ele conferido. Antes dele, Eduardo Cunha emparedou Dilma Rousseff e abriu o caminho para o impeachment, que levou Michel Temer à presidência, aliás, esse também, presidente daquela Casa entre 2009 e 2010.

Relação entre chefes de Poderes deve ser institucional, não de dependência.

Mais prudente, Rodrigo Maia segurou os ímpetos de Jair Bolsonaro durante os primeiros movimentos daquilo que viria a ser um governo totalmente aloprado. Já Lira agiu de maneira mais pragmática em relação a Bolsonaro.

Dominou o ex-presidente, impedindo que os vários pedidos de impeachment que sob ele caíam, especialmente em razão de suas desastrosas atitudes diante da pandemia de Covid-19, não fossem adiante.

Fez valer as regras que pretendeu em relação ao que ficou conhecido como “orçamento secreto”, aumentando assim sua influência entre seus pares deputados, mesmo diante de uma decisão do STF que condena a prática.

Depois, assim que Lula da Silva foi eleito presidente da República aproximou-se do petista — não para oferecer ajuda a um governo que iria precisar dela — mas para apresentar o preço da mesma.

Legítimo representante do grupo denominado Centrão — que assim é chamado por não ter convicção política digna do nome — Lira impõe, inclusive, uma reforma ministerial à qual Lula vinha resistido, mas não muito.

Seria ingenuidade perguntar o porquê de uma reforma agora. O objetivo é trazer o Centrão para o governo. O Ministério de Portos e Aeroportos e o do Desenvolvimento Social, além da presidência da Caixa estão sendo cobiçados por Republicanos e PP, esse último, partido de Lira.

Por outro lado, a fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que tentou emparedar o Congresso para que o mesmo atenda aos interesses do governo — e do país —, é exemplo claro de que a Câmara dos Deputados é a instituição que, de fato, comanda a agenda política nacional. O problema é que somos um país presidencialista no papel e (cada vez mais) parlamentarista, na prática — uma confusão!

Nossa Constituição, concebida para ser parlamentarista, descambou para o presidencialismo, porque os militares temiam as consequências de se dar poder ao Congresso. Controlar “um só homem” (o presidente) seria mais fácil, especialmente quando esse homem acabou sendo José Sarney, recém saído das fileiras da Arena, partido de base do governo militar de então.

Assim, ficamos no meio do caminho. Temos um presidente da República que deve bênçãos ao comandante da Câmara. Esse não tem os poderes de um primeiro ministro, mas pode definir a velocidade do trato a nossas urgências.

Ficamos, assim, reféns dos poderes constituídos. Mas é neles que temos de nos apegar. É por essa razão que as coisas andam tão devagar por aqui. O tempo passa e a renda média do cidadão pouco evolui.

Ciclos políticos no Brasil, FORMAÇÃO POLÍTICA

Ciclos Políticos no Brasil — A força reacionária da UDN

De 1945 até 1964 pode-se dizer que o Brasil viveu um hiato democrático que foi, todavia, composto por governos que buscavam se legitimar no apoio popular.

O regime democrático permite que partidos de esquerda, voltados para as questões sociais, aumentem sua importância junto a um eleitorado composto por pessoas pobres e desassistidas.

Constituição de 1946 foi festejada como democrática por reestabelecer os termos da Constituição de 1934.

Deposto Vargas e derrubada a ditadura do Estado Novo, fazia-se urgente a confecção de uma nova Constituição, que ficou pronta em 18 de setembro de 1946, reestabelecendo a democracia no país.

No contexto mundial, com o fim da Segunda Guerra e o advento da Guerra Fria, na qual Estados Unidos e União Soviética disputavam áreas de influência, o Brasil de Dutra se alinhou aos EUA em suas concepções liberais e capitalistas.

Em 1949, Getúlio Vargas vence, pelo PTB, as eleições presidenciais e ‘volta ao poder pelos braços do povo’.

Fundamentou seu novo governo no desenvolvimento e no bem estar-social. Rompeu com o liberalismo e procurou o nacionalismo e o intervencionismo na economia, com foco na industrialização do país.

Criou a Petrobrás, a Eletrobrás e o Banco Nacional do Desenvolvimento, mas enfrentou a oposição dos chamados entreguistas, que queriam atrair capital estrangeiro para o país.

Para o cargo de Ministro do Trabalho escolheu João Goulart. Passou, assim, a ser atacado pela UDN e pela imprensa, especialmente por Carlos Lacerda.

Lacerda iniciou uma campanha implacável contra Getúlio Vargas. Como consequência, o jornalista sofreu um atentado em agosto de 1954 na qual morreu um major da aeronáutica, que o acompanhava.

Carlos Lacerda (UDN) foi ferrenho opositor de Getúlio Vargas.

As investigações levaram ao chefe da guarda pessoal do presidente. Exigiu-se nova renúncia de Vargas, mas ele suicidou-se em 24 de agosto de 1954.

Café Filho, vice de Getúlio vai se alinhar à UDN para governar. Mas 1955 vencerá o pleito eleitoral Juscelino Kubitschek, por uma coligação entre PSD e PTB que tinha, novamente, João Goulart como vice. A vitória de JK desagradou a UDN que elaborou um golpe para tentar impedir a sua posse.

Para impedir a posse de Juscelino, foi tramado o seguinte estratagema: Café Filho, que pertencia ao PSP — Partido Social Progressista irá afasta-se da presidência alegando problemas de saúde. O presidente da Câmara dos Deputados Carlos Luz assume com a intenção de impedir a posse de JK, tido pelos conservadores como alinhado às esquerdas progressistas.

General Lott (à direita) garante a posse de JK.

Todavia, Carlos Luz será deposto pelo general Henrique Teixeira Lott, Ministro da Guerra, que colocou em seu lugar o Senador Nereu Ramos, que era de sua confiança e que daria posse ao ex-governador de Minas Gerais na presidência.

Este golpe, arquitetado para fazer cumprir a Constituição, passou para nossa turbulenta história política como o golpe preventivo, e foi ele que possibilitou a posse de Juscelino e Goulart.

* * *

Juscelino propôs fazer o Brasil avançar ’50 anos em 5′. Para tanto, lançou seu Plano de Metas visando acelerar o desenvolvimento do país.

Construiu Brasília, criou órgãos de desenvolvimento regional, como a Sudene para desenvolver o Nordeste. O setor industrial cresceu vertiginosamente entre 1956 e 1960, mas gerou inflação, diminuindo o poder de compra do trabalhador. Foi acusado de promover os interesses norte-americanos ao cogitar procurar o FMI.

Pode-se dizer que foi um populista com viés sociais, mas que não avançou o sinal. Soube conduzir a política de maneira a não provocar muito a direita conservadora. Agindo assim, chegou ao final de seu governo.

A UDN participou da coligação que elegeu o próximo presidente que pertencia, todavia, ao Partido Trabalhista Brasileiro — PTN. Porém, ele só governou de janeiro a agosto de 1961. Seu vice-presidente — o então onipresente João Goulart, vencerá novamente mesmo não estando alinhado com o Jânio. Pode parecer contraditório, mas a legislação então vigente permitia ao eleitor escolher um presidente de uma chapa e o vice de outra, e foi isto o que aconteceu.

Jânio Quadros venceu as eleições atacando a corrupção, a inflação, o desperdício de dinheiro com a construção de Brasília, por exemplo. Prometia crescimento e austeridade. Sua mensagem era antipolítica, apresentava-se como um outsider, fato que o ajudou a fazer uma carreira política meteórica na cidade e no Estado de São Paulo.

Ao condecorar um dos líderes da ‘Revolução Cubana’, Jânio atrai a ira da UDN.

Por criticar Juscelino, perdeu apoio dos parlamentares ligados ao ex-presidente. Faltou-lhe habilidade política. Entrou em conflito com o Congresso e com setores da sociedade simplesmente por inabilidade para o diálogo. Recebeu Che Guevara, condecorando-o e atraindo a desconfiança dos EUA e a ira da UDN e do Exército.

Ao perceber a grande oposição que atraíra para si, tentou reverter o quadro chamando o povo para o seu lado. Vai renunciar esperando uma resposta popular que clamasse por sua permanência.

Calculou mal o passo. Se imaginou que o Congresso não aceitaria sua renúncia por ter de entregar o poder a João Goulart, errou. Também pelo fato de Brasília (recém fundada) ser então uma cidade distante e isolada, sua atitude foi recebida com frieza pela população dos grandes centros e pelo meio político.

Finalmente chegara a vez de João Goulart. Ele, que já havia vencido duas eleições para a vice-presidência do Brasil, agora se via diante da possibilidade de governar o país. Mas forças poderosas iriam se intrometer no caminho.

Quando Jânio renunciou João Goulart — ou Jango, como era conhecido — encontrava-se em visita à China, país comunista. Assim, após a renúncia intempestiva de Jânio o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli assumiu provisoriamente a presidência.

A posse de João Goulart não era bem vista, para não dizer inaceitável, em especial pelos militares — e pela UDN. Mais uma vez, invocava-se o fantasma do comunismo para evitar que a esquerda assumisse a presidência do país.

Assustava-se a população — especialmente a classe média — com a notícia de que poderia haver a implantação de uma república sindicalista no Brasil. Assim, muita gente queria impedir Jango de tomar posse como presidente do Brasil — e ele não tomou ao menos neste primeiro momento.

Leonel Brizola, governador do Rio Grande do Sul se insurgiu a favor da posse do cunhado. Negociou-se, enfim a implantação de um parlamentarismo, fato que deveria ser ratificado por posterior plebiscito.

Por esse sistema, João Goulart assumiria a presidência, mas o poder executivo ficaria a cargo de um primeiro ministro, no caso, Tancredo Neves (PSD). O presidente passava a ser uma figura quase decorativa. O frágil parlamentarismo teve ainda mais dois primeiros ministros: Brochado da Rocha (PSD) e Hermes Lima (PSB), mas sucumbiu nas urnas.

O prometido plebiscito aconteceu em 1963 e pôs fim à experiência parlamentarista. Goulart recebeu o apoio popular. É legítimo questionar se os votos foram dados a ele ou ao sistema presidencialista. Nesse sentido, não se tratou de um plebiscito, mas de uma eleição presidencial.

Finalmente no governo, Jango trabalhou o que chamava de ‘reformas de base’, que envolviam questões complicadas como reforma agrária, reforma urbana, reforma do Estatuto do Capital Estrangeiro além da reforma universitária.

Jango radicaliza e abre as portas para o Golpe de 1964.

Após ver seus intentos rejeitados no parlamento, abandonou sua postura conciliatória e passou a forçar as reformas, mesmo sem o apoio político e de boa parte da sociedade, de que necessitava.

Em um discurso no Rio de Janeiro, anunciou o início de seu plano reformista. A sociedade civil foi às ruas em São Paulo, na Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

Também em março ocorreu um incidente de insubordinação na Marinha. Jango resolveu a querela da pior maneira, trocando o comando da instituição, algo que acirrou o descontentamento das forças armadas com o seu governo. Ele havia ultrapassado a linha da moderação. Em 31 de março de 1964 ocorre o golpe civil-militar.

Pode-se concluir do período, portanto, que Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros e João Goulart, na busca por progresso e direitos sociais irão encaminhar o país para o golpe de 1964, que já estava urdido desde o suicídio de Vargas.

Governos com traços populistas, em um momento em que o mundo vivia a ameaça comunista, trariam sérios riscos à Democracia, e foi o que aconteceu.

No campo político-partidário, surgem partidos importantes, como o Partido Social-Democrático (PSD), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e a União Democrática Nacional (UDN). Se quisermos encontrar a gênese para os partidos atuais, é daqui que teremos de partir.

A queda do regime da segunda república e o advento da ditadura militar no Brasil são eventos que estão diretamente relacionados ao enfraquecimento dos partidos conservadores. UDN e PSD perdiam força político-eleitoral enquanto partidos progressistas, como o PTB cresciam.

Mais uma vez graves questões que perpassam a história política do Brasil impõem sua força. De um lado o federalismo contra o centralismo e, de outro, a questão entre progressistas e conservadores.

Foi do desentendimento entre os políticos que o Golpe aconteceu.

do Estado Novo ao Golpe de 64 (1937-1964)

Partido Socialista Brasileiro (PSB)

Partido Trabalhista Brasileiro (PTB)

Partido Trabalhista Nacional (PTN)

Partido Social Progressita (PSP)

CENTRO

Partido Social Democrático (PSD)

União Democrática Nacional (UDN)

Partido da Representação Popular (PRP)

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

A política e o Estado

Milícias impõem ‘governo pararelo’ onde o Estado negligencia assistência.

Há que haver Política e Estado, um vai definir diretrizes e o outro os tipos de ação.

Vivemos, nos grandes centros, a falta dos dois; um cenário antigo que hoje traz o desequilíbrio no estado de direito e na democracia. De que adianta eleger um político se ele não fomenta ideias construtivas para combater o crime organizado?

Se esse político não faz o Estado agir de forma contundente para eliminar o crescimento desordenado das cidades e do poder paralelo (milícias, traficantes), para que serve a democracia?

Estamos vendo no Equador o poder paralelo matando políticos e galgando espaços no poder.

O povo hoje é refém da desordem implantada há anos no país. Só os moradores do “asfalto” têm acesso às benesses do estado, o outro lado da sociedade é desassistida e vive a lei do comando local.

As comunidades, favelas e bairros afastados estão nas mãos do poder paralelo, e essas populações só crescem, como um tumor social maligno. Hoje o Brasil abandonado é maior que o Brasil dito assistido pelo governo.

Algum político com ideias e vontade para atacar esse problema? Não conheço.

Só impera o populismo barato que ganha votos para se perpetuar no poder.

O Brasil caminha para um triste fim. Rezemos.

FORMAÇÃO POLÍTICA

Uso político do “Brics”

No início do século XXI o economista britânico Jim O’Neill criou, através do acrônimo formado por “Brasil, Rússia, China e Índia”, o conceito de Bric’s. Posteriormente, o acrônimo transformou-se em Brics, agora incorporado ao eles a África do Sul (South Africa).

Com objetivos distintos, Brasil e China fazem uso político do grupo atualmente.

A ideia era a de que esses países, juntos, formariam um grupo tão poderoso que poderiam passar a influenciar na política e na economia global. Competir com o G7, grupo formado pelas economias mais desenvolvidas do planeta, isto é, Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido era o principal objetivo.

Acontece que, se na economia os países do Brics podem competir com o G7, no campo da política são países instáveis e imprevisíveis. Passadas já quase duas décadas de sua “invenção”, ainda não conseguiram entregar nada do que foi concebido.

Questões ideológicas tornam o Brasil instável. Faz-se, por aqui, política de governo e não política de Estado. Se agora o Brasil volta a dar atenção ao Brics não é por ver nele um instrumento de desenvolvimento, mas por enxergar no grupo o caminho para implementar ideologias ultrapassadas.

Quanto à Rússia, trata-se de uma autocracia metida em uma guerra que só não está perdida porque o país detém armas nucleares que lhe garantem arrastar essa situação ao indefinido. China e Índia não são democracias e, portanto, não são exemplos a ser seguidos em um mundo que quer se tornar livre. A África do Sul ensaia alguns avanços, mas não se sabe até quando irá resistir às velhas falhas do passado. Por lá, os desafios como combate à corrupção, desigualdade e tensões sociais continuam a permear o horizonte do país, podendo, a qualquer momento, desembocar em instabilidade.

Retornando ao Brasil, Lula insiste nos erros do passado. Escalou Dilma Rousseff como presidente do Banco dos Brics, cargo que até só lhe rendeu o difícil desafio de negar ajuda a Putin.

Agora Lula quer, ainda, infiltrar no mesmo grupo a Argentina e a Venezuela. Só se for para promover a ajuda que esses dois países, atolados em uma anacrônica ideologia esquerdista, precisam. Acreditasse na força dos Brics e Lula estaria buscando outros caminhos para o grupo. Mais uma vez, quer impor o que só se consegue com trabalho.

O problema é que é do interesse da China que mais países se unam ao grupo. Países tão díspares como Argentina, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Cuba, República Democrática do Congo, Camarões, Gabão e Cazaquistão já manifestaram interesse em entrar no bloco. À China interessa aumentar sua influência global e nada como o Brics para promover esse propósito.

Enquanto o Brics segue por caminhos pelos quais ele não foi concebido, os governantes de cada lado observam seus próprios interesses. Nesse sentido, o grupo só está junto para justificar ideologias.

A idade não foi capaz de tirar a teimosia de Lula. Sim, há diferença entre persistência e teimosia. Mário Sérgio Cortella, grande pensador brasileiro, já nos advertiu: buscar novos caminhos é persistência, insistir no mesmo é teimosia. Lamentável que Lula pense assim e arraste consigo todo um grupo que poderia dar excelentes frutos, mas que são colhidos antes da hora, perdendo-os. Agindo dessa maneira, o G7 agradece — vai continuar impondo suas diretrizes ao mundo.

Coluna Construtiva, FORMAÇÃO POLÍTICA

A doce ilusão da aposentadoria

Somos educados para estudar, trabalhar, progredir. Não somos para guardar dinheiro para a velhice.

A ideia de uma terceira idade tranquila, em países como o Brasil, pode ser uma doce ilusão.

Na minha família se dizia “guarde 10% todo mês para seu futuro”, não se explicava o que era futuro… Assim, quem já tinha um futuro programado podia economizar e os outros elegiam o futuro como presente e não podiam guardar nada, pois nada sobrava.

Os mais sortudos foram funcionários públicos ou empregados de multinacional, esses hoje sorriem com uma aposentadoria vultuosa e se dão ao luxo de “torrar” o dinheiro como se não houvesse amanhã.

Esse é o problema: o amanhã. Temos que fazer conta do que será o amanhã: o que vamos gastar com o que vamos ter. Nessa matemática maluca entra a inflação e seus dragões (plano de saúde, custo de vida, etc…). Matemática financeira com várias moedas que têm seus fatores de correção monetária diferentes.

Faça aí sua conta de quanto você pagava no seu plano de saúde 5 anos atrás e verás que daqui há 5 anos na frente não poderás pagar. Simples assim, vamos ficar mais pobres e mais velhos. Doce a ilusão da aposentadoria sem preocupação e gozando a vida sem culpa. Doce ilusão…

É preciso uma política educacional para preparar a população, desde a infância, para a velhice e suas mazelas econômicas. As famílias estão cada vez menores e a sobrevida maior, teremos mais idosos e menos força produtiva. O jovem de hoje será o velho de amanhã e os custos serão imensos para a sociedade.

Política educacional para futuros idosos já!

FORMAÇÃO POLÍTICA

Reforma administrativa

PEC-32 foi elaborada ainda no governo Jair Bolsonaro.

O Brasil está tentando fazer as alterações necessárias em sua legislação para que possa se transformar em um lugar menos hostil a seus cidadãos.

A reforma da previdência social (em função da alteração na pirâmide etária) e a Reforma Tributária (a fim de pôr fim a esse atoleiro tributário que é o nosso atual sistema) tentam cumprir esse papel.

Todavia, nossa sociedade precisa de uma Reforma Administrativa para colocar fim a benefícios que hoje alguns setores historicamente privilegiados de nossa sociedade têm.

Reportagem da Folha de S. Paulo (31.jul, p. A10) deixou clara uma situação injusta ao servidor público. Esse é visto pela população como alguém que trabalha pouco e ganha muito. Nada mais falso do que essa percepção.

O servidor comum trabalha muito, e sob pressão. Com ganho compatível ao de um trabalhador da iniciativa privada, sua única diferença é a estabilidade de emprego. Essa estabilidade, porém, se faz necessária para evitar perseguição política — é por esse motivo que ela existe.

É nesse sentido que a PEC 32 é perigosa. Procura retirar direito dos servidores comuns em detrimento do que, de fato, necessita ser enfrentado — os enormes benefícios do “andar de cima” da administração pública no Brasil.

Ora, para além desse funcionário público “comum”, existe uma casta, essa sim, que recebe salários inconcebíveis para um país de renda média. É preciso enfrentar essa situação.

Estamos falando de gente que ganha até duzentos mil reais por mês quando abocanha seus múltiplos benefícios — sabe-se de casos cujo vencimentos chegaram a 500 mil reais! Gente que tem duas férias anuais. Que pode transformar essas férias em dinheiro porque preferem as licenças que a qualquer momento lhe podem ser concedidas a “gastar” suas férias regularmente. Dentre esses motivos se inclui o de “aprimorar seus conhecimentos na Europa”.

Estamos falando de gente que — sinceramente falando — só trabalham se quando querem. Mas que decidem sobre a vida de todos nós — seja no Legislativo, seja no Judiciário.

Sim, também deputados e senadores têm privilégios demais — custam muito dinheiro aos cofres públicos e esse dinheiro precisa ser arrecadado na forma de impostos. Isso diminui a eficiência do mercado, prejudicando também por essa via, a vida do cidadão trabalhador — assim não dá!

Convenhamos, estamos falando de uma imoralidade. Estamos diante de uma situação que precisa mudar. O país não suporta mais sustentar tanta mordomia.